Morna, gênero musical cabo-verdiano, será Patrimônio Imaterial da Humanidade
Entretenimento

Morna, gênero musical cabo-verdiano, será Patrimônio Imaterial da Humanidade

A morna, gênero musical e de dança criado e nascido em Cabo Verde, passará a ser considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade, segundo informou o ministro da cultura do país, Abraão Vicente. A decisão da UNESCO, órgão associado à ONU, será ratificada em dezembro, num evento sediado entre os dias 8 e 14, em Bogotá, na Colômbia.

Na noite desta quinta-feira (7), o ministro fez um pronunciamento em sua página do Facebook. "Caros cabo-verdianos, tenho a sorte, a honra e o privilégio de vos comunicar que hoje o comitê técnico dos peritos da UNESCO aprovou o dossiê da morna como Patrimônio da Humanidade", escreveu ele. "A decisão será ratificada em dezembro, mas a nação já pode celebrar: a morna já é Patrimônio da Humanidade."

Em 2012, após a morte de Cesária Évora (1941-2011), principal expoente da morna e personalidade mais célebre de Cabo Verde, o governo do país aprovou uma resolução que classificou o gênero como Patrimônio Histórico e Cultural Nacional. Este, portanto, foi o primeiro passo dado em direção à classificação da UNESCO.

Em março do ano passado, autoridades de Cabo Verde apresentaram a candidatura da morna a Patrimônio Imaterial da Humanidade. Todo o processo de elaboração da candidatura contou com a participação do antropólogo Paulo Lima, especialista em língua portuguesa.

A morna é um gênero musical tradicional de Cabo Verde, tocado com instrumentos acústicos. Esse aspecto reflete a realidade do país insular, que permaneceu como colônia de Portugal de 1462 até 1975, quando tornaram-se independentes. Além de Cesária Évora, nomes como Fernando Quejas, Bana, Ildo Lobo, Maria Alice, Celina Pereira, Lucibela e Cremilda Medina se destacaram em grandes gravações da morna. O gênero também foi explorado como música instrumental, nas mãos de talentos como o pianista Chico Serra.

Ao jornal "Público", a cantora e compositora cabo-verdiana Teté Alhinho fez considerações de uma nativa sobre a morna.

"É uma das nossas expressões identitárias mais fortes. Não há nenhum cabo-verdiano que fique indiferente a uma morna, porque o cabo-verdiano verteu nela a nostalgia, a saudade da terra, o passar mal, as dores amorosas, as perdas. A temática da morna está relacionada com a dor, embora hoje já mude um bocadinho. E foi através da morna, com a Cesária, que Cabo Verde se deu a conhecer ao mundo, com 'Sodade', que é uma morna rápida", explicou ela. "É um fator identitário de comunhão entre todos os cabo-verdianos e é algo que nunca vai morrer, que vai existir sempre. Se analisarmos as mornas, podemos ver através delas a história de Cabo Verde."

Tags relacionadas:
Entretenimento

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest