Na Trilha do Leão:  A luz que nos indica o caminho
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Na Trilha do Leão: A luz que nos indica o caminho

Por Tom Leão

Na coluna passada, falei de “Yesterday”, o pequeno filme, dirigido por Danny Boyle (“Trainspotting”), que mostra o que acontece na vida de um jovem músico medíocre (e filho de imigrantes indianos), por apenas só ele lembrar das músicas dos Beatles, num mundo onde – por conta de um evento fantástico os Fab Four jamais existiram. Aproveitei o tema, e pensei num mundo sem David Bowie, que influenciou mais gente a formar banda do que os Sex Pistols. Até hoje, Bowie ainda influencia.

No momento, está em cartaz “A música da Minha Vida (“Blinded by the Light”), filme da diretora Gurinder Chadah, de “Driblando o destino/Bend it like Beckham”, 2002 (que revelou Keira Knightly como uma garota que enfrentava preconceito por gostar de jogar futebol, “coisa de homem”). O filme em questão, apresenta um jovem britânico, descendente de paquistaneses, que tem a vida completamente transformada, depois que descobre a obra do americano Bruce Springsteen. Só que, desta vez, a trama foi baseada em fatos reais.

Neste, a história não se passa nos dias atuais, como em “Yesterday”, mas no final dos anos 80. Mais precisamente em 1987, quando Javed (Viveik Kalra), jovem aspirante a jornalista, descobre nas letras do Boss (como Bruce é conhecido por seus fãs) a voz para suas angústias, o artista que lhe mostra a "luz". Quantas vezes isso não aconteceu em nossas vidas por conta de um disco ou artista?

Bem me lembro, quando ouvi o primeiro álbum do Clash (originalmente, de 1977, mas, aqui, chegava depois, peguei o bonde já andando), ali pelo meio de minha adolescência, e me transformei num jovem punk. Aquelas letras, aquelas músicas, aquele visual, tudo ali passava uma urgência incrível, nem precisava de tradução. A gente sentia, simplesmente.

Javed, que mora num bairro proleta, na cidade de Luton, onde não vê a menor esperança para seu futuro (é perseguido por skinheads, seu pai está desempregado). Mas, ele encontra um motivo para ir adiante, através das músicas de Bruce, que lhe dão inspiração para escrever textos, poemas, artigos. O que, futuramente, faria o Javed da vida real, Safraz Manzoor, ser um renomado jornalista musical na Inglaterra. E, eventualmente, o levar a conhecer o ídolo pessoalmente (já assistiu a cerca de 150 shows do Chefão!). E escrever um livro sobre.

É deste livro de Manzoor, chamado “Greetings from Bury Park: Race, Religion and Rock n’ roll” (de 2007), que saiu o roteiro de “Blinded by the light” (que é o nome de uma música do álbum de estreia de Springsteen, “Greetings from Asbury Park, N.J.”, de 1973). Até o nome dos lugares, Bury e Asbury, são meio semelhantes!

"A Música da Minha Vida" (o título em português pode espantar alguns) é um filme bastante musical. As letras de Bruce saltam da tela, quase num sing-a-long. É leve, alegre, esperançoso, romântico, e mostra que a música pode transformar, inspirar, mudar a vida de alguém. E, além de tudo, ajudar a pessoa a enfrentar as adversidades. Como fez com o sonhador Javed/Manzoor. Seja através de Springsteen ou de qualquer outro.

Às vezes, não é você que escolhe a música. Pode ser, justamente, o contrário.Alguma banda ou artista da música provocou tamanho impacto em sua vida? Se já, aproveite e comenta aqui abaixo. E, se tem Netflix, não deixe de ver o especial filmado nos shows confessionais que Bruce Springsteen fez, ano retrasado, na Broadway. É emocionante.

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