O que fazer quando casos de assédio começam a minar a indústria da música?
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O que fazer quando casos de assédio começam a minar a indústria da música?

Desde 2017, quando nasceu o movimento #MeToo, contra o assédio e a agressão sexual no cinema hollywoodiano e em outras indústrias culturais, casos do tipo envolvendo personalidades famosas e celebridades não pararam de surgir no noticiário. A cantora britânica Lily Allen, por exemplo, acusou um executivo da Warner Music de tê-la agredido sexualmente. A denúncia da artista, entretanto, não foi levada à frente pela gravadora, que decidiu ignorar o episódio constrangedor. O posicionamento da companhia — e de outras empresas do ramo — acenderam o alerta: como sustentar a indústria da música e permitir que mulheres trabalhem sem estarem expostas a esse tipo de violência?

Como Lily, outras 350 pessoas, sendo a maioria delas mulheres, entraram em contato com o Sindicato dos Músicos da Inglaterra para delatarem casos de abuso de poder, assédio, discriminação de gênero, estupro e violência sexual. Apesar deste número ser grande, acredita-se que ele, na verdade, seja ainda maior. Segundo a "BBC", 85% das vítimas desistem de realizar denúncias por se sentirem vulneráveis e desacreditadas.

Uma fonte anônima do site revelou que foi assediada sexualmente durante uma turnê. Ao realizar sua denúncia aos responsáveis, ela foi automaticamente descartada. "Um grande executivo de gravadora me assediou sexualmente e tentei relatar o caso", contou a mulher. "Sei que não fui a primeira, mas também não serei a última enquanto nenhuma medida for tomada. E, ao que parece, não vai acontecer, pois já é parte da 'cultura' da empresa", desabafou.

Para tentar conter essa avalanche de discriminação e assédio o órgão está organizando uma petição que oriente na elaboração de medidas que garantam mais proteção aos artistas, principalmente aqueles sem emprego fixo. O governo local se pronunciou dizendo que "está avaliando e considerando as melhores alternativas" para transformar a indústria.

De acordo com o sindicato inglês, artistas afetadas por atos do tipo acabam desistindo de suas carreiras, enquanto os autores dos casos continuam por aí, sem enfrentarem as consequências legais para o que fizeram. O órgão realizou uma pesquisa interna, com 30 mil músicos sindicalizados, sobre casos de abuso ou discriminação sexual no trabalho. Dos 725 membros que responderam ao estudo, quase a metade (48%) afirmou que já foi vítima de episódios de assédio.

A pesquisa também revelou que os músicos acreditam que a cultura da indústria fonográfica é a maior barreira para denunciar abusos. "Muitos têm medo de perder o emprego ou ficarem marcados", disse Naomi Pohl, representante do Sindicato. "Principalmente os músicos freelancers."

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