O belíssimo palco florido de Makoto Azuma para o Iceage
Criatividade

O belíssimo palco florido de Makoto Azuma para o Iceage

Cenografia de shows é coisa séria. E, no caso da parceria entre Makoto Azuma e o Iceage, é coisa bela. O florista japonês, de 42 anos, se juntou ao grupo dinamarquês para uma instalação botânico-artística de tirar o fôlego e encher o coração de alegria. Makoto, que é baixista e cantor e só começou a trabalhar com flores depois que abandonou o sonho de virar rockstar, escolheu a dedo a banda, que usou o seu trabalho como cenário de uma residência em Tóquio.

Intitulada “Crazy Garden x Iceage” ("jardim maluco versus Iceage", em tradução livre), a instalação oferece a delicadeza das flores como contraponto à performance sombria e caótica da banda, que toca cercada por espécies variadas — e lindas. Para isso, Makoto usou "algumas milhares" de flores, entre dálias, delfínios, orquídeas, gloriosas, entre outras. "Usei as mais diferentes cores e formas de plantas", diz o botânico, em entrevista ao Reverb. "Entre começar as negociações com a banda, pensar em como seria e fazer a instalação, levei um mês", explica.

A interação entre o rock e o trabalho de Makoto serviu como pano de fundo para o belíssimo clipe de "Under the Sun", gravado ao vivo durante a turnê japonesa. Nele, o vocalista Elias Bender Rønnenfelt interage com as flores de Makoto ora como armas, ora como escudo.

A banda Iceage canta num palco ocupado por instalação botânica de Makoto Azuma / Reprodução
A banda Iceage canta num palco ocupado por instalação botânica de Makoto Azuma / Reprodução
O florista japonês de 42 anos escolheu a banda para sua instalação / Reprodução
O florista japonês de 42 anos escolheu a banda para sua instalação / Reprodução
A banda usou o belíssimo cenário dos shows em Tóquio para filmar o clipe de 'Under the Sun' / Reprodução
A banda usou o belíssimo cenário dos shows em Tóquio para filmar o clipe de 'Under the Sun' / Reprodução
A audição é o sentido mais crucial para meu processo de criação. Quando estou de frente para as plantas, em vez de olhar para suas cores e formas, eu tento ouvi-las

Este também não foi o único trabalho do japonês com grandes artistas da música: foi ele o responsável pelas flores que adornam Rihanna na capa da "Vogue" britânica de setembro do ano passado. Ele ainda fez instalações botânicas para acompanhar shows de bandas como Algiers, que tocou em frente a uma palmeira gigante suspensa em pleno deserto nos Estados Unidos, e Hakata Cycos, que tocou tendo uma árvore como pano de fundo no Japão. "Fora que eu sempre convido uma banda para tocar na abertura das minhas exposições, acho que elas dão ainda mais vida às flores e plantas", diz ele.

"Valorizo a audição como o sentido mais crucial para meu processo de criação. Quando estou de frente para as plantas, em vez de olhar para suas cores e formas, eu tento ouvi-las. Preciso escutar o que elas têm a dizer. Minha habilidade auditiva é o mais estável dos meus sentidos", garante.

Makoto já esteve várias vezes no Brasil ("eu amo o seu país"). Recentemente, expôs no Rio e visitou comunidades carentes em São Paulo, para onde trouxe seu projeto "Flower Shop Kibou". Nele, empresta a beleza de sua arte para áreas pobres ou de conflito. "Kibou significa 'esperança' em japonês. Dar flores faz com que as pessoas sorriam, e minha intenção é que essa pequena alegria se transforme numa memória esperançosa para cada um que as recebeu".

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