No dia 1° de junho de 1943, nascia Big Boy, o maior nome do rádio brasileiro
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No dia 1° de junho de 1943, nascia Big Boy, o maior nome do rádio brasileiro

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Não é exagero dizer que Big Boy mudou a história do rádio brasileiro. Apelido de um pacato professor de Geografia no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Newton Alvarenga Duarte, nascido no dia 1° de junho de 1943, o personagem inventado pelo jovem radialista foi o nome mais importante do país no dial durante os anos 1960 e 1970 — e mudou a forma como o brasileiro se relacionava com a música.

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inveterado de rock'n'roll, tinha uma coleção que chegou a somar 20 mil discos. Ainda adolescente passava os dias visitando a Rádio Tamoio, no Rio de Janeiro, até que um locutor saiu de férias — e o jovem Newton foi convidado para assumir aquela função. 

O personagem que inventou, chamado Big Boy, pegou na veia as transformações de sua geração. Cumprimentava os ouvintes com seu bordão em inglês "Hello, crazy people!" e aos poucos foi tirando o paletó e gravata do jeito formal de se apresentar rádio. Em vez da voz empostada, conversava com o público como se estivesse falando com seus amigos, criando assim uma intimidade inédita com os ouvintes. Falava gírias e expressões em inglês, além de se especializar em trazer novidades inglesas e americanas para as ondas do rádio. Na época, conseguiu ouvir rádios estrangeiras pela frequência de ondas curtas e tinha amigos que viajavam para o exterior e traziam as novidades. E isso sempre mantendo a identidade secreta de professor de Geografia — nenhum de seus alunos sabia que ele era o locutor que tanto gostavam. Um até chegou a chamá-lo de "Big Boy" por achar que o timbre do professor era parecido com o do radialista, mas o apelido não pegou — na escola.

Big Boy, o maior DJ da história do Brasil / Foto: Arquivo
Big Boy, o maior DJ da história do Brasil / Foto: Arquivo

Ainda nos anos 1960 foi contratado pela Rádio Mundial AM para uma reestruturação da rádio, quando passou a dominar o dial e se tornar o locutor mais conhecido do Brasil. Possuía dois programas diários nesta (o "Big Boy Show" e o "Ritmos de Boite"), tinha outro diário na rádio paulistana Excelsior e um semanal especializado em Beatles ("Cavern Club", também na Mundial). Foi o primeiro radialista a tocar o disco "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", em 1967, lançado nos Estados Unidos exatamente no dia de seu aniversário daquele ano. Big Boy tocou o disco na íntegra em seu programa. 

Ao final dos anos 1960, começou a escrever colunas para jornais e resenhar discos (assinava a coluna "Top Jovem" no jornal "O Globo"), ao mesmo tempo em que passou a discotecar em bailes black no Rio de Janeiro, começando com o "Baile da Pesada", no Canecão. Ao entrar nos anos 1970, Big Boy inaugurou os bailes de black music da cidade, principalmente na zona norte da cidade, trazendo novidades para as pistas que nenhum outro DJ tinha. Ao mesmo tempo, começou a apresentar o programa Papo Pop, na TV Record de São Paulo, quando revelou artistas como Secos & Molhados e Joelho de Porco. Também foi pioneiro na implantação das FMs no Brasil e foi chamado pela paulistana rádio Eldorado a lançar a versão para aquele novo tipo de rádio. Big Boy radicalizou: criou a Eldo Pop, uma rádio sem radialistas que apresentassem os programas e o nome das músicas ou dos artistas.

Big Boy morreu prematuramente, aos 33 anos, vítima de um ataque cardíaco / Foto: Arquivo
Big Boy morreu prematuramente, aos 33 anos, vítima de um ataque cardíaco / Foto: Arquivo

Participou de programas de TV (era colunista de música do "Jornal Hoje", participava do "Sábado Som" e substituiu o Chacrinha quando o velho guerreiro adoeceu) e lançou discos com o nome dos bailes que fazia (inclusive o inusitado "Baile da Cueca", cuja versão em vinil trazia uma cueca encartada). Mas a vida foi curta: morreu cedo no dia 7 de março de 1977, sozinho, num quarto de hotel em São Paulo aos 33 anos — sofreu um ataque cardíaco durante uma crise de asma. 

Sua intensa e influente carreira é um exemplo de como uma única pessoa pode transformar a cabeça de milhões de outras. Com sua personalidade informal no rádio, ele mudou completamente a história da mídia. Puxando os bailes black, também foi responsável por catalisar uma geração de novos artistas, criando um público único. DJ num sentido bem elástico do termo, Big Boy foi o maior DJ da história do Brasil.

Quem nasceu

1921 - Nelson Riddle, maestro, pianista e arranjador que trabalhou com Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Dean Martin, entre outros (m. 1985)

1922 - Bibi Ferreira, nascida Abigail Izquierdo Ferreira, atriz, cantora, compositora e diretora carioca (m. 2019)

1934 - Pat Boone, nascido Charles Eugene Boone, cantor e compositor americano

1947 - Ronnie Wood, guitarrista que tocou nos grupos ingleses The Birds, Jeff Beck Group, The Faces e The Rolling Stones 

1950 - Graham Russell, guitarrista e vocalista da banda australiana Air Supply 

1959 - Alan Wilder, tecladista e vocalista do grupo inglês Depeche Mode

1960 - Simon Gallup, baixista do grupo inglês The Cure 

1963 - Mike Joyce, baterista do grupo inglês The Smiths

1974 - Alanis Morissette, cantora e compositora canadense 

Quem morreu

1984 - Nate Nelson, cantor dos grupos americanos The Flamingos e The Platters (n. 1932)

1991 - David Ruffin, vocalista do grupo americano The Temptations (n. 1941)

2000 - Tito Puente, músico, cantor, compositor e produtor americano (n. 1923)

2006 - Rocio Jurado, cantora e atriz espanhola (n. 1946)

2007 - Tony Thompson, cantor e baterista do grupo americano Hi-Five (n. 1954)

2009 - Silvio Barbato, maestro ítalo-brasileiro (n. 1959)

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