Miky Lee: quem é a mulher poderosa que move a indústria de entretenimento sul-coreana
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Miky Lee: quem é a mulher poderosa que move a indústria de entretenimento sul-coreana

O Oscar 2020 sempre será lembrado como o da cerimônia onde, pela primeira vez, uma produção estrangeira ganhou como melhor filme - além de melhor filme estrangeiro, melhor original e diretor. "Parasita", aliás, igualou o recorde de Walt Disney em 1954, com uma só pessoa levando quatro estatuetas numa só noite - no caso, Bong Joon Ho. Por trás da trajetória vencedora do filme, que inclui ter sido também o primeiro filme sul-coreano a receber a Palma de Ouro em Cannes e o primeiro estrangeiro a ganhar o SAG Awards, há um forte trabalho liderado por Miky Lee, a herdeira da Samsung que se tornou uma magnata da mídia cujo império de entretenimento de US $ 4,1 bilhões está ligado a grande parte da produção cultural do país, desde programas de TV até concertos de grupos de K-pop ao redor do mundo.

Como vice-presidente do conglomerado coreano CJ Group, Miky, 61 anos, supervisiona seu amplo negócio de entretenimento e mídia. É praticamente impossível não encontrar alguma ligação nas cadeias da indústria cinematográfica, televisiva e musical em que a CJ não tenha alguma participação em produção, financiamento, licenciamento, distribuição e até exibição.

Miky Lee, ao lado do produtor executivo Min Heoi Heo, recebendo o Oscar de melhor filme na cerimônia que aconteceu nesse domingo (9/2). Foto: Getty Images
Miky Lee, ao lado do produtor executivo Min Heoi Heo, recebendo o Oscar de melhor filme na cerimônia que aconteceu nesse domingo (9/2). Foto: Getty Images

A CJ funciona como um organismo vivo, em permanente mutação. Em 2010, a CJ Media, a CJ Entertainment, a Mnet media, a On-Media e a CJ Internet se fundiram para formar a O Media Holdings, que se tornou CJ E&M em março de 2011. Desde então, foi primordial em sua contribuição à cultura pop coreana, como o surgimento do "Korean Wave", fenômeno da difusão da cultura coreana através de programas de TV de sucesso, como "Superstar K", "Respond 1997" e filmes como "Masquerade" e o trabalho frente à Stone Music, a principal gravadora e atualmente uma das maiores empresas de co-distribuição musical no país. Em julho de 2018, a CJ E&M e a CJ O Shopping fundiram-se na CJ ENM (CJ Entertainment and Merchandising).

A CJ ENM, por sua vez, fez uma parceria em 2019 com a Big Hit Entertainment, representante de artistas como o BTS e Tomorrow X Together, para criar a Belift Lab. Um dos primeiros projetos é o lançamento de uma nova boyband e outros grupos de gravadoras. No site já é possível se inscrever para a Belift Global Audition, que começa a rodar o mundo em março à procura de membros para um grupo que vai estrear ainda este ano.

 Big Hit Entertainment, representante do BTS, se uniu à CJ ENM para criar novas bandas e gravadoras de K-pop. Foto: Getty Images
Big Hit Entertainment, representante do BTS, se uniu à CJ ENM para criar novas bandas e gravadoras de K-pop. Foto: Getty Images

O trabalho de Miky criou infraestrutura para as indústrias de entretenimento da Coreia do Sul como um todo, fornecendo uma base para os artistas locais se desenvolverem e ganharem o mundo. É fácil, por exemplo, traçar uma linha direta entre o investimento da CJ na indústria cinematográfica local e a ascensão de cineastas como Bong, o que significa que, sem o apoio de Lee, "Parasita" poderia nunca ter sido feito. "A vice-presidente Lee é uma grande fã de cinema, TV e música. Ela é uma verdadeira cinéfila e conseguiu trazer essa paixão fanática para o mundo dos negócios", diz Bong ao "Hollywood Reporter". A CJ financiou e distribuiu ainda seus longas "Memories of Murder", "Mother — A Busca Pela Verdade" e "Expresso do Amanhã".

Bong Joon Ho, diretor de "Parasita" as quatro estatuetas do Oscar. Foto: Getty Images
Bong Joon Ho, diretor de "Parasita" as quatro estatuetas do Oscar. Foto: Getty Images

"Eu costumava carregar DVDs e frequentar a Warner, Universal, Fox. Apresentava filmes coreanos para todo mundo. Ninguém achava que eram bons o suficiente para fazer alguma coisa", diz Miky sobre anos antes de acontecer uma virada no cinema sulcoreano: "Oldboy", de Park Chan-wook, que participou de Cannes em 2004 e impactou plateias mundo afora. "A partir de então, eu não precisava mais entrar em longas justificativas", diz, satisfeita.

A CJ foi fundada em 1953 pelo avô de Miky, Lee Byung-chul, como uma divisão de fabricação de açúcar e farinha de sua empresa comercial em expansão, a Samsung. Nos 40 anos seguintes, a CJ expandiu seus negócios para biotecnologia e produtos farmacêuticos, mas ainda sem nada a ver com a mídia.

Miky estudou língua e linguística em universidades da Coreia, Taiwan e Japão, é fluente em coreano, inglês, mandarim e japonês, e freqüentou Harvard para o seu mestrado em estudos asiáticos. Em 1994, ela trabalhava numa divisão de novos negócios da Samsung quando recebeu uma proposta de investimento: um projeto de estúdio de Steven Spielberg, David Geffen e Jeffrey Katzenberg. Ela levou a proposta da DreamWorks a seu tio, o presidente do Samsung Group, Lee Kun-hee, que ficou intrigado, afinal, a Sony estava comprando a Columbia Pictures, e a Matsushita vendendo uma parte da MCA/Universal.

Miky e Jeffrey Katzenberg, da Dreamworks, no CinemaCon 2011, em Las Vegas. Foto: Getty Images
Miky e Jeffrey Katzenberg, da Dreamworks, no CinemaCon 2011, em Las Vegas. Foto: Getty Images

Esse acordo nunca se concretizou, mas em 1995 surgiu finalmente um novo caminho: a CJ investia US $ 300 milhões para ajudar no lançamento da DreamWorks, com 10,8% de participação e direitos de distribuição de seus filmes na Ásia — excluindo o Japão. "Há duas pessoas indispensáveis na DreamWorks: Paul Allen [o primeiro investidor, com US$ 500 milhões] e Miky Lee", diz Katzenberg, diretor executivo da Dreamworks.

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