Na Trilha do Leão: Quando trilha e filme casam, como naquele filme do Exterminador
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Na Trilha do Leão: Quando trilha e filme casam, como naquele filme do Exterminador

Com um novo filme do Terminator em cartaz (mais um? Bem, dizem que este, o sexto da série, será o último; hasta la vista, baby?), “O Exterminador do Futuro: Destino sombrio” (“Terminator: dark fate”), me lembrei de como uma música, bem colocada na trilha de um filme, pode ter um bom impacto e marcar a cena. Sobretudo, se tiver uma banda ou artista popular do momento nela. Nem sempre dá certo. Mas, quando dá, é uma maravilha.

Foi o caso do Guns N' Roses, e do hit “You Could Be Mine” (1991), que, inserida numa das cenas mais eletrizantes de “O Exterminador do Futuro 2: Julgamento Final” (uma perseguição entre uma moto e um caminhão, pelos canais de Los Angeles), marcou época. É ouvir a música e lembrar da cena, na hora. Em troca, o clipe oficial dela, tem sequências especialmente feitas com o Schwarzenegger, trajado como o T-800, assistindo a um show da banda (que seria um provável alvo dele). Na saída do backstage, após conferir os cinco Guns, T-800 deduz que seria “desperdício de munição”. Hahaha!

A montagem de uma trilha para cinema pode ser algo complexo. Primeiro, há a trilha em si (o score propriamente dito; e a do "Terminator" original, por Brad Fiedel, é fria e minimalista), que é feita, passo a passo, por um maestro e orquestra, enquanto se projetam cenas específicas do filme. Já no caso da trilha de canções, é diferente. Rolam negociações com os artistas da gravadora que vai lançar o “produto” e tenta-se emplacar um hit. No caso dos filmes de James Bond, por exemplo, um artista do momento é convidado para fazer a canção-tema. Mas, na maioria dos casos, o principal, é juntar o máximo de músicas que reflitam a vibe musical da época.

Por isso, até hoje, as trilhas de canções dos filmes juvenis de John Hughes (de “Clube dos Cinco” a “A Garota de Rosa-Shocking”) fazem sucesso. Não só ajudaram a lançar (ou consolidar) nos Estados Unidos vários nomes britânicos, como Simple Minds (“Don’t You Forget About Me’), Psychedelic Furs (“Pretty In Pink”), The Smiths etc, como servem como cápsula do tempo, por estarem diretamente ligadas ao que aqueles jovens, retratados naqueles filmes, realmente ouviam. E não apenas o que as gravadoras queriam ‘estourar’ a qualquer custo.

Nos filmes brasileiros, não notamos tanto essa preocupação com a trilha, para ir além da sala escura. Talvez só tenham pensado nisso, de fato, quando fizeram “Menino do Rio” (1982). Organizada por Nelson Motta e Guilherme Arantes (que fez a trilha incidental), ela trazia nomes de uma nova cena nacional. Como o (então) desconhecido Lulu Santos (cantando sua "Tesouros Da Juventude"e deixando seu clássico “De Repente, Califórnia" para a interpretação de Ricardo Graça Mello, Gang 90 & Absurdettes, Rádio Taxi e até mesmo as americanas Go-Go's (imposição da gravadora).

No novo “Terminator”, o marcante tema de Brad Fiedel está de volta. Até porque, é o único filme, desde os dois primeiros, que tem roteiro de seu criador, James Cameron (e traz a personagem original Sarah Connor). Contudo, não houve como ‘linkar’ nenhuma cena com algum hit de artista ou banda atual. Principalmente, porque não há nada com a mesma força dos Guns no momento. Dizem, que seria a banda britânica Greta van Fleet, que este ano mesmo era tida como “o grande lance” no rock. Mas já sumiu. E T-800 jamais seria veículo para divulgar K-pop ou rappers de segunda. Talvez o Muse, que tem uma pegada meio sci-fi e hi-tech? Agora, só em 2029, se é que vocês me entendem...

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