Na Trilha do Leão: ‘Turnês finais’ e suas trilhas eternas
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Na Trilha do Leão: ‘Turnês finais’ e suas trilhas eternas

Por Tom Leão

Dia desses, arrumando gavetas, achei uma camiseta da banda punk-goth inglesa Damned, que comprei depois de ver um show deles, no final dos anos 1980, no Ritz, em Nova York. Detalhe: aquela turnê, supostamente, era a “farewell tour” (turnê de despedida, em tradução livre). Por isso, corri para descolar o ingresso. Desde então (lá se vão uns 30 anos), o Damned segue firme e forte na estrada (veio ao Brasil em 2012). Foi uma espécie de piada, de uma banda que nunca se levou muito a sério; e que, recentemente, voltou à baila na trilha de “Em Ritmo de Fuga”, que usa seu hit “Neat, Neat, Neat”, numa das melhores cenas do filme. Deu tão certo, que a mesma track foi usada, também, num episódio da ótima série “The Boys” (Prime Video).

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Me lembrei do assunto ao ler que, neste final de semana, Peter Frampton (aquele vocalista-guitarrista americano, que fez o maior sucesso nos anos 1970, inclusive aqui, com o álbum duplo ao vivo “Comes Alive”, um dos mais vendidos da história no nicho), fez seu último show, neste 12 de outubro, no Concord Pavillion, na Califórnia. Será que vai lançar outro ao vivo?

Dave Vanian, vocalista do Damned, em show em São Francisco, em 2018 / Foto: Getty Images
Dave Vanian, vocalista do Damned, em show em São Francisco, em 2018 / Foto: Getty Images

Nos últimos anos (décadas), muitas outras bandas já anunciaram turnês de despedida, mas não cumpriram com o prometido. Alguns, até mentem no nome. Como Ozzy Osbourne, que está com sua “No More Tours 2” (sim, já houve uma primeira!), que deve ser a última mesmo, porque ele não tem mais condições físicas de prosseguir. Quem perdeu, vai ter de esperar o DVD/BD e a trilha com a apresentação final. Como já fez o Slayer, que vai concluir carreira em novembro, com dois shows em Los Angeles, mas já está com um filme-concerto, “The Repentless Killogy”, pronto para ser exibido.

O Kiss, que voltará ao Brasil ano que vem, por exemplo, anunciou a sua parada em 2000. Que nada. Pouco antes, emprestou o nome de uma de suas músicas mais famosas para o filme “Detroit Rock City” (1999), que tem vários hits do Kiss na trilha. Como “Love Gun” e “Rock And Roll All Nite”, claro. A decana inglesa The Who disse que ia parar em 1972, mas veio, pela primeira vez, à América do Sul, no Rock in Rio 2017 — e acabaram de lançar música nova. Além disso, uma edição especial de 40 anos da trilha da ópera-rock “Quadrophenia”, acaba de ser lançada. No elenco da versão para cinema, está até um certo Sting, como um mod irado.

Gene Simmons, do Kiss / Foto: Getty Images
Gene Simmons, do Kiss / Foto: Getty Images

Voltando ao Ozzy e à sua banda original, Black Sabbath, esta fechou a tampa da carreira com show em casa, na cidade de Birmingham, ano passado. É das mais requisitadas em trilhas sonoras, há muito tempo. Por conta do sucesso dos filmes do Homem de Ferro, a clássica “Iron Man” voltou às playlists à bordo da trilha do primeiro filme. Já quase dá para viver de royalties só com cinema. Tem músicas do Black Sabbath em “Esquadrão Suicida”, “Kong: a Ilha da Caveira” e outros blockbusters recentes. Mas geralmente, só escolhem “Iron Man” ou “Paranoid”.

Já a cultuada banda canadense-americana The Band anunciou o fim em 1976. E, por conta disso, teve até um concerto de despedida filmado pelo mega fã Martin Scorsese (que já filmou shows dos Stones e de Bob Dylan — “O Último Concerto de Rock”, de 1978), mas ainda continuou valsando, até 1999. Tanto o filme quanto a trilha são imperdíveis, já que contam com as participações especiais de Van Morrison, Muddy Waters, Eric Clapton, Neil Diamond, Bob Dylan, Joni Mitchell, Dr. John, Ringo Starr, Ron Wood, Emmylou Harris e outros mais. É uma trilha (dupla) difícil de se achar hoje em dia. Mas vale a procura.

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