O homem que promete salvar 1 milhão de discos 'perdidos'
Vinil

O homem que promete salvar 1 milhão de discos 'perdidos'

Self storage, um serviço mais personalizado do que o conhecido guarda-volumes, é algo muito comum nos Estados Unidos desde os anos 1960. Por aqui, essa solução para guardar itens de valor ou de grande apego — incluindo coleções de discos — chegou no final dos anos 1990. Mas ainda assim, talvez ainda não exista algo como a Murfie, que tem um acervo de um milhão de discos e acaba de ser comprada.

Com sede no Wisconsin, norte do país, a Murfie estocava vinis, cassetes, VHS e CDs de milhares de clientes, oferecendo digitalização e streaming de todos eles. Assim, quem não tinha espaço em casa podia guardar a coleção de forma segura e ouvir qualquer música de seu acervo quando quisesse. Só que, um belo dia, depois de dez anos, o site da empresa saiu do ar e ninguém conseguia mais se comunicar com seus responsáveis. Depois de meses no escuro, foi anunciado que os ativos da empresa foram comprados por uma startup chamada Crossies, que quer de transportar a coleção para um novo armazém no Arkansas.

Caixas guardam mil VHS na Murfie. Foto: reprodução Twitter
Caixas guardam mil VHS na Murfie. Foto: reprodução Twitter

O pouco que se sabe da transação é que a Crossies também não é uma empresa estável e bem estabelecida, a ponto que seja 100% confiável para devolver esses discos. Na verdade, quem responde pela empresa é apenas uma pessoa. John Fenley, que comprou um armazém gigante no Arkansas. Ele tem um currículo, no mínimo, excêntrico. Dirigia um espaço de 400 metros quadrados em sua cidade natal, Provo, em Utah. Ele registrou o site Itanimulli.com (que é “illuminati” escrito para trás ”) e redirecionou para a Agência de Segurança Nacional americana. Ele processou a empresa de ativos de criptomoeda NEM, alegando que lhe devia dinheiro. Certa vez, concorreu a prefeito de Provo com a proposta de separar a cidade. Fundou a Crossies há mais de uma década, com a intenção de armazenar e fazer streaming de coleções de músicas. Mas, na época, os investidores não se interessaram e o projeto ficou parado — pelo menos até agora.

Fenley fazendo protesto contra a empresa NEM. Foto: Reprodução Twitter
Fenley fazendo protesto contra a empresa NEM. Foto: Reprodução Twitter

Depois de ler sobre o sumiço da empresa, Fenley entrou em contato com investidores e voou para o Wisconsin. "Vi o artigo e comprei imediatamente uma passagem de avião", disse Fenley ao "The Verge" no final do ano passado. Depois de um mês de negociações, os investidores concordaram em vender por apenas 6 mil dólares, mais 2 mil dólares pelos honorários dos advogados, de acordo com o contrato obtido pelo jornal. No total, o empresário disse que o negócio custou até agora cerca de 25 mil dólares.

Em um vídeo do YouTube no ano passado, Fenley mostrou o armazém, que estava abandonado há 15 anos, onde instalaria a Crossies. "Há vazamento de água em alguns lugares e a energia ainda não está ligada. Então, será necessário algum trabalho de preparação para levar as coisas para lá, mas nunca precisarei mudá-los novamente", garantiu.

Os quase 1 milhão de discos da Murfie ainda estão no armazém em Wisconsin e Fenley diz que terá acesso "em breve". Quando começar a operar, a Crossies deve oferecer essencialmente o mesmo serviço. Os clientes enviarão suas coleções por correio, a empresa os colocará na nuvem e, se os assinantes pagarem uma taxa de armazenamento, a empresa manterá sua coleção física e permitirá uma interação de compra e venda com outros usuários.

No entanto, não está claro em quanto tempo a operação estará em funcionamento — a empresa se resume a Fenley e seu pai. Mas o empresário está confiante de que pode acertar onde a Murfie falhou, em parte porque ele é o dono do local de armazenamento e por isso planeja gastar bem menos. "Acho que posso gastar menos de cinco por cento do que eles queimavam pela forma como estou construindo as coisas. Eu posso ajudar a fazer isso direito", garante.

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