Mick Jagger supera a 'ferrugem' volta ao cinema em papel diabólico
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Mick Jagger supera a 'ferrugem' volta ao cinema em papel diabólico

“Posso estar enferrujado.” Se alguém dissesse que essa foi uma frase vinda da boca de Mick Jagger, 76 anos, seria difícil de acreditar. Pois o cantor e compositor falou isso há pouco tempo, só que não tinha relação nenhuma com música e as performances ensandecidas no palco. Essa foi sua resposta quando o diretor italiano Giuseppe Capotondi o convidou para participar do longa “The Burnt Orange Heresy”, que estreia sexta (6/3) nos Estados Unidos.

Já se vão duas décadas desde que Mick Jagger estampou seu rosto nas telas de cinema em “Confissões De Um Sedutor”, onde atuou com Andy Garcia. No novo filme, ele estrela ao lado de Claes Bang e Elizabeth Debicki como um colecionador de arte diabólico que convence um jornalista a lançar mão de uma rara de um artista recluso (Donald Sutherland) para roubar uma de suas telas.

Mick Jagger em cena do longa "The Burnt Orange Heresy". Foto: Reprodução
Mick Jagger em cena do longa "The Burnt Orange Heresy". Foto: Reprodução

“Eu gostaria de ter atuado muito mais, acabei fazer um papel aqui e ali, sempre que pude. Você sabe, eu tenho outro emprego. Na verdade, tenho vários outros empregos”, disse Mick, rindo, à “Billboard”.

Atuando um pouco menos que David Bowie e mais que Bob Dylan, ele tem uma carreira cinematográfica interessante. Só que seu personagem nos shows dos Rolling Stones é tão poderoso que acaba ofuscando qualquer outro que possa ter na sétima arte. Ainda que sejam atuações marcantes como em “Bent” (1997), em que fez a drag queen Greta; “Freejack: Os Imortais” (1992); “A Forca Será Tua Recompensa” (1970), onde foi o protagonista Ned Kelly; e “Performance” (1970). Esse último continua sendo um dos mais célebres de sua econômica carreira. No filme alucinante de Nicolas Roeg ele interpreta um astro do rock viciado em drogas, sendo apontado pela crítica como uma das melhores atuações de um músico em um filme.

Mick trabalhou também com Jean-Luc Godard e Werner Herzog. Com o primeiro, no documentário “Sympathy for the Devil”. Godard estava no auge de seu prestígio de contracultura quando, depois que John Lennon não topou interpretar Leon Trotsky, fez o seu primeiro filme em inglês com Jagger e os Stones. Ele documentou várias sessões de gravação em que o grupo trabalhou na primeira faixa do álbum “Beggars Banquet”. Os ensaios são intercalados com cenas em que Anne Wiazemsky, mulher de Godard, pinta slogans em superfícies como fachadas de bares a carros.

Com Herzog, trabalhou no delirante “Fitzcarraldo” (1982), mas sua participação acabou sendo cortada por dois motivos. Primeiro, o ator principal, Jason Robards, ficou doente. Depois, a retomada das filmagens na selva peruana, já com Klaus Kinski, coincidiu com uma turnê dos Stones. O diretor disse, na época, que o desfalque de Mick Jagger foi “uma das maiores perdas que já experimentei como diretor”. “Foi uma pena, mas uma boa experiência”, diz o cantor.

Desta vez, o diretor deu sorte e pegou Mick fora de compromissos com os Stones. Quando se conheceram em Londres para discutir o papel, Capotondi ficou impressionado com a humildade do astro. “Ele disse: ‘Olha, eu não faço isso há 20 anos. Posso estar enferrujado’”, lembra o italiano, que considera o personagem uma versão do diabo — um papel adequado para o compositor de “Sympathy For The Devil”. “Estava ao meu alcance fazer esse personagem. Eu achei que seria divertido. Não é muito tempo na tela, mas é ele quem define a ação”, diz Mick.

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