'O Homem Invisível': aquele que todos já viram antes
Na Trilha do LEÃO

'O Homem Invisível': aquele que todos já viram antes

Chegou outra versão para “O Homem Invisível”. Você já viu? A moça que ele perturba no novo filme (Elisabeth Moss, da série “The Handmaid’s Tale”) também não. No caso, milionário techie do Vale do Silício, arrumou um jeito de ficar transparente. E enlouquecer a ex. Tudo isso ao som da ótima trilha orquestral de Benjamin Wallfisch, que se inspirou na de “Psicose”, do Hitchcock, feita pelo mestre Bernard Herrmann (1911-1975). Por isso, à base de cordas, com um toque eletrônico. Ajuda no clima. Ouça aqui.

A ideia original da invisibilidade veio do visionário escritor britânico H.G. Wells (1866-1946), autor de obras magníficas como “A Máquina do Tempo” (1895) e “A Guerra dos Mundos” (1898) — ambas já levadas às telas algumas vezes. Wells escreveu “O Homem Invisível” em 1897. Desde então, tivemos diversas abordagens sobre o tema do cientista que descobre uma fórmula para a invisibilidade e, no processo, vai ficando insano. Foi tanto sucesso que rendeu vários derivados, oficiais ou não.

A primeira vez, nas telas, foi numa produção da Universal Pictures, de 1933, como parte de uma série de filmes com os Universal Monsters (Drácula, Frankenstein, Lobisomem etc). Pois é. Essa parada de “franquias” (argh!) e “universos” já existia desde os tempos de sua (bisa)vó, não é nenhuma novidade. Por isso, vale a pena listar algumas das vezes em que a pessoa “não estava lá”, mas todo mundo no cinema viu. E curtiu.

Abbott e Costello encararam o Homem Invisível em filme de 1951
Abbott e Costello encararam o Homem Invisível em filme de 1951

1. ‘A Mulher Invisível’ (1940)

Muito antes de virar música do Ritchie, houve uma mulher invisível. No caso, bela modelo é contratada para experimentar máquina de invisibilidade. E acaba gostando da brincadeira. Lançado no mesmo ano da sequência “A Volta do Homem Invisível”.

2. ‘Bud Abbott & Lou Costello e o Homem Invisível’ (1951)

A famosa dupla de humoristas (viraram até desenho animado) interpreta dois detetives, que se vêem às voltas com um cara que se torna invisível, para limpar seu nome de crime que não cometeu. É a única versão comédia.

3. ‘Memórias De Um Homem Invisível’ (1992)

O diretor cult John Carpenter reuniu o comediante Chevy Chase (do “Saturday Night Live”) e a gata Daryl Hannah (a sereia de “Splash”) nesse mix de comédia, romance e mistério. Yuppie fica invisível por acidente e é recrutado para trabalhar para a CIA como agente secreto. A ideia foi usada antes em “Espião Invisível” (1942). A trilha original é de Shirley Walker, das raras mulheres neste ramo.

4. ‘O Homem Sem Sombra’ (2000)

O diretor holandês Paul Verhoeven (de “RoboCop”) fez a mais controversa abordagem do tema: cientista mau e sacana (Kevin Bacon) se faz cobaia de experimento científico, que acaba o deixando invisível. E, aproveita para fazer o que nenhum fez antes dele, como naquela música do Capital Inicial, “Quatro Vezes Você”, que diz: “O que você faria/ Se ninguém pudesse te ver?”: olhar mulher pelada e aprontar pegadinhas. A trilha pop, meio moderninha tem músicas de Skunk Anansie (“Charlie Big Potato”), Boss Hog e Juliana Hatfield (“Hotels”, com cenas do filme no clipe). Mas o score de Jerry Goldsmith é que dá medo.

5. ‘A Liga Extraordinária’ (2003)

Baseado em quadrinhos de Alan Moore (“Watchmen”), reúne personagens clássicos da literatura: o explorador Allan Quatermain (um pré-Indiana Jones); a vampira Mina Harker (de “Drácula”), o misterioso Capitão Nemo (de “Vinte Mil Léguas Submarinas”) e o Homem Invisível. Juntos, formam um time que combate o mal na época vitoriana. Mas, como o personagem que inspirou esta coluna, não teve visibilidade. Não deu liga. Só as contribuições do grupo sul-africano Ladysmith Black Mambazo ficam na memória.

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