Melhores relançamentos do ano pela NPR incluem Aretha, Elvis e... a brasileira Ana Mazotti
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Melhores relançamentos do ano pela NPR incluem Aretha, Elvis e... a brasileira Ana Mazotti

Em tempos de streaming, um ouvinte curioso que não gastaria um valor considerável em caixas de vinil ou CD, pode vasculhar um sem número de conteúdos, escolhendo o que quer que pareça interessante. Mas encontrar qualquer versão específica de uma determinada faixa é outra história, que requer mais do que uma pesquisa direta. Basta percorrer a lista de músicas de um artista para se perder entre versões "originais", versões ao vivo, versões editadas para rádio e até demo da mesma música.

A brasieira Anna Mazzotti está na lista dos melhores relançamentos de 2019. Reprodução
A brasieira Anna Mazzotti está na lista dos melhores relançamentos de 2019. Reprodução

Geralmente, a forma mais rápida de distinguir as faixas é saber quem tocou em uma versão específica, ou quando ou onde foi gravada. Aquele tipo de informação que os serviços de streaming não gostam de compartilhar.

Mas 2019 foi positivo para os fãs mais aprofundados da música, já que gravadoras e pesquisadores de peso foram atrás daquelas anotações valiosas em caixas de fita para lançar uma impressionante variedade de músicas que estavam arquivadas. Isso inclui lançamentos de gravações demo, curiosidades inéditas e obras conhecidas que foram restauradas respeitando a versão original. Abaixo, uma lista publicada no site NPR, a rádio estatal americana, com os melhores relançamentos:

Nat King Cole - 'Hittin 'The Ramp'

Nat King Cole tinha uma superpotência rara: a capacidade de derreter corações apenas com sua voz elegante e convidativa. Essa cuidadosa coletânea ao vivo mostra como ele desenvolveu esse dom. Reunindo tudo o que Cole gravou para o rádio das Forças Armadas e outros ligados a sindicatos e lojas antes de assinar com a Capitol Records em 1943, "Hittin the Ramp" faz um mergulho profundo na pré-história de uma lenda.

Nat King Cole
Nat King Cole

Aretha Franklin - 'Amazing Grace: The Complete Recordings'

Esse relançamento tem os quatro LPs que foram gravados por Aretha Franklin em 1972 no New Temple Missionary Baptist Church, em Los Angeles. As duas noites de shows foram registradas em sua totalidade gloriosa no álbum gospel ao vivo mais vendido de todos os tempos.

Aretha Franklin
Aretha Franklin

Bob Dylan (feat. Johnny Cash) -'Travelin 'Thru: 1967-1969, The Bootleg Series vol. 15'

Em 1969, durante a produção do álbum "Nashville Skyline", Dylan convidou Johnny Cash para dois dias de colaboração. Com um acompanhamento enxuto, os dois tocaram clássicos do rock ("That's All Right, Mama") e canções de fé ("Just a Closer Walk With Thee"), bem como o majestoso "Big River" de Cash e o "Wanted Man" de Dylan. " Esta última é a única gravação existente com um vocal de Dylan.

Bob Dylan
Bob Dylan

Ana Mazzotti - 'Ninguém Vai Me Segurar'

A Far Out Records, no Reino Unido, que muito divulgou a música brasileira de Azymuth e outros segredos bem guardados dos anos 1970, lançou dois álbuns muito interessantes gravados naquela década pela tecladista, vocalista e compositora gaúcha (de Caxias do Sul) Ana Mazzotti (1950-1988). Elogiada por Hermeto Pascoal, Ana morreu aos 37 anos vítima de câncer. Depois de gravar com os músicos do Azymuth, ela fez carreira cantando em bares e hotéis do Rio e de São Paulo, enveredando pelo jazz na fase oitentista da carreira.

Anna Mazzotti
Anna Mazzotti

Vários artistas - 'Kankyō Ongaku: Japanese Ambient, Environmental & New Age Music 1980-1990'

Embora tenha obras de mais de 15 artistas, incluindo figuras consagradas como Ryuichi Sakamoto, essa compilação se desdobra de uma maneira surpreendentemente unificada, fluindo de ambientes assombrosos e desolados a peças mais roteirizadas e melódicas, como o suntuoso anúncio de relógio "Seiko 3" de Yasuaki Shimizu.

Kankyō Ongaku
Kankyō Ongaku

Stan Getz - 'Getz at the Gate'

Foi um excelente ano para a música recém-descoberta dos lendários saxofonistas de jazz, em parte graças a essa gravação de 1961 do Village Gate de Nova York. Aqui, Stan Getz, enlouquecedoramente lírico, impressiona em "It's All Right With Me" e "Spring Can Really Hang You Up the Most". O registro, que tem participação do pianista Steve Kuhn e do baterista Roy Haynes, captura o saxofonista pouco antes de começar seus flertes comercialmente lucrativos com a Bossa Nova.

