Napster em prós e contras: há vinte anos, o compartilhamento de arquivos musicais chegava para abalar
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Napster em prós e contras: há vinte anos, o compartilhamento de arquivos musicais chegava para abalar

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Em 1º de junho, o Napster, serviço pioneiro de compartilhamento de arquivos musicais, completa 20 anos. Fundado por uma dupla de amigos que se conheceu em um chat online, Sean Parker e Shawn Fanning em 1999 — quando a internet ainda era mato —, o site revolucionou para sempre a história da indústria fonográfica e dos apreciadores de música, bem como serviu de inspiração para as plataformas de streaming que temos acesso hoje. Mas, como a vida é injusta, tudo que é bom, engorda. Ou melhor dizendo, tudo tem dois ou mais lados. E eles nem sempre são bons. 

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No caso do Napster, o serviço foi, para muitos adolescentes e entusiastas de música do fim dos anos 1990, um verdadeiro herói que não usava capas. Imagine a criação de algo tão incrível, capaz de armazenar suas músicas favoritas, ao alcance do dedo (e da velocidade do seu provedor de internet)? E, o melhor, você poderia baixar tudo gratuitamente. For free. Sem pagar nadica de nada. É muito bom para ser verdade. E era. 

Essa prática, aparentemente inofensiva, por pouco não quebrou a indústria da música. Os empresários das grandes gravadoras ficaram absolutamente desesperados — alguns selos, inclusive, quebraram. Os artistas do mainstream também entraram nessa onda. Teve gente que, inclusive, processou os fãs por conta do Napster — não é, Metallica? Por alguns mais alarmados, o site (assim como a internet em si) foi considerado uma ameaça comunista que precisava ser banida. Apelação? Obviamente. 

Por outro lado, a galera que era independente ou desconhecida viu no Napster uma forma de tornar seu trabalho mais acessível, o que, de fato, ajudou bastante. Entretanto, isso atrapalhou e muito o trabalho de radialistas, formadores de opinião, críticos e executivos de empresa de mídia, o povo que ditava boa parte do que as pessoas iriam escutar ou considerar cool. Ainda estamos digerindo a autocrítica desde aquela época, e isso talvez explique porque a comunicação de massa ainda não consolidou caminhos certeiros para sua reinvenção. 

Sean Parker, um dos fundadores do Napster e influente participante do projeto que veio a se tornar o Facebook/Getty Images
Sean Parker, um dos fundadores do Napster e influente participante do projeto que veio a se tornar o Facebook/Getty Images

O Napster foi tão popular que chegou a ter mais de 80 milhões de usuários — isso parece pouco perto do Facebook em 2019, que tem mais de 2 bilhões de pessoas inscritas. Mas tente entender como esse número era imenso para um site da internet nos anos 2000. Tão gigante que causou um rombo gigantesco nos balanços da indústria fonográfica, que até junho de 1999 faturavam cerca de 40 bilhões de dólares com os lucros das vendas de CDs. 

Graças ao serviço criado por Sean e Shawn, hoje em dia o uso de CDs foi praticamente abolido, e formatos físicos agora podem ser considerados itens de colecionadores ou algo do tipo. O Napster foi um dos grandes responsáveis pela corrida contra o tempo das gravadoras para se alinhar com a nova era tecnológica. E isso não pode ser considerado positivo? Dependendo do ponto de vista, não — ainda mais se você é um daqueles que participou da briga jurídica contra a plataforma —, mas pensando como um consumidor de música, o dia 1º de junho é uma data que pode ser comemorada, sim.

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