No dia 22 de janeiro de 1972, David Bowie revela sua homossexualidade
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No dia 22 de janeiro de 1972, David Bowie revela sua homossexualidade

Enquanto a manchete do semanário inglês “Melody Maker”, publicado no dia 22 de janeiro de 1972, anunciava que o King Crimson havia terminado, a foto maior a estampar a capa era do cantor e compositor David Bowie. A legenda o descrevia como "o ultraje mais estridente do rock: um confesso amante de roupas afeminadas". O breve texto apenas insinuava algo que a entrevista com o artista escancarava nas páginas internas, quando ele sairia publicamente do armário: "Eu sou gay. E sempre fui, mesmo quando era David Jones".

Bowie ainda não tinha lançado o disco que mudaria sua vida, "Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", quando deixou de ser um artista que tentava o sucesso a todo custo para se tornar um astro da música pop reconhecido globalmente. Ele começou a carreira como David Jones, seu nome de batismo, mas mudou para "Bowie" (em homenagem a uma faca norte-americana para caçar ursos) assim que descobriu que poderia vir a ser confundido com o do vocalista dos Monkees, Davy Jones. Como Bowie, conseguiu um hit assim que o homem pousou na Lua, ao emplacar a épica e lunar "Space Oddity" no topo das paradas britânicas. Mas a Inglaterra não esperava um popstar gay tão cedo.

Afinal, a lei que havia descriminalizado a homossexualidade no país da rainha havia sido promulgada apenas cinco anos antes, em 1967. Parece exagero, mas há pouco mais de 50 anos era proibido que pessoas do mesmo gênero estabelecessem relações sexuais no Reino Unido, sob pena de ir para a cadeia. A revolução sexual dos anos 1960 certamente foi instrumental na mudança desta legislação. E cinco anos após homossexuais de todo o país respirarem aliviados que sua orientação sexual não era mais crime, a repressão social ainda era gigantesca.

Até que David Bowie saiu do armário. E ao confessar que era gay desde antes de mudar seu pseudônimo, Bowie também dizia que era gay mesmo quando ainda era ilegal: afinal seu terceiro single, "Can't Help Thinking About Me", lançado no início de 1966, foi o primeiro que trouxe seu novo sobrenome, um ano antes da legislação inglesa sobre homossexualidade ser mudada. A entrevista repercutiu tanto que ele não teve dúvidas sobre explorar tal sexualidade em seu próximo trabalho, transformando o personagem que estava criando à época, um alienígena que chega à Terra e é tratado como um popstar, em um ser andrógino que beijava meninos e meninas. O impacto da entrevista foi capital para tornar esta orientação sexual mais bem aceita num mundo que ainda espumava conservadorismo.

Capa do semanário inglês 'Melody Maker' destacava duas notícias: o fim do King Crimson e David Bowie revelando sua homossexualidade / Reprodução
Capa do semanário inglês 'Melody Maker' destacava duas notícias: o fim do King Crimson e David Bowie revelando sua homossexualidade / Reprodução

Quem nasceu

1931 - Sam Cooke, cantor norte-americano (m. 1964)

1940 - Addie Harris, vocalista do grupo norte-americano The Shirelles (m. 1982)

1947 - Malcolm Mclaren, empresário dos Sex Pistols e artista (m. 2010)

1953 - Steve Perry, vocalista do grupo norte-americano Journey

1960 - Michael Hutchence, vocalista do grupo australiano INXS (m. 1997)

1965 - Jazzy Jeff, DJ norte-americano

1965 - Steven Adler, baterista do grupo norte-americano Guns N' Roses

1979 - Luciana Mello, cantora brasileira

Quem morreu

1977 - Maysa, cantora e compositora brasileira (n. 1936)

1997 - Billy MacKenzie, vocalista do grupo escocês The Associates (n. 1957)

2003 - Dona Zica, sambista brasileira (n. 1913)

2017 - Pete Overend Watts, baixista do grupo inglês Mott the Hoople (n. 1947)

2017 - Jaki Liebezeit, baterista do grupo alemão Can (n. 1938)

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