Na quarentena, Dave Grohl conta história hilária de quando quase destruiu um bairro inteiro ao estourar fogos de artifício
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Na quarentena, Dave Grohl conta história hilária de quando quase destruiu um bairro inteiro ao estourar fogos de artifício

Dave Grohl encontrou uma forma divertida de passar o tempo enquanto fica em casa durante a quarentena por conta da pandemia do coronavírus. O astro do rock e líder dos Foo Fighters decidiu criar uma conta no Instagram@davestruestories — para compartilhar histórias engraçadas e inacreditáveis sobre sua vida. O primeiro capítulo das aventuras de Dave é um relato de quando o cantor voltou a morar em sua cidade natal, no estado americano de Virgínia, por volta de 1998 — logo, depois de lançar os dois primeiros álbuns dos Foo Fighters. No retorno ao seu antigo bairro, o ex-baterista do Nirvana quase destruiu o bairro onde sua mãe, Virginia Grohl, morava ao acender fogos de artifício.

Na quarta-feira, 25, Dave publicou pela primeira vez na nova conta do Instagram sobre o projeto. “Oi, meu nome é Dave. Às vezes eu toco bateria, às vezes eu toco guitarra, às vezes eu conto histórias”, dizia o texto assinado pelo astro. “Neste momento, eu estou procurando o que fazer, então eu achei que escrever histórias reais que fariam as pessoas sorrirem me ajudaria a passar o tempo. Eu também não consigo ficar parado sem fazer nada”, brincou.

Dave Grohl e sua mãe, Virginia Grohl, em 2017 / Foto: Getty Images
Dave Grohl e sua mãe, Virginia Grohl, em 2017 / Foto: Getty Images

“Estou ansioso para compartilhar os momentos mais absurdos da minha vida com vocês. Fiquem ligados e lavem a porra das mãos”, escreveu.

Leia o relato de Dave Grohl sobre o dia em que ele quase causou um acidente grave no bairro em que sua mãe morava:

“Era um período de transição para mim. Eu tinha acabado de voltar da costa oeste, onde eu vivi por quase uma década. Eu encontrei um lugar legal na região de Old Town, em Alexandria, na Virgínia, e decidi construir um estúdio no porão”, conta Dave. “Vocês precisam saber uma coisa. Eu era um viciado em fogos de artifício naquela época. Em todos os tipos deles”, conta.

A banda tinha recentemente encerrado um contrato e decidiu que o terceiro álbum do grupo — que viria a ser o “There Is Nothing Left to Lose” — seria feito do jeito que eles quisessem, sem interferências externas os demandas da indústria. “O plano era simples: encontrar uma casa, montar um estúdio no porão com isolamento acústico e depois fazer um álbum de rock majestoso naquele lugar. Voilá! Simples, não é?", ironizou Dave Grohl. A casa em questão é aquela que ficou conhecida como Studio 606.

O primeiro passo para criar esse estúdio mágico — e simples — era encontrar uma boa mesa de som. Como Dave conta, isso seria “o coração, a alma, o altar e o útero” do álbum. “Encontrar a mesa de som perfeita era fundamental no nosso plano de conquistar o mundo em 20 anos. Só que o mais importante de tudo era que a mesa teria que passar pela porta do porão”, brincou.

Com a ajuda de dois amigos, Dave e companhia encontraram uma boa mesa de som à venda em Nashville, no Tennessee. O equipamento tinha tudo que os músicos desejavam. “Nós optamos por ele por conta dos tons bem definidos. Era perfeito para uma banda de garagem em um estúdio no porão.”

Com a proximidade do término das obras do estúdio, a banda começou a pensar na logística para levar a mesa de som de Nashville para Alexandria. “Você imagina que isso envolveria um grupo de cientistas e profissionais que colocariam a mesa meticulosamente dentro de um carro adequado para o transporte até o destino final, certo? Não. Foi apenas eu e Jimmy Swanson em um pequeno caminhão”, diz Dave. Seu companheiro de estrada era seu melhor amigo de infância. Em 2008, Jimmy morreu em decorrência de uma overdose.

