O punk não morreu: ele é negro, afropunk, é está por Moçambique, África do Sul, Quênia... Brasil
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O punk não morreu: ele é negro, afropunk, é está por Moçambique, África do Sul, Quênia... Brasil

Há 40 anos, o punk rock se espalhava pelo mundo através de bandas como os Sex Pistols, o The Clash e os Ramones. Muitos dizem que quem inventou o gênero foram os britânicos, outros afirmam que os americanos o criaram. Há quem prefira acreditar no nascimento da atitude punk a partir das mulheres, que estão na base da pirâmide das opressões.Mas isso é outra história.

Bandas como Bad Brains, National Wake e Poly Styrene, representaram durante muito tempo o que chamamos hoje de afropunk, que não era apenas apenas rebelde, mas revolucionário. Se você sente falta de novas bandas com a mesma pegada, formadas por gente negra e que fala com propriedade sobre sua realidade social, confira a lista abaixo. Reunimos dez grupos de afropunk contemporâneo espalhados por países da África, Europa, América Latina e América do Norte para você salvar nas suas playlists.

Big Joanie (Reino Unido)

A Big Joanie é uma banda formada apenas por integrantes mulheres. Em Londres, elas representam duas vertentes do punk: o Riot Grrrl, surgido na década de 1990 nos EUA, e o afropunk, uma vez que suas integrantes são negras. Recentemente, elas lançaram o single "Crooked Room" através da gravadora Sistah Punk Records, criada por elas mesmas. O grupo foi formado em 2013 por Stephanie, Kiera e Chardine. Esta última é uma ativista e, recentemente, participou de um TED talk sobre a cena do afropunk. Assista aqui.

TCIYF (África do Sul)

Em Soweto, Na África do Sul, há uma banda de afropunk chamada TCIYF, ou The Cum In Your Face (O gozo na sua cara, em tradução livre). Eles não especificam se é o masculino ou feminino, então cabe a nós interpretar da forma que mais agrada. Formada por quatro integrantes, o grupo faz parte do coletivo de skate de sua comunidade, a Skate Soweto Society. Eles criaram o TCIYF em reação contra os gênero musicais mais populares no local onde vivem, como o hip-hop e o kwaito, por não se sentirem representados por eles.

Generals Of Monrovia (Canadá)

Esta banda canadense foi formada na cidade de New Westminster, em 2015. Eles têm um conceito visual bastante interessante, e bebem na fonte de outros projetos musicais do tipo, como o Gorillaz.

A "história" do Generals of Monrovia é que a humanidade foi extinta — por ela mesma, vale lembrar! — e apenas três pessoas sobreviveram: os três membros do grupo, Sokah, Fee e 55. Em 2018, a banda lançou seu primeiro EP e estão realizando turnês em seu país de origem desde então.

The OBGMs (Canadá)

Em 2007, na cidade de Toronto, amigos faziam festas em garagens e montaram a banda The OBGMs (ou, the oOohh Baby Gimme Mores). Em 2009, eles lançaram o primeiro EP, "Interchorus", e um álbum autointitulado em 2014. Atualmente, o grupo está viajando pela Europa e tocou no festival Afropunk, em Paris.

340ml (Moçambique)

A banda 340ml é uma das mais populares de Moçambique, e foi formada em 2000, na capital do país, Maputo. Hoje, o grupo vive na África do Sul e criou sua própria gravadora, que já assinou com artistas como o sul-africano Bongeziwe Mabandla.

Desde sua formação, a 340ml já lançou dois álbuns: "Moving", de 2004, e "Sorry for the delay", de 2008. No documentário "Punk in Africa", da qual fazem parte, eles aparecem ao lado de Keith Jones e Deon Maas.

Mona (Moçambique)

Não há muita informação sobre a banda Mona na internet. Sabemos que o trio foi criado em Maputo e é formado pelo baterista Goro, o vocalista e baixista Mel Vicious e a guitarrista Monace. Eles cantam em português e inglês.

Para levantar a pequena cena punk de Moçambique, a Mona lançou sua própria gravadora. Eles já promoveram bandas de rock como os White Monkeys.

Chikwata 263 (Zimbábue)

O grupo surgiu em 2013 na capital do Zimbábue, Harare. O quarteto é a considerado um dos primeiros a incorporar instrumentos tradicionalmente africanos ao punk rock, o que é da hora demais. O primeiro álbum da Chikewata 263 se chama "Chauya" e foi lançado em 2015.

Project Black Pantera (Brasil)

Diretamente de Uberaba, em Minas, está a banda representante do Brasil no afropunk. Trata-se da banda Project Black Pantera, formada em 2014. Composta pelos integrantes Charles, Chaene e Rodrigo, o grupo já tem um álbum lançado e é muito ativo nas redes sociais. Eles tocam um som que mistura thrash metal com hardcore e punk. Vale ouvir!

The Brother Moves On (África do Sul)

The Brothers Moves on surgiram em Johanesburgo no ano de 2009. O som dos caras é interessantíssimo, uma mistura de "Electronic Maskandi, Ninja Gospel, Afrikan voodoo pop" e uma pitada de punk. Tudo isso enquanto cantam letras sobre a obsessão das pessoas pelo consumo e pelo dinheiro. É muita, mais muita classe.

Crystal Axis (Quênia)

Por fim, apresentamos a Crystal Axis, um quarteto formado em Nairóbi, capital do Quência, em 2009, por adolescentes. Eles lançaram o primeiro EP, "State of Unease", em 2012, e continuam no radar do afropunk desde então. A banda representa de verdade o que é a essência do punk rock: eles produzem seus próprios instrumentos, são supercultuados pela comunidade local e ajudam a manter viva a cena musical em sua cidade.

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