Stan Getz
Stan Getz

Gene Clark - 'No Other'

Ao longo de sua tumultuada história de lançamentos, esta joia psicodélica de 1974 foi rejeitada por seu criador, negligenciada (e depois excluída) por sua gravadora original, perdida, encontrada e depois defendida como um clássico por sucessivas gerações de fãs obsessivos. "Strength of Strings" e "Lady of the North" são traduzidas com exatidão sonora nesta reedição básica. Apesar de edições mais elaboradas e caras incluírem material inédito dessas sessões, as oito faixas originais do álbum são realmente suficientes.

Gene Clark
Gene Clark

Vários artistas - 'Nigéria 70: No Wahala'

A gravadora Strut, no Reino Unido, tem um acervo de música feita Nigéria nos anos 70 e 80 - highlife, juju e funk praticamente impossíveis de se encontrar fora da África Ocidental. Esta coletânea, com curadoria do DJ Duncan Brooker, é a primeira da Strut em oito anos. Vinculando jujus da velha escola a sombrios downtempo funks esta é a trilha sonora perfeita para uma noite de muita dança.

Coletânea Nigéria
Coletânea Nigéria

Pink Floyd - 'The Later Years 1987–2019'

O Pink Floyd esvaziou o arquivo de qualquer coisa relacionada ao do que chama de The Later Years - ou seja, depois de 1987, após a saída de Roger Waters. Uma delas é a versão "atualizada e remixada" de "A Momentary Lapse of Reason", de 1987 (com partes de bateria recém-gravadas!); outro é um disco dedicado a jams de estúdio nunca lançadas e gravações ao vivo entre 1987 e 1994. Os instrumentais de estúdio inéditos revelam o mestre guitarrista David Gilmour sob uma luz mais humana, sem grandezas e apenas em busca de melodias.

Pink Floyd
Pink Floyd

Sounds of Liberation - 'Sounds of Liberation' / 'Unreleased Columbia University 1973'

Antes de "crossover" se tornar um palavrão, antes da fusão entre jazz e rock se transformar em excesso virtuoso, esse grupo da Filadélfia, liderado pelo vibrafonista Khan Jamal e formado por Byard Lancaster, vivia um som surpreendentemente original. A estreia da banda acaba de ser reeditada em vinil; mas não deixe também de ouvir "Unreleased Columbia University 1973", para perceber como o grupo evoluiu.

Sounds Of Liberation
Sounds Of Liberation

Creedence Clearwater Revival - 'Live at Woodstock'

Creedence Clearwater Revival, um dos poucos artistas contemporâneos na escalação do Woodstock, fez daquele palco um cenário que parecia uma revista de sonhos: "Born on the Bayou," "Green River," "Proud Mary" e muito mais está no pacote lançado para comemorar o 50º aniversário do festival - isso após décadas de "rebaixamento" da banda, que não fazia parte do filme original ou do álbum da trilha sonora. É um registro emocionante.

Creedence
Creedence

Various Artists - 'Kinshasa 1978: Originals and Reconstructions'

Aqueles que amam o Konono No. 1, um grupo da República Democrática do Congo, devem conhecer o ambicioso projeto de viagem no tempo "Kinshasa 1978". Sua origem vem das gravações inéditas feitas em Kinshasa em 1978, apresentando o Konono e bandas desconhecidas no Ocidente, como Orchester Bambala. Semelhante ao Konono, esses grupos transformam peças antigas de carros e outros itens em instrumentos que, quando montados, tornam-se uma estronda percussão. O relançamento ganhou intervenções do DJ Martin Meissonnier, com truques modernos de estúdio.

Kinshasa
Kinshasa

Elvis Presley - 'Live 1969'

Woodstock não foi o único evento de música ao vivo em 1969. Elvis Presley voltou ao palco em Las Vegas depois de mais de oito anos afastado. Tirou o pó do livro de clássicos do rock e começou a fazer jantares e shows à meia-noite no novo International Hotel. Presley e a banda, liderada pelo guitarrista James Burton, fizeram shows com versões ofegantes e rápidas de "Hound Dog" e canções de amor quase torturadas de peças de R&B como "I Got a Woman".

Elvis Presley
Elvis Presley

Jimi Hendrix - 'Songs for Groovy Children'

Jimi Hendrix tinha algo a provar também: ele fechou o ano de 1969 se apresentando no Fillmore East com o baixista Billy Cox e o baterista Buddy Miles, num trio que se tornaria conhecido como Band of Gypsies. O material original do álbum ao vivo do Band of Gypsies, agora está disponível na íntegra em "Songs for Groovy Children". Hendrix havia largado há muito tempo riffs agradáveis
para a multidão em favor de idéias mais nítidas e menos óbvias; perseguindo o blues em tons mais espessos.

