Millie Small, do hit 'My Boy Lollipop': a incrível história da garotinha jamaicana que, bem antes de Bob Marley, desbancou os Beatles
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Millie Small, do hit 'My Boy Lollipop': a incrível história da garotinha jamaicana que, bem antes de Bob Marley, desbancou os Beatles

Bem antes de Bob Marley, a lenda do reggae, Millie Small, uma garotinha nascida em Claredon, na ilha caribenha, viveu um sonho aparentemente impossível para quem era a caçula de 12 filhos de um plantador de cana. A cantora, que morreu de derrame aos 73 anos, na terça-feira (5/5) alcançou o topo das paradas da Inglaterra e Estados Unidos nos anos 1960, suplantando os Beatles, quando tinha apenas 17 anos.

Millie Small é a intérprete de "My Boy Lollipop", música lançada em 1964 que virou sucesso imediato. "Eu diria que ela é a pessoa que divulgou o ska internacionalmente porque foi seu primeiro disco de sucesso", afirma Chris Blackwell, fundador da Island Records (cuja história contamos aqui) e responsável por seu estrelato.

A cantora, que sofreu um derrame e morreu na terça-feira (5/5), ficou famosa pela música que é considerada a primeira faixa internacional de ska de sucesso comercial (rendeu até esta incrível versão na voz de Wanderlea, "Meu Bem Lollipop"). Sua carreira foi curta, porém intensa. Ela lançou apenas três álbuns —"My Boy Lollipop", "Sings Fats Domino" (1965) e "Time Will Tell" (1970), de capa bizarra (abaixo). O último foi gravado na lendária gravadora de reggae Trojan Records. Logo depois da divulgação do single "Mayfair", uma inesperada cover do trovador folk Nick Drake (1948-1974) que viria a ser cultuado post mortem. Motivo da ligação: o produtor do disco de Millie, Robert Kirby (1948-2009), era o arranjador dos discos de Nick. Depois, a jamaicana se afastou da carreira. "Era o fim do sonho e parecia o momento certo", disse na época.

"Uma nova e dinâmica sensação de canto da terra do sol e do calipso, que caiu nas paradas do mundo com sua voz borbulhante e efervescente em 'My Boy Lollipop'. Na Grã-Bretanha, a bonita adolescente com rosto de duende sacudiu os fãs dos Beatles em uma nova ska-mania". O texto descrevendo Millie, de uma edição da "Teen Ville Magazine" de 1964, dá uma noção da sacudida que a jovem jamaicana deu no mercado musical europeu.

Millie começou na carreira aos 12 anos, quando venceu um concurso de talentos em Kingston, na Jamaica. "Quando ganhei o prêmio (US$ 50), parecia uma fortuna. Eu me senti a garota mais rica do mundo. No ano seguinte, quando fiz meu primeiro disco aos 13 anos, me deu um maravilhoso sentimento de confiança", disse em entrevista à revista.

Capa do último álbum lançado por Millie Small. Foto: Reprodução
Capa do último álbum lançado por Millie Small. Foto: Reprodução

A família, que achava que a vontade de ser artista era delírio infantil, começou a levar a sério quando o disco chegou ao topo das paradas jamaicanas em 1961. Três anos e vários sucessos depois, pode-se dizer que Millie era uma estrela no país. Enquanto isso, em Londres, Chris Blackwell, então produtor e distribuidor, tentava promover o ska, que ele chamou de Blue Beat. Nada aconteceu até ele encontrar Millie e conseguir levá-la em 1963 para a Europa.

Depois de seis meses de aulas de canto e dança, ela assinou contrato com Fontana Records para o primeiro disco, que não chegou a acontecer. Mas o próximo álbum foi o histórico "My Boy Lollipop", que fez os críticos a apontarem como a maior sensação desde os Beatles. Deslumbrada, ela dizia que ir para a Grã-Bretanha tinha sido a coisa mais emocionante que já fez. "Eu sempre sonhei em ter dinheiro suficiente para comprar uma casa grande para minha família. Adoro minhas novas meias de seda e todas as roupas bonitas que tenho agora. Na Jamaica não tem nada parecido com elas", contou.

Millie Small em maio de 1964 com seu disco de prata pela venda de 250 mil cópias de "My Boy Lollipop". Foto: Getty Images
Millie Small em maio de 1964 com seu disco de prata pela venda de 250 mil cópias de "My Boy Lollipop". Foto: Getty Images

Com o sucesso, Chris vislumbrou que a menina poderia chegar ao topo também nos Estados Unidos. E ele estava certo: "My Boy Lollipop" vendeu mais de meio milhão de discos com cinco semanas de lançamento. Enquanto isso, ela já estava com um segundo single de sucesso, "Sweet William" - os sucessos seguintes seriam "Bloodshot Eyes" e "Oh Henry". “Ela tornou-se um sucesso em praticamente todo o mundo. Todos queriam que ela aparecesse e fizesse programas de TV e coisas assim, e era simplesmente incrível como ela lidava com isso. Ela era uma pessoa tão doce, muito engraçada, tinha um ótimo senso de humor. Ela era realmente especial", lembra o produtor.

Millie também fez sucesso em programas de TV, como "The Rise and Fall of Nellie Brown" em 1964, além de aparecer várias vezes em "Juke Box Jury" e "Ready Steady Go".

Depois de se afastar da carreira, ela morou em Cingapura entre 1971 e 1973 antes de retornar a Londres, onde se concentrou em escrever, pintar e criar sua filha Jaelee, que é cantora (um pouco do trabalho dela aqui).

Millie Small em 1987, já afastada da carreira musical. Foto: Getty Images
Millie Small em 1987, já afastada da carreira musical. Foto: Getty Images

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