Michael Stipe, ex-R.E.M., em 'aterrorizante' recomeço solo, fala sobre sexualidade: 'Nunca estive no armário, isso é o mais bonito'
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Michael Stipe, ex-R.E.M., em 'aterrorizante' recomeço solo, fala sobre sexualidade: 'Nunca estive no armário, isso é o mais bonito'

Aos 59 anos, Michael Stipe, ex-vocalista do R.E.M., está se lançando em carreira solo. Sem divulgar novos trabalhos desde 2011, quando sua banda anunciou o término, ele soltou em outubro seu primeiro single, "Your Capricious Soul". Parte dos lucros da faixa está sendo doada à ONG de proteção ambiental Extinction Rebellion, segundo a "Billboard". Em 2019, além do novo som, o músico está promovendo os 25 anos de "Monster", nono álbum do R.E.M., lançado em 27 de setembro de 1994.

Antes de divulgar "Your Capricious Soul" nas plataformas de streaming, Michael o fez em seu próprio site. Foi um "protesto silencioso" durou um mês inteiro, como forma de se manifestar contra o "monopólio" da indústria fonográfica. Em entrevista à "Billboard", o cantor explicou como tem se sentido sobre o recomeço solo. "É assustador, aterrorizante", disse ele, responsável por compor a letra completa de "Your Capricious Soul". "E é por isso que estou fazendo isso."

Satisfeito com o resultado do primeiro single, bem-recebido por seus fãs e pela crítica, Michael espera lançar mais músicas novas em breve. Como não assinou contrato com qualquer gravadora, ele sente-se livre para escolher quando e como quer divulgar suas próximas faixas. "Parece ótimo", declarou Rita Houston, diretora de programação da rádio WFUV-FM, de Nova York. "É fantástico ouvir a voz de Michael no rádio em sua nova encarnação. A música dele não soa como o R.E.M., mas sim como ele próprio. Michael é muito 2019."

Relembrando seus tempos de R.E.M., Michael não pode deixar de comentar sobre o ano de 1994, quando sua ex-banda estava no auge da popularidade, e o grupo decidiu arriscar tudo e trabalhar num disco cujo som nada se parecia com o dos álbuns anteriores.

"Olhando para o passado, eu sequer posso acreditar que fizemos isso. Tivemos a audácia e a coragem de pular de um precipício juntos", considerou o músico. "Não literalmente, mas figurativamente, criamos algo muito diferente de tudo o que fizemos antes."

Assim, nasceu "Monster", um projeto menos comercial que "Out of Time" (1991) e "Automatic for the People" (1992), e que abraçou o glam rock por influência do T. Rex, o New York Dolls e o U2 na era "Achtung Baby" (1991).

Ainda naquele emblemático 1994, Michael revelou ao mundo sua sexualidade, e assumiu-se como um homem gay. Sempre tímido na frente de plateias, ele mostrou a todos como havia desenvolvido uma personalidade confiante e corajosa.

"Nunca estive no armário, e isso é o mais bonito de tudo. Tenho orgulho do que sou", garantiu ele. "Ninguém vai encontrar fotos minhas fingindo ter uma namorada ou sendo alguém que eu não sou. Nunca fui esse tipo de cara. Um fã do R.E.M. que não soubesse que eu era queer antes do anúncio, bem, essa pessoa não estava prestando muita atenção."

A separação do R.E.M. em 2011, de acordo com Michael, foi o que "salvou a amizade" dele com Peter Buck e Mike Mills, seus ex-parceiros de banda. Hoje, cada um toca seus próprios projetos musicais. "Deixamos um legado e encapsulamos nosso trabalho criativo para quem quiser ouvir", avaliou ele. "Sinceramente, fizemos um grande favor a nós mesmos."

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