O homem que não queria entrar para o The Who: conheça a história de Kenney Jones, 71 anos, sobrevivente de dois cânceres e três bandas legendárias do rock
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O homem que não queria entrar para o The Who: conheça a história de Kenney Jones, 71 anos, sobrevivente de dois cânceres e três bandas legendárias do rock

Kenney Jones ainda se lembra muito bem do momento em que foi convidado a se tornar baterista do The Who, dois meses depois da morte de Keith Moon, em 1978. “O empresário da banda me telefonou e foi direto ao ponto. Disse: ‘Os caras não pensam em qualquer outro baterista. Eles querem você no grupo’”, conta Jones hoje. Sua resposta? “Eu disse que me sentia muito lisonjeado, que era um convite realmente ótimo, mas não podia aceitar. Deu pra ouvir o cara engasgando do outro lado da linha.’’

A revelação foi feita recentemente em uma entrevista concedida ao site "Musicians on the Record", especializado em causos narrados por monstros sagrados do rock clássico. Jones, ex-membro do The Faces e do Small Faces, dois outros grupos legendários, era amigo de Keith Moon desde a década de 1960. Os dois estiveram juntos poucas horas antes do baterista do The Who morrer, vítima de uma overdose de remédios para controlar o alcoolismo. Em 1978, na ocasião do convite, Jones tinha acabado de montar uma nova banda e estava bem empolgado com as perspectivas futuras.

The Who em 1979, pouco depois de Kenney Jones entrar para a banda. Foto: Getty Images
The Who em 1979, pouco depois de Kenney Jones entrar para a banda. Foto: Getty Images

Mas depois de uma longa conversa com Pete Townshend, o baterista afinal topou substituir o finado camarada. “Não era realmente uma posição muito confortável para mim. Pete me disse ‘Vamos lá, você é um mod, é um de nós, tem que se juntar a nós!’ Eu fiquei me sentindo muito mal... Acabei aceitando, mas com uma condição: eu não iria imitar o estilo do Keith. No fim das contas, minha outra banda me disse que eu tinha de aceitar. Fiquei aliviado.”

Como Jones revelou em seu livro de memórias, “Let the Good Times Roll”, lançado em 2018, sua história com o The Who vinha de longe. “Eu costumava tocar às vezes nas demos do Who. E quando eu estava nos Small Faces, excursionamos juntos. Quando tive a conversa com Pete, passamos uma hora e meia rindo e lembrando dos bons tempos. Até que o papo ficou sério.” O argumento de Townshend foi o seguinte: o resto da banda achava que o estilo único de Moon se tornara uma limitação para o The Who. “Ouvi aquilo e pensei: 'Bom, isso é ótimo, quer dizer que eu não vou precisar imitá-lo'”, resume Jones.

Integrado aos velhos amigos, Jones tocou nos álbuns “Face Dances” (1981) e “It’s Hard” (1982), excursionou com o The Who regularmente por três anos e participou da apresentação do grupo no Live Aid, em 1985. Mas quando a banda se reagrupou em 1989 para a primeira grande turnê desde o começo da década, ele já tinha sido substituído por Simon Phillips. Jones só voltaria a ser baterista do The Who por uma única noite: um concerto beneficente realizado em 2014.

Kenney Jones durante a apresentação no Live Aid, em 1985. Foto: Getty Images
Kenney Jones durante a apresentação no Live Aid, em 1985. Foto: Getty Images

“Na época em que estive na banda, todos os fãs só queriam ouvir ‘My Generation’, ‘Won’t Get Fooled Again’ e ‘Who Are You’ — por motivos óbvios”, diz Jones hoje. “Eu nunca seria capaz de substituir Keith Moon, e na verdade nem tentei. Ninguém conseguiria.” Essas e outras memórias estão em “Let the Good Times Roll”, um volume de memórias que Jones começou a escrever aos 30 anos de idade. “Na verdade eu não tinha muito para contar aos 30”, admite o baterista. Depois de sobreviver a dois cânceres – um na garganta, ainda nos anos 80, e outro na próstata, há cerca de cinco anos – Jones que já era hora de completar o livro. “Algumas pessoas lançam suas autobiografias e de repente, escrevem outra anos depois. Eu sempre quis escrever um único livro.”

Nascido em Londres em 1948, Jones era um dos mais jovens membros da cena mod da capital inglesa nos anos 1960. Depois de integrar duas das mais famosas bandas reveladas naquele período (os Faces/Small Faces e o próprio The Who), chegou a fazer turnês nos EUA liderando The Jones Gang, grupo que emplacou o single “Angel” na parada da "Billboard" em 2005 por 13 semanas. A banda ainda está na ativa, e Jones divide seu tempo entre a bateria e a administração do Hurtwood Polo Park Club, um clube de polo próximo da região montanhosa de Surrey, no sudoeste da Inglaterra.

“Ainda toco bateria o tempo todo. As pessoas acham que eu larguei a música para jogar polo, mas o clube e os cavalos são só um hobbie. A Jones Gang não para de fazer shows, e estamos planejando lançar um álbum em breve”, promete o músico. “Não posso deixar de tocar. É o que eu amo fazer, é a minha vida.”

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