Maquinário pesado: a vida dupla de um baterista, motorista e futuro aviador
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Maquinário pesado: a vida dupla de um baterista, motorista e futuro aviador

De maquinário pesado, Luis Carlos Teixeira entende. Por um lado, ele é motorista de caminhões munck, veículo feito para carregar grandes cargas e que, muitas vezes, possuem guindastes acoplados. Por outro lado, o “lado B” da vida profissional de Luis também tem o seu peso. Ele é baterista freelancer de cantores e bandas do interior paulista. Morador de Orlândia, aos 32 anos, ele se desdobra nas profissões para tentar colocar mais uma no currículo: a de aviador.

"Eu trabalho dia e noite para concluir esse meu sonho. Amo aviação desde criança, levo as minhas apostilas para o trabalho e para os shows. É como se um sonho meu me abrisse caminhos para realizar outro sonho", reflete o baterista, motorista e futuro aviador.

Luís começou a tocar bateria por gosto. Criado em uma família de violonistas profissionais, ele foi levado pela mãe para uma escola de música para aprender a tocar o instrumento. Porém, o gosto pela bateria já estava em suas veias graças a um primo que "ouvia muito rock 'n' roll". "Quando eu cheguei na escola para a aula de violão, comentei sobre bateria com o professor. Ele viu meu interesse e ficou brincando se eu queria mesmo tocar violão", diz. O professor levou Luís, que tinha 13 anos, até uma sala onde havia o instrumento e o amor foi à primeira vista. "Eu nunca tinha chegado perto de uma antes", conta.

Ali começou uma história de amor. Hoje, Luís tem três instrumentos em casa, entre modelos acústicos e eletrônicos. "Antes de ter meu kit, eu ficava em casa trancado, com uma baqueta de verdade e uma outra, que fiz com um galho. Meu pai tinha instrumentos de percussão porque tocava tambor em jogos de futebol", conta. Sua primeira bateria real-oficial mesmo só veio três anos depois, como presente por ter sido aprovado na escola.

Sem banda, o motorista já tocou com mais de 20 duplas sertanejas e grupos da região. Por conta do trabalho comandando o caminhão, costuma ocupar o tempo com a música nos fins de semana. Bailes de formatura, festas de casamentos, baladas. Não há evento em que ele não toque.

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"Por ser músico contratado, eu peço o repertório antes para poder tirar e tocar com as duplas sertanejas. Quando é um show maior, a gente costuma ensaiar em estúdio, mas, sendo algo mais simples, a gente só ensaia no dia mesmo", diz.

O sertanejo nunca foi sua primeira opção. Luís gosta mesmo é de rock. O gênero do interior entrou na vida do futuro piloto de avião por conta da necessidade de juntar dinheiro. “A grana que me fez migrar. Aqui na região tem muita gente que gosta de sertanejo”, explica.

Na foto do WhatsApp, Luís expressa seu amor pela aviação. A foto de um modelo monomotor estampa sua imagem de perfil. Com o sonho de conseguir trabalhar com aviação agrícola, pergunto se ele já pensou que, em breve, poderá fazer um legítimo air drums, ao pé da letra. Ele ri. “Gostei, não tinha pensado nisso”.

Luis e o caminhão que dirige: vida dupla banca aulas de aviação / Foto: Arquivo pessoal
Luis e o caminhão que dirige: vida dupla banca aulas de aviação / Foto: Arquivo pessoal

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