Orquestra promove 'concertos motorizados' pelas ruas de Budapeste
Inspiração

Orquestra promove 'concertos motorizados' pelas ruas de Budapeste

Muitas orquestras pelo mundo estão fazendo transmissões on line de forma inspiradora, como publicado no Reverb. Com diferentes formatos e um repertório variadíssimo, os músicos de câmara vêm adotando a tendência mundial das lives. Mas na Hungria, os integrantes da Orquestra Sinfônica MAV tiveram uma ideia diferente: um carro de som com música clássica.

Como no resto do mundo, as orquestras na Hungria se viram limitadas a transmitir performances de arquivo ou fazer lives por seus canais nas redes sociais. Mas a MAV, em atividade desde 1945 e atualmente com 90 músicos, decidiu fazer algo diferente.

Todos os dias, músicos da orquestra dirigem dois carros com alto-falantes pelas ruas de Budapeste e arredores, tocando gravações de performances passadas. Dessa forma, eles conseguiram encontrar um bom meio termo entre ficar mais próximos de seu público ainda que respeitando o distanciamento social. “As pessoas saíram, mantendo a distância adequada entre si, e começaram a bater palmas e nos dar um sinal de positivo. Alguns deles estavam dançando”, disse o violista Attila Kovács em entrevista ao "The Guardian".

A ideia é essa mesmo, que as pessoas abram suas janelas ou fiquem de suas varandas e portas e desfrutem de música clássica. "Parece que conseguimos deixar diferentes gerações felizes mesmo nesses tempos estranhos e estressantes", observou Attila. O trompetista Kálmán Kovács contou sobre sua experiência ao dirigir o carro na semana passada: uma mulher idosa ficou regendo de sua varanda, um trio de jovens dançou uma valsa de Strauss "como se estivesse em uma boate" e um motorista de caminhão abriu a janela e pediu que o volume aumentasse.

Músicos da orquestra húngara estão levando gravações de concertos para as ruas de Budapeste. Foto: reprodução Youtube
Músicos da orquestra húngara estão levando gravações de concertos para as ruas de Budapeste. Foto: reprodução Youtube

O repertório muda diariamente, mas é sempre originado das gravações da orquestra e com peças leves e animadas. "Não tocaremos, por exemplo, a 'Sinfonia n.º 7 (Leningrado)' de Dmitri Shostakovich", brincou György Lendvai, diretor da orquestra, referindo-se à sinfonia de 1h15 do compositor russo (1943-1975) que é um tributo aos milhões de soviéticos mortos durante a Segunda Guerra.

A ideia do carro de som remete à própria história da Orquestra Sinfônica MAV, fundada pelo chefe de música da empresa ferroviária estatal húngara, que achou que a música era essencial para elevar o espírito das pessoas no pós-guerra.

Ela se tornou uma "ópera rolante", que realizava concertos e óperas sinfônicas em pequenas cidades ou às vezes em fábricas durante a semana. Às sextas-feiras, a orquestra voltava a Budapeste e se apresentava na Academia Liszt. “Mesmo hoje em dia, quando passo por alguma pequena vila de interior e digo que trabalho para na MAV, sempre há algum idoso que diz: 'Oh, a primeira vez que ouvi música clássica ou ópera foi com essa orquestra", conta György.

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