Mon Laferte: conheça a cantora chilena que protestou contra o autoritarismo em seu país durante o Grammy Latino
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Mon Laferte: conheça a cantora chilena que protestou contra o autoritarismo em seu país durante o Grammy Latino

Há um mês, o Chile é palco de truculências policiais contra manifestantes que reivindicam, entre tantas coisas — como a diminuição do valor da passagem dos transportes públicos —, uma nova constituição, que substitua a mais recente, escrita em 1980, durante o ditadura de Augusto Pinochet (1915-2006).

Quem embarcou nos protestos recentemente foi a cantora chilena, radicada no México, Mon Laferte. Ela apareceu no tapete vermelho do Grammy Latino, que aconteceu na quinta-feira (20), com a frase "No Chile, torturam, violam e matam" escrita no colo e usando um lenço verde no pescoço, símbolo da luta argentina pela legalização do aborto no país.

Muita gente acabou conhecendo Mon Laferte assim, mas, na verdade, a cantora de 36 anos é a artista chilena mais ouvida no Spotify na atualidade. Ela também é a vencedora mais recente do Grammy Latino na categoria álbum de música alternativa, por seu disco "Norma" (2018).

Em seu discurso de aceitação do prêmio, a artista pediu justiça para seu país, e fez reivindicações pela luta dos jovens no Chile. "Esse prêmio é para o Chile", disse Mon Laferte no palco do MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas. "E quero ler uma estrofe que uma companheira, a cantora chilena La Chinganera, me pediu, em decorrência do que está acontecendo no meu país, o Chile:

Chile, você me machucou por dentro,

me sangra por todas as veias,

me pesa cada corrente que te aprisiona até o centro.

Chile afora,

Chile adentro.

Chile ao som da injustiça,

da bota da milícia,

da bala que não escuta.

Não vão parar nossa luta,

até que seja feita justiça."

Mon Laferte, também conhecida como Norma Monserrat Bustamante Laferte, nasceu em Vinã del Mar, durante a ditadura chilena. Em entrevista à "BBC", ela contou que teve uma infância muito pobre. A casa de sua família, em um conjunto habitacional popular, por um bom tempo não tinha piso, nem portas. "Às vezes, nosso dinheiro não durava até a metade do mês", revelou ela, filha de um carpinteiro e de uma dona de casa.

Aos 13 anos, quando o pai saiu de casa, a situação da família de Mon Laferte piorou ainda mais. Sendo assim, ela precisou trabalhar, e seu primeiro emprego foi como cantora. "A música me salvou", contou. Agora, ela acha fundamental que a música esteja envolvida nas ações políticas populares: "Toda a sociedade está furiosa com a desigualdade no país".

'No Chile, torturam, violam e matam', denunciou a cantora chilena Mon Laferte no tapete vermelho do Grammy Latino/Getty Images
'No Chile, torturam, violam e matam', denunciou a cantora chilena Mon Laferte no tapete vermelho do Grammy Latino/Getty Images

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