No dia 29 de janeiro de 1961, Bob Dylan conhece seu ídolo Woody Guthrie
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No dia 29 de janeiro de 1961, Bob Dylan conhece seu ídolo Woody Guthrie

Robert Allen Zimmerman era um roqueiro jovem do interior dos Estados Unidos que amava Elvis Presley, guitarras elétricas e fazer barulho. Mas quando conheceu o trabalho do ativista político, cantor e compositor Woody Guthrie, que preferia cantar as músicas do povo acompanhado apenas de seu violão, ele mudou completamente sua carreira — incluindo seu nome. Até que, no dia 29 de janeiro de 1961, Bob Dylan finalmente pôde conhecer seu ídolo maior e encontrou-se com Woody Guthrie um pouco antes de ele morrer.

Guthrie tinha ligações com movimentos sociais e sabia do poder da música para convencer as pessoas a abraçar suas causas. Munido apenas de um violão — que tinha a frase "esta máquina mata fascistas" escrita em seu corpo —, ele buscava as pessoas mais simples e desfavorecidas pelo capitalismo norte-americano e ouvia suas canções e histórias, contando-as como um peregrino de cidade em cidade. Foi assim que se tornou um dos principais nomes da chamada folk music ("música do povo", em português), um gênero musical originário da country music que despia-se de bandas e instrumentos elétricos para cantar a dureza da vida simples apenas com voz (ou vozes) e violão.

Quando Dylan conheceu este estilo musical — e a obra de Guthrie — ficou fascinado a ponto de esquecer suas raízes roqueiras. Deixou a guitarra de lado e passou a viajar pelos Estados Unidos para entender melhor a alma de seu povo, enquanto ouvia músicas que datavam do início do século XX — ou de antes. E foi assim que chegou a Nova York, onde fez fama, tocando apenas seu violão. Assim, conquistou a cena folk que existia no bairro do Village no início dos anos 1960.

Até que finalmente realizou seu sonho de conhecer o ídolo naquele 29 de janeiro. O encontrou na cama do hospital Greystone Park Psychiatric, onde ele vinha sendo tratado pela doença de Huntington, mal hereditário que mata células do cérebro. Cantou uma música que fez para ele, "Song to Woody", uma das únicas músicas autorais de seu primeiro disco, lançado naquele mesmo ano. Disse para o mestre que ele era uma "jukebox de Woody Guthrie", tocando suas músicas em todas suas apresentações. Woody respondeu escrevendo em um cartão: "Eu ainda não morri".

Ele veio a falecer em 1967, depois de anos no hospital e depois de ver a glória de Dylan, que já havia renegado o passado folk, a idolatria do Village, reencontrado a eletricidade e o rock'n'roll até sofrer um acidente de moto que o fez voltar para suas raízes no mesmo ano em que seu mestre morreu.

Quem nasceu

1933 — James Jamerson, baixista da banda da Motown Funk Brothers (1983)

1944 — Andrew Loog Oldham, empresário dos Rolling Stones nos anos 1960

1947 — Jerry Adriani, cantor brasileiro (m. 2017)

1952 — Thomas Erdelyi, o Tommy Ramone, baterista dos Ramones (m. 2014)

1953 — Louie Perez, compositor, guitarrista e percussionista do grupo Los Lobos

1953 — Peter Baumann, fundador do grupo alemão Tangerine Dream

1954 — Rob Manzoli, cantor do grupo inglês Right Said Fred

1954 — Carlos Rennó, compositor, letrista, escritor e jornalista brasileiro

1964 — Roddy Frame, guitarrista, compositor e cantor do grupo inglês Aztec Camera

Quem morreu

1992 — Willie Dixon, cantor e guitarrista de blues (n. 1915)

2009 — John Martyn, cantor e compositor irlandês (n. 1948)

2014 — Johnny Allen, pianista e arranjador da gravadora Stax (n. 1917)

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