Tipo Importação: conheça o rock da Coreia do Sul
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Tipo Importação: conheça o rock da Coreia do Sul

O rock entrou na Coreia do Sul pela porta da guerra: os soldados norte-americanos que ficaram por alguns anos nas bases militares dos EUA naquele país depois do fim da Guerra da Coreia, em 1953, deram um jeito de levar fitas K-7 de música fresquinha para lhes fazer companhia. Aos poucos, foram ganhando a amizade dos civis locais, que passaram a conhecer o trabalho de artistas como Chuck Berry, Little Richard e, claro, Elvis Presley.

Não demorou muito para os sul-coreanos arriscarem seus acordes de guitarra e surgirem os primeiros roqueiros do país. Em 1957, Shin Jung Hyun fez sua estreia no palco de uma base militar norte-americana e imediatamente ganhou o título de “padrinho do rock”. Na sua cola veio a girl band Kim Sisters, que logo tratou de se mudar para os EUA e fazer carreira por lá – elas se apresentaram mais de 20 vezes no “Ed Sullivan Show”, sinal de que o plano deu certo.

Ao longo dos anos 1960 surgiram as primeiras bandas de rock sul-coreano, que no país passaram a ser chamadas de “Group Sound”. A primeirona foi a Add4, formada pelo próprio Shin Jung Hyun, e depois dela vieram HE6, K’okkiri Brothers e a que se deu melhor entre elas, Key Boys, do hit “Let’s Go to the Beach”.

Rock censurado na Coreia do Sul

Havia um problema, porém: o governo ditatorial da Coreia do Sul já via a influência do rock na cultura local com maus olhos. Quando a cultura hippie explodiu, nos anos 1970, foi a gota d’água: o general Park Chung-hee, presidente do país desde 1963 decidiu censurar toda música que não fosse original sul-coreana. Shin Jung Hyun foi preso sob a acusação de ser usuário de drogas e outros músicos precisaram fugir do país.

O rock sul-coreano deixou de ser produzido e só tinha acesso a algum rock estrangeiro quem viajava e conseguia entrar no país com fitas e discos escondidos (o que era extremamente arriscado).

E assim a década de 1970 passou na Coreia do Sul: sem rock. A situação só começou a mudar em outubro de 1979, quando Chung-hee deixou o poder.

A volta do rock sul-coreano nos anos 1980: agora com mais peso

Claro que, depois de tanto tempo distante, o gosto musical das pessoas havia se desviado do rock. Coube aos músicos de Group Sound voltar à ativa, o que animou um pessoal mais jovem. Os festivais universitários de rock começaram a pipocar pela Coreia do Sul e, talvez por causa da década de repressão, o som que caiu no gosto do público foi o rock pesado – farofa ou próximo do heavy metal, o importante era ser pesado.

As maiores bandas desta fase são Boohwal (mais romântica, algo próximo de um Skid Row sul-coreano), Baekdoosan e Sinawe (estas preferiram ir para o heavy metal mesmo), que ganharam o apelido coletivo de Big3. Todas continuam na ativa.

E, quando o assunto é rock, os estilos mais pesados são realmente os que venceram na Coreia do Sul. Até hoje, as bandas mais populares por lá são as que investem em guitarras e baterias nervosas e muito barulho.

Nos anos 1990 duas bandas de punk conquistaram um público imenso: Crying Nut e No Brain. Confira o som delas:

Outras bandas de punk que surgiram ali no finalzinho dos anos 1990 são Rux e The Geeks. As duas fazem muito sucesso até hoje.

Saindo um pouco desse peso todo, no começo dos anos 2010 surgiu um movimento de ska-rock na Coreia do Sul. Os caras da Skasucks foram os responsáveis por isso.

Entre o heavy metal, o punk e o engatinhante ska, o rock sul-coreano vai bem: o país abriga vários festivais de rock que não apenas dão espaço para o trabalho local como também levam aos seus palcos bandas internacionais que fazem muito sucesso no país, como Nine Inch Nails e Snow Patrol. Há espaço e salvação para quem não curte K-Pop.

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da Coreia do Sul

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