Jimmy Swanson, amigo de infância de Dave Grohl, e o astro / Foto: Reprodução
Jimmy Swanson, amigo de infância de Dave Grohl, e o astro / Foto: Reprodução

“Jimmy e eu não éramos estranhos a uma boa viagem na estrada. Nós éramos inseparáveis desde os 10 anos. De viagens na adolescência até Ocean City até a Califórnia juntos pela primeira vez com o Scream em 1987. A gente já tinha dividido muitos quilômetros juntos. As turnês do Nirvana, as turnês dos Foo Fighters... Ele era o cara com quem eu dividia a casa em que a gente estava construindo o estúdio. Aquela era apenas mais uma aventura na nossa longa lista de ‘coisas que quem não terminou o ensino médio faz para evitar trabalhar em uma rede de fast food’.”

“A primavera no sul é linda de fuder. Experimente algum dia. Tudo volta à vida em um florescer exuberante e verde. Você pode usar sua camisa favorita do Slayer de novo. As janelas do caminhão abertas e você consegue cheirar o churrasco sendo feito ao longe. É um renascimento do interior. E para Jimmy e eu ver o mundo florescer do pára-brisa daquele caminhão foi o mais perto de Dorothy pousando em Oz que nós conseguiríamos chegar sem um punhado de cogumelos. Lindo. A cena era um pouco menos de Thoreau, um pouco mais de “Débi & Lóide”, mas lindo mesmo assim.”

No meio do caminho até Nashville, um outdoor na estrada chamou a atenção de Dave: “Supermercado de fogos de artifício”. “Você pode imaginar isso? Corredores e mais corredores de foguetes cascata, girândolas, canhão. Um jardim do Éden de pólvora! Não havia a possibilidade de eu deixar passar essa meca de fumaça e chamas”, escreveu Grohl.

A parada no mercado ficou para a viagem de volta. Ao chegarem em Nashville, Dave e Jimmy ainda precisavam colocar uma mesa de som no pequeno caminhão que dirigiam. “Eu nunca pari uma criança, mas tirar aquele equipamento de gravação monolítico daquela sala no subsolo não era nada diferente do que entregar um bebê de uma tonelada através de um orifício muito pequeno. Os grunhidos e gritos de dez homens adultos se contorcendo e lutando com essa coisa para ela passar por uma janela, subir uns degraus, sair pela porta e entrar no caminhão teria feito qualquer obstetra corar.”

Mesa de som no carro, na volta para casa, Dave estava ansioso para chegar até o supermercado de fogos. Só a ideia de que a loja pudesse estar fechada deixava o músico aflito. Imagine dormir no carro para esperar o mercado abrir no dia seguinte? Era algo que ele estava disposto a fazer. Mas, por sorte, a loja estava aberta. E, providência divina ou não, Dave não lotou o compartimento de carga do caminhão de instrumentos pirotécnicos. “Eu cheguei a pensar em deixar a mesa de som no estacionamento do mercado para conseguir colocar tudo no caminhão. Mas, prioridades.”

Mesmo tendo comprado menos do que esperava comprar, Dave ainda tinha a preocupação de onde iria estourar todos aqueles fogos potentes que havia comprado. Alguns eram fortes demais para serem explodidos no jardim da casa de sua mãe — que odiava os foguetes. Fato é que Jimmy e Dave conseguiram retornar para casa e a caixa de foguetes foi colocada em um canto.

“Nós colocamos a mesa no porão e fizemos um álbum incrível. Tudo deu certo e escrevemos algumas de nossas melhores músicas, fizemos churrascos, tomamos cervejas geladas e levamos alguns Grammys no processo. Foi uma primavera inspiradora”, resumiu sobre o processo criativo de “There Is Nothing Left to Lose”.

No dia do feriado de quatro de julho de 1998, Dave resolveu escolher um dos foguetes guardados para a casa da mãe. “Para a sorte da minha mãe, eu decidi não levar a caixa inteira. Eu remexi entre os foguetes e escolhi aquele que parecia mais inofensivo. Parei em uma loja para comprar bebidas e algo para comer e segui para a casa da minha mãe.”

