Metronomy mantém fé no pop criativo depois dos 40: 'Madonna, Bowie, David Byrne, Prince... há muitos exemplos para nos inspirar'
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Metronomy mantém fé no pop criativo depois dos 40: 'Madonna, Bowie, David Byrne, Prince... há muitos exemplos para nos inspirar'

O som indie do grupo inglês Metronomy começou mais eletrônico e evoluiu, entre idas e vindas, em direção ao análogico, se equilibrando em referências de futurismo retrô ao longo de vinte anos. Em uma fase da carreira e da vida (integrantes beirando os 40 anos) em que já podem ser vistos sob preconceitos baseados em ageísmo no cenário pop, Joseph Mount (voz, teclado e guitarra) e Olugbenga Adelekan (voz e baixo) acreditam em vida inteligente e criativa décadas adiante. Como exemplos, citam Madonna, 61, David Byrne, 67, e alguns heróis já mortos. "Pessoas como Prince (1958 - 2016) e David Bowie (1947 - 2016) também deram conta de chegar na nossa idade fazendo música boa. Tem muita gente que não se atrapalhou pelo caminho em quem é possível se inspirar", diz Joseph, em entrevista ao Reverb em dezembro de 2019, durante passagem pelo Rio de Janeiro.

O sucesso do Metronomy deve muito à internet. Com milhões de visualizações em "The Look", "The Bay" e outros clipes com cuidadosa direção de arte, a banda inglesa de cinco integrantes surgiu em 1999 e, aos poucos, conquistou fãs internacionais por meio da rede social Myspace e de antigos programas de download. Na mesma formação há cerca de dez anos, o grupo visitou o Brasil pela quinta vez em dezembro de 2019 com a turnê do álbum "Metronomy Forever", lançado em setembro do mesmo ano, e falou com exclusividade ao Reverb.

"Não foram os CDs que fizeram as pessoas conhecerem o Metronomy, não foi o vinil. Foi o Myspace, foi o streaming e todas essas plataformas", diz Joseph, 37 anos, produtor musical, compositor, frontman e fundador do Metronomy. O músico começou a banda como um projeto eletrônico solo em que ele se apresentava sozinho, como DJ. No decorrer da experiência ao vivo, percebeu a necessidade de outros instrumentistas no palco, mesmo sem abrir mão da composição e produção das faixas do grupo. "Eu acho que é uma atividade incrivelmente social, tocar música com as pessoas. [...] Eu adoro", conta.

Baixista do Metronomy, Olugbenga Adelekan durante show no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 2019 / Foto: Bárbara Martins / Reverb
Baixista do Metronomy, Olugbenga Adelekan durante show no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 2019 / Foto: Bárbara Martins / Reverb
O sentimento de envelhecer [...]: acho que todos nós ficamos bem tranquilos em relação a isso

Ao lado de Joseph e Olugbenga, estão na formação atual do Metronomy Anna Prior (voz e bateria), Michael Lovett (teclado e guitarra) e Oscar Cash (voz, saxofone, voz, guitarra e teclado). Todos próximos de uma faixa etária que beira os 40 anos, já é possível notar lições de amadurecimento em relação a expectativas na indústria da música. "Acho que bate aquele medo de estar chegando em uma idade de irrelevância criativa", diz o baixista Benga, que assim como Joe, é pai de duas crianças. "Mas falando mais genericamente, o sentimento de envelhecer, de estar confortável com não ser mais uma banda supernova no mercado: acho que todos nós ficamos bem tranquilos em relação a isso".

"Veja o que acontece com os artistas pop: eles enfrentam problemas para encontrar um caminho para uma carreira mais longa. Mas, na verdade, é muito mais fácil para a banda, é muito fácil se você enfrentar isso de cabeça erguida", continua Joseph. Por essas e outras, a música e os produtos audiovisuais do Metronomy continuam atraindo públicos adolescentes e jovens fãs das referências de pop, new wave, música eletrônica e rock do grupo inglês.

Entusiastas de arquitetura, os cinco integrantes do Metronomy aproveitaram a turnê de quatro shows no Brasil para visitar obras de Oscar Niemeyer (1907 - 2012) espalhadas por São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Além do interesse pelo trabalho do arquiteto carioca, Joseph e Olugbenga também se mostraram fãs do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna (1960 - 1994) e, na música brasileira, citaram Os Mutantes e o cantor Seu Jorge, 49.

Assista à entrevista do Metronomy na íntegra:

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