No dia 2 de fevereiro de 1997, morre Chico Science
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No dia 2 de fevereiro de 1997, morre Chico Science

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Era final de domingo, quase no carnaval. Pernambuco já estava em festa e os foliões pulavam de bloco em bloco, quando um carro fechou outro na rodovia PE-1, que liga Recife à Olinda, e bateu em um poste. O que poderia ser uma mera estatística de trânsito resultou em um acidente fatal que dividiu a cultura pernambucana ao meio. Quando Chico Science perdeu o controle do Fiat Uno que dirigia e saiu da estrada no dia 2 de fevereiro de 1997, selou o fim de uma biografia que foi a força-motriz de um dos movimentos mais instigantes do fim do século passado, o mangue beat. Resgatado ainda com vida por um policial, sua morte foi acontecer longe da estrada, no Hospital da Restauração, chocando toda a população pernambucana e os amantes da música brasileira tanto no país quanto no exterior.

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Chico Science era o gatilho que a década de 1990 — muito mais do que o Recife — precisava. Ele verbalizava mudanças que encontravam eco em artistas tão diferentes quanto Skank, Raimundos, Pato Fu e Planet Hemp. Enquanto Fred Zero Quatro era o teórico do movimento à frente do Mundo Livre S/A, Chico puxava sua Nação Zumbi para o centro dos holofotes no país. Escrevendo de acordo com a cartilha tropicalista, ele reforçava o choque entre os extremos, a miséria do mangue e a alta tecnologia; a vida rural e a cidade grande, África, Caribe e o eixo Londres-Nova York. Tudo era sintonizado no Recife. A metáfora da antena enfiada na lama era a imagem perfeita da própria influência de Chico Science na música brasileira.

"Modernizar o passado é uma evolução musical". Assim ele abria o primeiro disco, contrapondo alfaias, bateria, guitarra psicodélica e baixo de reggae, puxando letras que soavam como raps, repentes ou toasts. O canto falado de Francisco de Assis França era uma de suas marcas registradas, como o chapéu coco de palha, os óculos de surfista, o colar de terreiro, o sorriso maníaco e o carisma instantâneo. Era um líder nato, especializado em abrir alas. Ultrapassou o movimento armorial ao misturar beats de música eletrônica e riffs de guitarra africana à ortodoxia recente dos blocos de maracatus. 

Sua morte repentina, um mês antes de completar 31 anos, foi um baque pesado na cena pernambucana. De repente, a Nação Zumbi não tinha seu principal nome, o Mundo Livre S/A via-se sem o contrapeso e grupos como Cumadi Fulozinha, Mestre Ambrósio, Sheik Tosado, DJ Dolores, Eddie e Jorge Cabeleira e o Dia Em Que Seremos Todos Inúteis começam a seguir seus próprios rumos, sem a liga central puxada por Chico. Foi o momento em que o formato mangue passou a ser copiado por bandas que nem eram do Pernambuco e a cena local entrou em um processo de reavaliação que só conseguiu sair a partir da virada do século. 

2 de fevereiro de 1979: 'I did it my way'

Depois de ser inocentado da morte de sua namorada, Nancy Spungen, o baixista dos Sex Pistols, Sid Vicious, fez uma festa em seu apartamento em Nova York. Já não usava heroína a alguns meses e estava fazendo planos para um álbum futuro, mas alguém trouxe heroína para a festa e no dia seguinte Sid foi encontrado sem vida ao lado de uma seringa por sua mãe. Havia sofrido uma overdose de drogas que sua mãe afirmaria, anos depois, ter sido parte de um pacto suicida dele com Nancy, a partir de uma carta que ela encontrou em uma jaqueta do filho. 

Quem nasceu

1942 — Graham Nash, cantor inglês dos grupos The Hollies e Crosby, Stills, Nash & Young

1948 — Alan Mckay, guitarrista do grupo norte-americano Earth, Wind & Fire

1951 — Alphonso Johnson, baixista do grupo norte-americano de jazz fusion Weather Report

1952 — Rick Dufay, ex-guitarrista do grupo norte-americano Aerosmith 

1959 — Lenine, cantor e compositor pernambucano

1966 — Robert DeLeo, baixista do grupo norte-americano Stone Temple Pilots

1969 — John Spence, cantor da primeira fase do grupo No Doubt (m. 1987)

1973 — Latino, cantor e compositor carioca

1977 — Shakira, cantora e compositora colombiana

Quem morreu

2007 — Joe Hunter, tecladista da banda da Motown Funk Brothers (n. 1927)

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