Metaleiro e bombeiro: a vida dupla de Tommy Karevik, vocalista do Kamelot
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Metaleiro e bombeiro: a vida dupla de Tommy Karevik, vocalista do Kamelot

Que rockstar, que nada. Apesar de ter crescido cercado por músicos, o vocalista do Kamelot, Tommy Karevik, sempre quis ser... bombeiro. E por muito tempo ele conciliou as duas funções, a princípio, totalmente incompatíveis. Mas, ao entrar para o grupo de heavy metal, o cantor sueco de 36 anos passou a incendiar multidões de fãs e a servir sua cidade, tudo junto ao mesmo tempo agora.

“Minha família conta que sempre falei que queria ser bombeiro. Toda vez que alguém me perguntava o que eu queria ser quando crescesse, eu respondia: ‘Bombeiro!’. E isso desde antes do que eu consigo me lembrar”, explica Tommy, que tem irmã pianista, mãe cantora e pai guitarrista - que o influenciou a ouvir Queen, Dire Straits e Scorpions - em entrevista ao Reverb.

Na sua busca por concretizar seu sonho de ser bombeiro, ainda na adolescência, foi reprovado num teste (justamente o de audição), e quase ficou sem uma vaga de trainee na corporação. “Implorei por uma segunda chance. Depois de insistir muito, eles deixaram. Eu estava muito nervoso mas, de alguma forma, consegui”, conta ele, que se submeteu a uma cirurgia delicada no ouvido em 2009 e hoje ouve "um pouco melhor". Quando Tommy tinha 19 anos, o quartel abriu processo seletivo para recrutar novos soldados e perguntaram a ele se havia interesse em ser efetivado. Ele prontamente respondeu que sim e, dessa vez sem sustos, foi contratado.

Funciona muito bem para mim (ter as duas profissões). E chega até a ser necessário para que eu não fique preso em um só mundo, porque o mundo da música é muito especial, mas pode também te drenar se você é uma pessoa criativa.

Já isso de ser vocalista do Kamelot não inspirava em Tommy tanta certeza assim. A banda, que já fazia sucesso dentro e fora da Suécia, exigiria dele responsabilidades maiores que seus trabalhos musicais anteriores, como na banda de rock progressivo Seventh Wonder. Em entrevista dada à época do anúncio oficial para a página “Kamelot Sweden”, Tommy contou que o acúmulo de funções, atrelado à vida pessoal, o fez refletir bastante sobre o convite. "Eu trabalho como bombeiro. Acrescentar a isso um emprego em uma banda de sucesso com planos ambiciosos de turnês não foi uma decisão óbvia a princípio”, contou.

Apesar de ter trabalhado por 17 anos como bombeiro, a vida na estrada fez Karevik se afastar do posto há cerca de dois - mas ele já se prepara para voltar ao cargo. Logo que assumiu a frente do grupo de metal, Tommy trocava turnos para conseguir tempo para compor e sair em turnê. Quando a agenda do Kamelot se intensificou - e a idade também já não era tão tenra -, ele pediu uma licença, a princípio por um ano.

“Eles concordaram e aquele um ano acabou se transformando em dois. Eu ainda trabalho lá e devo retornar ainda este ano. Tenho muita sorte com a minha situação no trabalho. Meu chefe sempre foi muito compreensivo e sempre me ajudou, algo pelo qual eu serei sempre grato”, diz Tommy.

Para conciliar as duas profissões, ele precisava ser atualizado quando voltava de turnês, repassando treinamentos e provas que havia perdido durante o tempo em que havia ficado fora. Também era fundamental retomar uma rotina de exercícios. “Estar em turnê é geralmente difícil para o corpo, com o sono e alimentação bastante comprometidos”, afirma.

A combinação curiosa entre as duas profissões faz Tommy refletir sobre as semelhanças entre elas. “As duas têm horários desconfortáveis. E ajuda bastante se você estiver em forma”, brinca. Ele explica que o trabalho no corpo de bombeiros costuma ter turnos diurnos de dez horas. Já os da noite duram 14. As tarefas comuns incluem verificar o estado dos equipamentos, dar treinamentos e realizar atividades físicas em grupo ou individualmente. Além de, claro, atender às chamadas de emergência que chegam ao quartel.

“Salvar a vida ou a casa de alguém, ou mesmo apenas ajudar uma pessoa em uma situação complicada, é algo realmente significativo. Infelizmente você também pode ver muitas coisas tristes. Essa é a parte difícil e acontece com muito mais frequência do que as coisas felizes”, lamenta.

Para Tommy, continuar como bombeiro mesmo experimentando as delícias de ser cantor é uma forma de fincar os pés no chão. “Funciona muito bem para mim, na verdade. E chega até a ser necessário para que eu não fique preso em um só mundo, porque o mundo da música é muito especial, mas pode também te drenar se você é uma pessoa criativa. Para mim, ter a chance de voltar a fazer o que eu sei fazer há tantos anos, e que eu faço quase que no automático, ajuda de verdade. Assim reconstruo essa inspiração nesses períodos em que trabalho como bombeiro”, disse ele em outra entrevista, dessa vez ao “Blabbermouth”.

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