Mano Brown honra inspiradores do soul brasileiro e mago do funk
Rock in Rio 2019

Mano Brown honra inspiradores do soul brasileiro e mago do funk

Quem esperava um discurso ácido, contundente e condizente com a trajetória e as convicções de Mano Brown levantou as mãos para o alto, soltou a cintura e caiu no suingue de um senhor show baile. Afinal, o espírito do trabalho do rapper do Racionais MC’s com a banda Boogie Naipe é de celebração de heróis da música negra de sua juventude. “Não tive pai presente, aprendi a ser negro e ser homem ouvindo esses caras”, como disse Mano, 49 anos, em recente entrevista ao “Reverb”.

No Palco Sunset do Rock in Rio, no primeiro dia (27) desta edição, ele aproveitou para homenagear dois de seus grandes heróis, expoentes da soul music brasileira nos tempos em que a mensagem do black power chegou aos bailes da periferia nos grandes centros do país. “Hoje é uma noite de realização”, disse Mano, no começo do show. O astro do Capão Redondo, em São Paulo, concretizou sonhos de rapaz ao homenagear seus inspiradores.

Mano reverencia Bootsy/ Foto: Bárbara Martins
Mano reverencia Bootsy/ Foto: Bárbara Martins

O primeiro da noite foi Hyldon, 68 anos, que Mano pronunciou “Ríldon”, à moda “old school”.. O autor de “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” e “As Dores do Mundo” participou tocando “Foi Num Baile Black”, a parceria que fez com Mano Brown e Dexter que funciona como flashback e conceito chave da banda e do álbum “Boogie Naipe”.

O segundo ídolo de Mano a entrar em ação foi Carlos Dafé, 71 anos, autor do clássico do samba soul “Pra Que Vou Recordar O Que Chorei”. O músico nascido em Vila Isabel, terra de Noel Rosa, participou cantando e tocando teclado em “Nova Jerusalém”, uma das composições mais densas de “Boogie Naipe”.

Bootsy: muito carisma no palco junto de Lino Krizz e Mano Brown/ Foto: Bárbara Martins
Bootsy: muito carisma no palco junto de Lino Krizz e Mano Brown/ Foto: Bárbara Martins

E ainda houve Bootsy Collins, o feat. oficial do show, uma das presenças mais aguardadas deste Rock in Rio. Aos 67 anos, com problemas nas articulações da mão direita, ele não tem mais condições de tocar seu contrabaixo — elemento fundamental do que veio a ser conhecido como funk, desde os tempos em que aprendeu com James Brown (1933-2006), o padrinho da coisa toda, e depois, nos grupos Parliament e Funkadelic.

Mas Bootsy, que havia brilhado no Rock in Rio de 1991, no Maracanã, acompanhando o Deee-lite, nunca foi só um instrumentista brilhante. Com figurino extravagante e carisma muito maior que seu 1,90 de altura, ele ocupou o palco inteiro nas três músicas de encerramento do baile-show: “Mothership Connection”, o hino “Give Up The Funk (Tear The Roof Off The Sucker)” — conhecida pelo refrão “we want the funk” —, do Parliament, e “I’d Rather Be With You”, a canção que Childish Gambino “pilhou” para fazer seu hit “Redbone”.

Inspiração por inspiração, ao exaltar seu herói Bootsy, Mano Brown, brincou, entregando: “Olha para esse cara, pensa no Snoop Dogg e diz quem copiou quem”. Em seguida, o próprio Mano relativizou, exaltando Snoop. São todos ídolos e colegas no bom gosto, bebendo das mesmas fontes e honrando quem os ajudou a chegar lá.

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