Jimi Hendrix
Jimi Hendrix

The Replacements - 'Dead Man's Pop'

Esta versão revisada do "Don't Tell a Soul", o auge comercial de 1989 dos Replacements, oferece uma janela para a importante arte da mixagem. Depois que a banda terminou de gravar seu sexto álbum de estúdio, a gravadora trouxe o conceituado engenheiro Chris Lord-Alge para dar a músicas como "I'm be you" um brilho mais ágil. Mas a banda contratou depois o engenheiro Matt Wallace para restaurar as faixas. O relançamento inclui demos e material anteriores de uma sessão com Tom Waits que se encaixa perfeitamente na "desorganização" do Replacements.

The Replacements
The Replacements

The Go-Betweens - 'G Stands For Go-Betweens: The Go-Betweens Anthology, Vol. 2'

Cinco anos após o início dos álbuns retrospectivos do Go-Betweens, finalmente chega o Volume 2. Este inclui os álbuns que apresentaram ao mundo as duas "vozes" da banda australiana, Robert Forster e Grant McLennan. "Liberty Belle" e "The Black Diamond Express", de 1986, "Tallulah", de 1987, e "16 Lovers Lane", de 1988. O pacote também vem com cinco CDs, incluindo um com demos que seriam o sétimo álbum dos Go-Betweens. A banda terminou antes que pudesse gravar e algumas dessas músicas surgiram mais tarde em trabalhos solo de Forster e McLennan.

The Go-Betweens
The Go-Betweens

Duster - 'Capsule Losing Contact'

No final dos anos 90, o Duster gravou dois álbuns de indie rock atmosférico e nebuloso que o multi-instrumentista Clay Parton uma vez descreveu como "música experimental deprimida". Isso ajudou o trio de San Jose a se destacar ao lado de bandas mais conhecidas como Low e Codeine no subgênero às vezes chamado de "slowcore". Então Duster e, de alguma forma, a demanda por sua música cresceu - o suficiente para o selo Numero relançar o disco.

Duster
Duster

Mary Lou Williams - 'Mary Lou Williams'

A pianista e compositora Mary Lou Williams era uma curiosa em todos os sentidos. Suas composições originais começaram com raízes no jazz inicial e depois se aventuraram loucamente no misticismo do blues, na espiritualidade e na música clássica. Quatro seleções nesse álbum de 1964 são gospels escritos para coral e solista, com e sem ritmo. Algumas peças são realmente poderosas, principalmente quando Williams pega acordes nítidos para reformular "A Grand Night For Swinging" e encontra conotações incomuns de blues entre as linhas de "My Blue Heaven".

Mary Lou Williams
Mary Lou Williams

Prince - '1999'

Esse enorme tesouro mostra que, para fazer um disco, Prince criou música suficiente para seis. Entenda porque não só nunca houve um talento prolífico como o de Prince, como também jamais houve um período criativo como o que o cantor experimentou entre novembro de 1981 e abril de 1983. um material que também tem muito a ensinar e que é um dos pontos altos da magnífica obra de Prince.

Prince
Prince

John Coltrane - 'Blue World'

"Blue World" é a trilha sonora inédita de um filme experimental canadense chamado "Le chat dans le sac". O material do Blue World relembra um período na música de Coltrane que começa com "Naima", gravado pela primeira vez em 1959 para Giant Steps. Coltrane não era conhecido por revisitar trabalhos anteriores no estúdio, e este se afasta da versão conhecida.

John Coltrane
John Coltrane

Vários artistas - 'World Spirituality Classics 2: The Time For Peace is Now'

O gospel às vezes é visto como tendo seu próprio ecossistema, separado do pop e do R&B por sua mensagem, tradições e público-alvo. Como argumenta esse brilhante box, essa é uma construção moderna. Aqui, canções como "That's A Sign of the Times" e "We Don't Love Enough" inspiram ouvintes, e, mesmo sendo originais dos anos 1970, parecem falar diretamente com os problemas do nosso momento.

World for Peace
World for Peace

The J.B.'s - 'More Mess On My Thing'

Se há uma nova fronteira no campo da reedição, são as demos, faixas e fitas de audição à espreita em caixotes de lixo e sótãos — você sabe, onde a história vive. Prova: uma das ofertas mais quentes do recente Record Store Day foi este EP, que contém a demo de 1969 que teve Bootsy Collins, seu irmão Catfish e sua turma contratada por James Brown. "These Are the J.B.s", a faixa-título e a música instrumental "The Wedge" mostram que, embora fossem jovens, eles já estavam falando a língua de Brown e assimilando todas as nuances de seus códigos de funk.

The JB´s
The JB´s

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