Músicas familiares podem ser um caminho para tratar pessoas com Alzheimer
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Músicas familiares podem ser um caminho para tratar pessoas com Alzheimer

O que acontece quando ouvimos nossa música favorita? Ficamos empolgados, queremos cantar junto e parece que aquele momento é só nosso. Uma euforia toma conta do nosso corpo e tudo o que pensamos é em desfrutar daqueles três ou quatro minutos com toda alegria possível. De acordo com uma recente pesquisa americana, o efeito pode ser sentido, de certa forma, também por pacientes com Alzheimer. A descoberta, embora ainda em processos iniciais de pesquisa, pode ajudar a aliviar sintomas de ansiedade em pacientes com demência.

"As pessoas com demência são confrontadas por um mundo que não é familiar a eles, o que provoca desorientação e ansiedade", afirma Jeff Anderson, professor associado de Radiologia da Universidade de Saúde de Utah, nos Estados Unidos, e coautor do estudo. "Acreditamos que a música toca na rede do cérebro que ainda está relativamente funcionando", completa.

Durante três semanas, os pesquisadores realizaram experimentos com dezessete pacientes diagnosticados com a doença. Eles selecionaram músicas que tivessem algum significado para cada enfermo e treinaram tanto eles quanto os cuidadores para usarem um player portátil com as músicas escolhidas. Usando um equipamento para ressonância magnética, os pesquisadores puderam ver as regiões do cérebro que se iluminaram ao serem estimulados por trechos de 20 segundos das melodias selecionadas.

Os resultados ofereceram uma nova maneira de abordar ansiedade, depressão e agitação em pacientes com demência. Os pesquisadores descobriram que as músicas com significado para o paciente ativam o cérebro de forma a permitir que regiões inteiras do órgão passem a se comunicar. Ao ouvir a trilha sonora pessoal, diversas redes do cérebro - incluindo a do cerebelo, responsável por, entre outras atividades, a nossa aprendizagem motora - apresentaram conectividade funcional significativamente maior, de acordo com os resultados do estudo.

"Esta é uma evidência objetiva que mostra que músicas com significado são uma rota alternativa para se comunicar com pacientes que têm Alzheimer”, afirmou Norman Foster, diretor do diretor do Centro de Cuidado para o Alzheimer da Universidade de Utah e um dos autores do artigo.

Trabalhos anteriores já haviam demonstrado os efeitos de um programa personalizado de música no humor de pacientes com demência. De acordo com os pesquisadores, o novo estudo se propôs a examinar um mecanismo que ativa a rede de atenção na região de relevância do cérebro.

"Quando você coloca fones de ouvido em pacientes com demência e toca músicas que lhe sejam familiares, eles revivem", disse Jace King, estudante de graduação e um dos autores do estudo. "A música é como uma âncora, aterrando o paciente de volta à realidade", afirmou.

Ainda não está claro para os cientistas se os efeitos identificados neste estudo persistem além de um breve período de estimulação ou se outras áreas da memória ou do humor também apresentam mudanças na ativação neural e conectividade a longo prazo.

"Ninguém diz que a reprodução de músicas vai ser uma cura para a doença de Alzheimer, mas pode tornar os sintomas mais controláveis, diminuir o custo do cuidado e melhorar a qualidade de vida de um paciente”, completou Anderson.

O estudo foi publicado no “Jornal de Prevenção da Doença de Alzheimer”.

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