Dave Grohl e sua mãe, Virginia, durante participação no 'The Late Show with Stephen Colbert', de Stephen Colbert / Foto: Getty Images
Dave Grohl e sua mãe, Virginia, durante participação no 'The Late Show with Stephen Colbert', de Stephen Colbert / Foto: Getty Images

Dave conta que a casa da família foi comprada em 1974 por US$ 30 mil. A edificação, construída em 1958, foi onde o roqueiro passou a vida toda antes de se mudar para Seattle em 1990. Naquela época, em 1998, a família Grohl era uma das poucas da redondeza que já vivia ali há tantos anos. “Nós já não tínhamos contato com os vizinhos como tivemos lá atrás. Mas, naquele dia, eu olhei por cima da cerca e vi coolers, crianças pequenas brincando, pais usando shorts, avós... Era a nova geração da vizinhança que eu me lembrava da juventude. Eu chamei minha mãe e minha irmã e as convenci de que seria a oportunidade perfeita para conhecer os vizinhos de novo e mostrar para eles que nós não éramos astros satanistas do rock ou uma dona de casa cheia de gatos”, brinca Dave. Ele tinha certeza que essa era a visão dos vizinhos sobre ele e sua mãe, respectivamente.

Ao se aproximarem dos vizinhos, Dave percebeu que todos cochichavam. “Imagine a Família Addams aparecendo no piquenique da família do Billy Graham e você vai entender o que eu digo.”

Depois de cumprimentar a todos, o líder dos Foo Fighters decidiu conversar com um dos vizinhos, que parecia ser uma espécie de líder na comunidade. Papo vai, papo vem, Dave contou sobre o foguete que havia levado para a casa da mãe e perguntou se poderia acendê-lo. Com a resposta positiva, Dave se preparou para iluminar o céu com seu foguete. “O que aconteceu depois só pode ser descrito como o pior cenário possível (e isso é um eufemismo dos eufemismos). Tudo começou bem. Na verdade, melhor do que bem. Foi fenomenal. Duas enormes bolas de fogo do tamanho de cometas explodiram a uns 30 metros de altura pelo menos, com aquele barulho enorme e iluminando a rua como luzes estroboscópicas em um show do Nine Inch Nails. A multidão suspirava atrás de mim. Eu não podia acreditar que aquele negocinho pequeno do tamanho de uma lata de café tinha o mesmo poder de um USS Nimitz (porta-aviões nuclear dos EUA). Eu estava fora de mim.”

“Eu, tolinho, não estabilizei o foguete antes de acendê-lo, o que era aparentemente necessário. e ele tombou, caindo em direção à multidão, dando giros. Preciso dizer mais alguma coisa? Foram cadeiras de gramado voando. Avós correndo. Crianças gritando. Pais usando shorts desesperados pelos lados. O som ensurdecedor de mil explosões ao nosso redor. Pânico. Caos. Desordem. Anarquia. Terror. Tudo o que me lembro de ter visto na espessa nuvem de fumaça e luzes estroboscópicas foi a minha doce mãe correndo, tentando salvar a vida dela, e se escondendo atrás de uma árvore. Eu nunca tinha visto minha doce mãe correr pela vida dela para se esconder atrás de uma árvore antes”, lembra Dave.

“Foi tudo minha culpa. Meu sonho de ter uma vizinhança de novo foi destruído por um fogo de artifício estúpido. A palavra arrependimento nem começa a descrever o que eu senti naquele momento. Eu nunca quis tanto aquele carro de ‘De Volta Para o Futuro’. Mas eu tive que conviver com isso pelo resto da minha vida. Minha mãe, minha irmã e eu voltamos para a nossa pequena casa com o rabo entre as pernas. E voltamos a ser ‘o rockstar satânico’ e sua mãe ‘cheia dos gatos’.”

“Eu nunca mais encostei em fogos de artifício. Nunca mais parei na estrada para comprá-los. Mas eu ainda sinto falta do meu antigo bairro. Minha doce Virgínia, se um dia ela puder me perdoar…”, conclui Dave.

Em 2020, os Foo Fighters celebram 25 anos de estrada. A data seria comemorada com uma turnê especial por todas as cidades pelas quais a banda já passou nos EUA. A série de shows foi adiada por conta da pandemia.

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