O 'sextou' original: 'Até Que Enfim É Sexta-Feira', uma pérola da era disco no cinema
Na Trilha do LEÃO

O 'sextou' original: 'Até Que Enfim É Sexta-Feira', uma pérola da era disco no cinema

Quando guri, e avesso a carnaval, só me restava a sala de cinema como refúgio. Atualmente, meu festival da folia é feito em casa, com filmes que estão sendo (re)lançados em Blu-ray, com imagens e trilhas restauradas. Uma das pérolas que resgatei neste período momesco foi “Até Que Enfim é Sexta-feira!” (“Thank God It’s Friday”, 1978), que, se na época foi visto apenas como aproveitador do sucesso obtido por “Os Embalos de Sábado à Noite” (“Saturday Night Fever”), hoje, tem muitos detalhes bacanas a revelar, além da ótima trilha disco/black, com artistas da Casablanca Records e Motown.

A Casablanca foi um selo especializado em disco music. Ainda existe, mas mudou o foco. Hoje, representa nomes como MIKA (que vem aí pro Lollapalooza 2020), a atriz Lindsay Lohan, e o DJ Tiësto. E, por incrível que pareça, quando ninguém queria o Kiss, a Casablanca quis (desculpem o trocadilho). Sim, os três primeiros discos dos mascarados, os clássicos “Kiss” (1973), “Hotter Than Hell” (74), e “Dressed To Kill” (75), saíram pela Casablanca, que tinha em seu elenco nomes como Donna Summer, Lipps, Inc. (do hit “Funky Town”). E o divertido Village People, que, junto com o Kiss, praticamente sustentaram a gravadora por um tempo.

Donna Summer em cena de 'Até Que Enfim é Sexta-Feira' (Still/Columbia Pictures/Getty)
Donna Summer em cena de 'Até Que Enfim é Sexta-Feira' (Still/Columbia Pictures/Getty)

Em parceria com a Motown (gravadora que lançou alguns dos maiores nomes da música negra americana), bancaram o filme em questão, que foi lançado seis meses depois de “Os Embalos...”. Em comparação, embora seja tosquinho, é um verdadeiro disco movie: se passa quase que inteiramente dentro de uma discoteca de verdade (a extinta Osko, em Los Angeles, rebatizada para o filme como Zoo). “Os Embalos de Sábado à Noite” era um drama que usava a discoteca apenas como pano de fundo. E teve uma trilha milionária. Mas a do divertido “TGIF” (que, acabou por batizar a famosa rede de fast food americana TGI-Friday’s) era mais disco “raiz”.

Na trilha, comandada no filme pelo DJ Bobby Speed (fictício), temos pérolas do Love and Kisses (a música-título do filme, cheia daqueles arranjos de cordas, que era conhecido como Philly Sound); Pattie Brooks (“After Dark”), Cameo (uma das bandas preferidas de Prince, com “Find My Way”), o produtor musical Paul Jabara (que também atua no filme, e assina “Disco Queen”) e nomes menores como Wright Bros. e Marathon. Também são usados dois tesouros da Motown: Diana Ross (com a versão original para “Lovin’, Livin’ and Givin’") e os Commodores — então com Lionel Ritchie na formação. Aliás, a primeira e única aparição dos Commodores num filme é neste. Eles são a atração da Zoo, e executam “Too Hot To Trot” (e quando chegam na casa o DJ está tocando o hit deles “Brick House”).

Aliás, quem também está no filme é Donna Summer, em sua única aparição como atriz. Ela faz Nicole Sims, aspirante a cantora, que vai até a Zoo para tentar entregar uma demo tape ao DJ (curiosamente, foi desta mesma forma que Madonna estourou na noite nova-iorquina). Depois de várias tentativas — chega a cantarolar no ouvido do DJ “Love To Love You, Baby”, seu mega hit, antes do filme —, acaba conseguindo, e interpreta, ao vivo (sim, sua voz sai live, em cima do playback da música, só com arranjos, é bacana), o clássico “Last Dance”, que acabou dando ao filme um Oscar e um Globo de Ouro (como melhor canção, nas duas categorias)! Mas, quem levou os prêmios para casa foi o produtor/autor da faixa, Paul Jabara.

Para encerrar as curiosidades de “Até Que Enfim é Sexta-Feira!”, o filme traz no elenco Debra Winger (estreando no cinema), Jeff Goldblum (antes da fama) e Terri Nunn, que viria a ser a cantora da banda technopop Berlin. Banda que, curiosamente, ganhou um Oscar pelo tema romântico do filme “Top Gun”, a melosa “Take My Breath Away”. Mas outra vez, quem levou o troféu para casa naquele 1987 foi o produtor (e coautor do hit): o lendário Giorgio Moroder, um dos pais da... disco!

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