Ópera-rock: salvação pra quem odeia musicais
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Ópera-rock: salvação pra quem odeia musicais

Com a entrada em cartaz do hediondo “Cats”, o time de quem odeia musicais no cinema deve ter aumentado enormemente. Lembro que, pra mim, foi difícil encarar “A Noviça Rebelde”, até que percebesse que era um bom filme, no fim das contas. Mas, para quem não curte ver gente cantando, do nada, em filmes (e só vai ver pra não perder a companhia), há toda uma leva de musicais cujas trilhas até resistem fora das telas: são as chamadas óperas-rock.

Um pouco fora de moda, ultimamente, pode-se dizer que o gênero foi criado pela banda inglesa The Who (mais especificamente por seu líder e guitarrista, Pete Townshend), que, no final dos anos 60, lançaram “Tommy”, que, até hoje, está em cartaz mundo afora (passou, novamente, pelo Brasil, em 2019). Além de ter rendido um formidável filme dirigido por Ken Russell, o elenco e trilha-sonora de “Tommy” (1975) não apenas imortalizou Elton John em “Pinball Wizard”, como trouxe também performances incríveis de Tina Turner (“The Acid Queen”) e Eric Clapton. Além da espetacular trilha em si, a cargo do The Who. Até hoje, imbatível.

Tina Turner, Elton John e The Who na coletiva de lançamento do filme 'Tommy', em 1975/Michael Ochs Archives/Getty
Tina Turner, Elton John e The Who na coletiva de lançamento do filme 'Tommy', em 1975/Michael Ochs Archives/Getty

O sucesso de “Tommy” levou Ken Russell a dirigir outra ópera-rock, utilizando Roger Daltrey, o vocalista do Who (que encarnou Tommy no telão), como protagonista do espalhafatoso “Lisztomania” (1975), que apresentava o compositor e pianista Franz Lizst, como se fosse um rockstar. Por isso, o filme é repleto de cenas de histeria de fãs, sexo e loucuras mis. Com pegada mais prog rock, “Lisztomania” tem em seu elenco e trilha Rick Wakeman e o ex-beatle Ringo Starr.

O sucesso destes dois filmes de Russell, na senda ópera-rock, ‘deu ruim’ para o ainda desconhecido Brian De Palma, que, pouco antes, havia lançado o sensacional “O Fantasma do Paraíso” (1974), que acabou passando batido. A trama, que mistura partes de “O Fantasma da Ópera’ com “Fausto”, mostra um compositor e letrista, Winslow (William Finlay), que é tratado como lixo, pelo demoníaco dono de gravadora Swan (Paul Williams). Com o rosto desfigurado numa prensa de vinil, Winslow faz pacto com o diabo e passa a assombrar o clube de rock de Swan, o Paradise. Até que cai de amores por uma jovem cantora, Phoenix (Jessica Harper) que, enfim, fará suas letras serem apreciadas. Hoje, “O Fantasma do Paraíso’” é cult. E, sua trilha, uma das mais requisitadas do gênero.

Nos anos 70 houve também óperas-rock de tons religiosos, como “Jesus Christ Superstar”, musical da Broadway (baseado em álbum conceitual de Andrew Lloyd-Webber e Tim Rice) que chegou aos cinemas em 1973, seguido do também religioso ‘Godspell’, no mesmo ano. Enquanto isso, os pais da matéria, The Who, lançavam “Quadrophenia” (que chegaria aos cinemas em 1979, com Sting), tudo em 1973.

O musical sci-fi “The Rocky Horror Picture Show” (1975), também pode ser categorizado como ópera-rock. Aliás, o gênero compreende, basicamente, álbuns conceituais. Mas, a última grande ópera-rock lançada e filmada foi “The Wall” (1979), do Pink Floyd, que ecoa até hoje nos shows solos de seus integrantes. Em comum, todos têm uma narrativa conduzida por um personagem-chave e, geralmente, são algo trágicas em suas conclusões. O que difere muito dos musicais melosos de sempre.

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