Músicos transgênero e suas histórias de liberdade
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Músicos transgênero e suas histórias de liberdade

A música é um ambiente plural de sons, cores, sensações, instrumentos e de pessoas, que tornam possível um conjunto de notas completar um acorde e se tornar uma canção. Reunimos alguns artistas que, na busca por essa pluralidade, levam em suas músicas histórias de liberdade e diversidade. Artistas transgênero e transexuais que encontraram em suas letras e melodias o ambiente seguro para demonstrar quem realmente são.

A lista passa por muitos gêneros musicais e nacionalidades. Veja as cores do arco-íris que passam pela letra T da sigla LGBT:

Gavin Russom, do LCD Soundsystem

Em 2017, a integrante do LCD Soundsystem se revelou como mulher transgênero. A notícia foi publicada em duas entrevistas concedidas pela artista ao "Grindr" e ao "Pitchfork". "Tentei dizer que era transgênero antes mesmo dessa palavra existir", revelou a artista à época. Atualmente, Gavin está com 44 anos, segue sua carreira ao lado do LCD Soundsystem, e também toca um projeto solo, usando o codinome Black Meteoric Star para assinar suas músicas.

Laura Jane Grace, do Against Me!

Laura Jane Grace vive como mulher transgênero desde 2012 e decidiu comunicar ao mundo, inclusive aos próprios integrantes de seu grupo, sobre a transição através de uma entrevista concedida à “Rolling Stone”. Após dois anos, ela escolheu cantar, junto a seus parceiros de banda, sobre sua experiência no disco temático “Transgender Dysphoria Blues”. Seu livro biográfico “Tranny”, recém-chegado no Brasil, também aborda o assunto.

Anohni

A cantora britânica, anteriormente chamada Antony Hegarty, ex-líder da banda Antony and the Johnsons, tornou pública sua transgeneridade em 2015. Seu primeiro trabalho com o novo nome foi “Hopelessness”, de 2016, e traz Anohni na capa, fotografada por Inez & Vinoodh. A imagem, em sobreposição, sugere a metamorfose passada pela artista. No mesmo ano em que lançou seu disco pós-transição, Anohni foi indicada ao Oscar pela música "Manta Ray", do filme "A Corrida Contra a Extinção", de 2015. Por isso, ela se tornou a primeira pessoa transgênero a competir em uma categoria do prêmio

Lucas Silveira, do Cliks

Conhecido como o frontman da banda canadense The Cliks, o cantor é considerado o primeiro homem transgênero a assinar com uma gravadora de grande influência — no caso, a Tommy Boy Records, responsável por divulgar artistas do hip-hop como Afrika Bambaataa, De La Soul, Gucci Mane, Queen Latifah e o próprio ícone gay Ru Paul, nos EUA, e a Warner Music, no Canadá. O primeiro disco do Cliks foi “Snakehouse”, de 2007. Pouco antes de entrar no estúdio com sua banda, o músico havia terminado um relacionamento de seis anos, perdido um amigo para o câncer, seu pai sofreu um AVC e sua avó faleceu. Nessa mesma época, ele começou a realizar sua transição de gênero.

Peppermint, ex-'RuPaul's Drag Race'

A ex-participante da nona temporada de “RuPaul’s Drag Race”, e finalista ao lado de Sasha Velour, foi a segunda mulher transgênero a participar do famoso reality da drag queen Ru Paul — que já precisou pedir desculpas publicamente por dizer, em certa ocasião, que não deixaria mulheres trans participarem de sua atração na TV. Antes dela, também esteve no programa a artista trans Monica Beverly Hillz, da quinta temporada. Outros nomes de “RPDR” também são conhecidos pela transição de gênero — Carmen Carrera, Sonique, Jiggly Caliente e Gia Gunn. Essas participantes, no entanto, só assumiram a nova identidade após deixarem o reality.

Raquel Virgínia e Assucena Assucena, das Bahias e a Cozinha Mineira

Tanto Assucena, quanto Raquel estudaram na Faculdade de História da USP, onde se conheceram e formaram, junto ao mineiro Rafael Acerbi, o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira. Raquel, paulistana, e Assucena, baiana, foram apelidadas de “Bahia” enquanto estudantes universitárias. Daí, nasceu o nome da banda. O grupo foi criado em 2011 e lançou dois discos: “Mulher”, de 2015, e “Bixa”, de 2017. Mesmo vivendo no país que mais mata LGBTIs no mundo, segundo dados da ONG Transgender Europe, as cantoras e sua banda representam o que há de melhor na renovação da música popular brasileira, ao trazer letras sobre inclusão, diversidade, sexualidade e quebra de preconceitos.

Liniker

Com apenas 21 anos, e três vídeos estourados de visualizações no YouTube, a cantora Liniker arrebatou corações de fãs apaixonados por sua voz e letras de amor — tudo isso enquanto era assumidamente uma mulher transgênero. Agora, com 23 anos, e um álbum lançado junto a seus Caramelows, o “Remonta”, de 2016, a jovem artista se firma como um nome destaque na cena musical brasileira, e representa o país mundo afora, tendo cantado em festivais celebrados como o South by Southwest, Primavera Sound e as edições brasileiras do Lollapalooza e Rock in Rio.

Candy Mel, da Banda Uó

A cantora transgênero anunciou em maio de 2018 que finalmente conseguiu realizar o processo de retificação de nome em sua certidão de nascimento oficial. Outra grande vitória alcançada pela artista foi a de ser a primeira mulher trans a estrelar uma campanha da Avon sobre o Outubro Rosa — mês de conscientização em torno do câncer de mama. Atualmente, Mel está separada da Banda Uó e investe em sua carreira solo.

Mc Trans

Autora de “Lacração”, Mc Trans, de 30 anos, é um dos nomes mais bombados da comunidade transgênero no funk — junto a ela, pode-se considerar também fortes expoentes desse movimento Mulher Pepita e Linn da Quebrada. Conhecida como Victoria Monforte, a artista concedeu uma entrevista reveladora ao site “Universa”, na qual fala sobre as dificuldades de conseguir seu espaço em um gênero tão popular, mas também tão machista. Ela conta que, mesmo após o sucesso como funkeira, continua a realizar programas para se manter. De trajetória triste, Victoria sabe que já conseguiu muito desde que foi expulsa de casa, aos 17 anos, por assumir sua identidade de gênero. Hoje, ela vive na comunidade paulistana de Paraisópolis e continua a levar o apelo da comunidade transgênero até o ambiente dos bailes funk. Das lutas que valem a pena, ela sabe que a maior de todas é não deixar que nada cale sua voz.

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