Normani fala sobre racismo e da relação com Camila Cabello em entrevista
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Normani fala sobre racismo e da relação com Camila Cabello em entrevista

Normani foi buscar alento em Kelly Rowland quando se desesperou por não gostar do resultado do clipe “Motivation”, seu primeiro single enquanto artista solo. “Eu mandei o vídeo para ela antes de mandar para qualquer pessoa”, contou Normani, em entrevista à “Rolling Stone”. Coube à ex-Destiny's Child acalmá-la. “Você está surtando um pouquinho”, respondeu Kelly. A publicação americana escolheu Normani para ilustrar a capa de sua edição de março, dedicada às mulheres em ascensão na música, ao lado de SZA e Megan Thee Stallion.

Em uma entrevista bastante honesta, Normani falou sobre infância, racismo, Camila Cabello e Fifth Harmony. "Eu não sabia que eu era tão forte quanto eu fui", confessou.

Sobre o Fifth Harmony

O perfeccionismo de Normani é fruto de uma carreira um tanto quanto traumática. O tempo no Fifth Harmony tem muito dessa responsabilidade. Enquanto única integrante negra do grupo, ela sofreu com ataques racistas na internet e se sentia excluída pela própria estrutura do conjunto em vários momentos, sendo tida apenas como “a dançarina”, por conta do talento com as coreografias. Em determinado momento, ao ser a única das cinco integrantes a ter os vocais excluídos de uma gravação, Normani se sentiu devastada. “Várias coisas começaram a brotar na minha cabeça. ‘Será que isso é minha culpa? O que eu poderia ter feito diferente? Eu não estou trabalhando o suficiente? Eu não sou talentosa? O que há de errado com a minha voz?’”

Fifth Harmony: Ally Brooke, Normani, Camila Cabello, Lauren Jauregui e Dinah Jane, em 2016 / Foto: Getty Images
Fifth Harmony: Ally Brooke, Normani, Camila Cabello, Lauren Jauregui e Dinah Jane, em 2016 / Foto: Getty Images

Sobre Camila Cabello

Em dezembro do ano passado, Camila Cabello, também ex-integrante do Fifth Harmony, foi muito criticada após publicações racistas feitas por ela entre os anos de 2012 e 2013 ressurgirem online. Nas postagens, Camila usava palavras preconceituosas para se referir a pessoas negras e ainda fazia piada com a agressão do rapper Chris Brown a Rihanna, em 2009.

Ao ser perguntada pessoalmente sobre o caso, Normani preferiu responder à repórter da “Rolling Stone” por escrito. “Só quero garantir que qualquer coisa que eu fale seja publicado exatamente da forma que eu quis me expressar”. De acordo com o artigo, algumas semanas depois, ela falou sobre o assunto.

‘Rolling Stone’: SZA, Megan Thee Stallion e Normani na capa da edição de março / Foto: Reprodução
‘Rolling Stone’: SZA, Megan Thee Stallion e Normani na capa da edição de março / Foto: Reprodução

“Eu lido com ataques sem sentido diariamente, assim como o resto da minha comunidade. Isso é apenas como um dia normal para nós. Eu tenho tolerado discriminação muito antes de eu sequer entender o que isso significava. Tenho sido alvo de ódio direto ou subliminar tem sido unicamente por conta da cor da minha pele. Seria desonesto se eu dissesse que o que aconteceu não me machucou. Foi devastador que isso tenha vindo de um lugar que deveria ser um porto seguro e uma irmandade, porque eu sei que se o jogo virasse, eu defenderia cada uma delas em um segundo. Levou dias até que ela percebesse com o que eu estava lidando online e depois anos até que ela assumisse responsabilidade pelos tuítes ofensivos que ressurgiram recentemente. Independentemente se ela fez isso com ou sem intenção, isso me fez sentir como se eu estivesse em segundo lugar se comparado ao relacionamento dela com os fãs.”

Quando as publicações racistas ressurgiram na internet, no fim do ano passado, Camila se desculpou usando sua conta no Twitter. “Eu não tinha educação e era ignorante”, escreveu.

Sobre ser admirada por Beyoncé, Rihanna e outros ídolos

Antes mesmo de lançar seu primeiro single, Normani já tinha duas músicas nas paradas de sucesso. “Love Lies”, com Khalid, e “Dancing With a Stranger”, com Sam Smith. Em 2018, ela refez a coreografia de Janet Jackson em “The Pleasure Principle” e foi elogiada pela própria. Rihanna já escreveu que queria ser como ela e a escolheu como a primeira embaixadora de sua marca de lingerie, enquanto Beyoncé já disse estar orgulhosa do trabalho que ela tem feito. "Elas respeitam o que eu faço e torcem por mim. A minha versão criança nunca seria capaz de compreender isso", emociona-se.

Sam Smith e Normani, em dezembro de 2019 / Foto: Getty Images
Sam Smith e Normani, em dezembro de 2019 / Foto: Getty Images

Ariana Grande é outra que se junta ao time de fãs famosas. “Ela tem um coração de ouro”, diz a estrela. Normani foi escolhida a dedo por Grande para abrir os shows da turnê “Sweetener”. “Ela é uma pessoa incrível e eu amo ver pessoas merecedoras vencendo”, completou a voz de “thank u next”.

Sobre o álbum de estreia

Normani ainda trabalha naquele que será seu primeiro álbum solo. O sucesso do trabalho pode transformá-la em uma estrela mundial. De acordo com a entrevista à “Rolling Stone”, a cantora acredita estar na metade do caminho para terminar o projeto. A ideia é ter um single lançado até o começo do verão no hemisfério norte. “Quero sentir que fui representada da maneira mais autêntica possível, porque eu sei como é vir de um grupo de garotas e receber ordens sobre quem eu devo ser”, ela explica. “É muito gratificante ter a oportunidade agora de ser quem eu quero ser”, conclui. “Eu já vi o pior lado (da indústria). Mas, mesmo com essas coisas, me surpreendo com meu poder para me reerguer. Não sabia que eu era tão forte quanto eu fui.”

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