Michael Hutchence: documentário promete mudar imagem do líder do INXS
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Michael Hutchence: documentário promete mudar imagem do líder do INXS

Michael Hutchence (1960-1997) foi um dos músicos mais populares do planeta nos anos 1980. Ele ficou mundialmente famoso por estar à frente da banda de pop rock australiana INXS. Agora, 21 anos após sua trágica morte, o artista é tema de um documentário revelador que promete mudar a imagem e as percepções que boa parte do público tinham do pop star e sex symbol por ocasião de sua morte em circunstâncias controversas e nos anos que se seguiram. O filme foi dirigido por Richard Lowenstein, cineasta conhecido por colaborar diversas vezes com o U2. e que tinha uma amizade bem próxima com Michael.

"Mystify: Michael Hutchence" estreou em diversos festivais de cinema internacionais, mas só neste mês, no dia 18 de outubro, chega às salas do Reino Unido e da Irlanda. Não há previsão de lançamento no Brasil, mas deve fazer parte da programação do In-Edit, em junho do ano que vem.

Em entrevista ao "NME", o diretor explicou suas opções. Em 1997, Michael, segundo versões anteriormente difundidas, teria morrido por autoasfixia erótica, durante um complicado ritual masturbatório, em um quarto de hotel. Humoristas e detratores exploraram bastante essa tese, até porque o lídero do INXS não tinha uma imagem pública muito positiva nos anos 1990. Para muitos, era um grande playboy, sempre às voltas com mulheres lindas, bebida, drogas e incidentes violentes. Em 1993, durante gravação do álbum "Full Moon, Dirty Hearts", na paradisíaca ilha de Capri, na Itália, ele conseguiu brigar feio com todos os outros integrantes do grupo. Entre embates físicos consumados e ameaças, chegou a puxar uma faca para um deles.

Richard Lowenstein entrevistou algumas das mulheres mais importantes da vida de Michael para trazer à tona outro lado do cantor, e investe na hipótese de que ele se matou, após um longo período de saúde psicológica afetada por uma lesão cerebral pouco divulgada (por decisão do próprio Michael). A lesão aconteceu em 1991, depois que, bêbado, andando em Copenhague, com sua então namorada, a modelo dinamarquesa Helena Christensen, hoje com 50 anos, Michael Hutchence arrumou confusão com um taxista e levou a pior. Bateu com parte posterior da cabeça no meio-feio e quebrou o crânio. A partir daí, perdeu o olfato e o paladar, e passou a alternar períodos depressivos com episódios de agressividade.

"Mistify" tenta reconstruir a imagem do cantor a partir de depoimentos de algumas das mulheres que o amaram. A cantora australiana Kylie Minogue cedeu muitos vídeos, alguns bem íntimos, com momentos a dois com Michael, e deu um depoimento bastante emocionado. Helena Christensen também contribuiu com informações que nunca haviam sido contadas.

"Busquei retratar Michael assim como eu o enxergava", disse o diretor, que trabalhou cinco anos para concluir o documentário, e utilizou muitas imagens do arquivo pessoal do cantor para construí-lo. "Em alguns momentos, cheguei a pensar em desistir desse projeto. Eu comecei a questionar meu ateísmo. Mas as coisas foram acontecendo aos poucos, como a entrevista de Kylie Minogue (com quem Michael se envolveu em 1990). As pessoas tiveram fé em mim e na história que eu queria contar."

Richard conhecia Kylie do passado, mas não entrava em contato com a artista há 20 anos. Ele sentiu receio em pedir a ela que participasse do filme. "Mas Kylie é conhecida por ser uma pessoa muito amável e não poderia ser diferente agora", garantiu ele. Após aceitar ser entrevistada para o documentário, a cantora australiana de 51 anos falou por aproximadamente 10 minutos em uma sala escura, onde pudesse se sentir confortável para abrir seu coração."

Getty Images
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"Ela foi muito honesta em sua fala. Se colocou numa posição muito autêntica. Em vários momentos pensei: 'Meu Deus, se os tabloides descobrirem o que estou ouvindo, eles iriam ficar loucos", declarou o diretor.

Sobre a entrevista de Helena, Richard a considerou "incrivelmente emocional". "Houve lágrimas, risadas... Eu precisei me segurar para não perder a compostura", contou. "A conversa com ela mudou tudo para mim, me ajudou a juntar os pedaços da história de Michael."

Já para traçar uma nova teoria sobre a morte de Michael, Richard convidou médicos especialistas na perda de sentidos para participarem do documentários. Ele também foi em busca de relatórios hospitalares do músico. A maioria deles estava escondida e nunca foi encontrada pela mídia. Os documentos concluíam que Michael tinha um sério dano no cérebro.

"Desde o acidente, a personalidade dele mudou muito. Todos estavam notando isso, ele andava arrogante e egoísta", avaliou Richard. "As pessoas normalizaram esse comportamento de rockstar. Mas, a verdade, era que o cara precisava mesmo é de um tratamento e de atenção."

Ao fim, Richard falou que um "novo" Michael nunca mais vai aparecer. Mas há músicos no cenário atual que chegam perto do carisma dele. "Eu diria que o Harry Styles, do One Direction. Ele inclusive foi cotado para viver o Michael numa possível cinebiografia, mas ela não chegou a acontecer", finalizou.

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