Os 10 melhores discos do rock brasileiro de todos os tempos (versão alternativa)
Na BR-3

Os 10 melhores discos do rock brasileiro de todos os tempos (versão alternativa)

Um gênero vetusto como o rock já tem seu cânone, sua “régua” de clássicos produzidos entre 1965 e 1995 que aparecem em toda votação, lista ou programa com a ambição de mostrar os básicos, os melhores de todos os tempos. No Brasil a coisa não é diferente: “Tropicália ou Panis et Circensis”, Acabou Chorare, Legião Urbana” ou “Dois”, o primeiro dos Raimundos, “Krig-há Bandolo”, “Da Lama ao Caos”, “Clube da Esquina”, etc. Pode conferir, eles estão sempre lá.

Diferentemente do que ocorre no mercado americano e no inglês, por aqui é muito difícil mapear a performance dos álbuns. Nunca tivemos uma parada de sucesso de verdade, as revistas apareciam e sumiam das bancas, trocavam as metodologias dos “melhores do ano” de ano em ano e nem os famosos “discos de ouro” eram representativos (já que eram emitidos pelas próprias gravadoras a partir dos álbuns produzidos, e não a partir dos vendidos). Assim, é muito difícil elencar os álbuns mais marcantes da música brasileira — e o gosto dos votantes e o momento histórico acabam determinando as diversas listas de melhores de todos os tempos.

As capas de ‘Tropicália ou Panis et Circensis’, ‘Acabou Chorare’ e ‘Krig-ha, Bandolo!’ / Foto: Reprodução
As capas de ‘Tropicália ou Panis et Circensis’, ‘Acabou Chorare’ e ‘Krig-ha, Bandolo!’ / Foto: Reprodução

Abaixo, selecionei dez álbuns que não costumam estar nas votações de melhores de todos os tempos, mas que, como diria o pessoal do “Falha de Cobertura”, “têm competência pra isso”. É uma seleção a partir de votações de época de revistas, jornais e outras fontes misteriosas:

‘Lar de Maravilhas’, Casa das Máquinas (1975)

Um dos melhores discos de 1975 na votação da revista “Pop”, “Lar de Maravilhas” é daqueles marcos resistência do “rock pauleira” tentando colorir o Brasil cinzento dos anos 1970. É quase um manifesto sobre a visão idealizada do rock como “uma bomba que acaba com a guerra”, mas, com um time de grandes músicos e a melhor produção possível para a época, o disco faz jus ao rótulo de “clássico”.

‘A Cor do Som’, A Cor do Som (1977)

O primeiro álbum do grupo A Cor do Som foi eleito o melhor de 1977 pela revista “Pop” em 1977. Surgido na comuna futebolística dos Novos Baianos, o quinteto (então quarteto) estava completamente alinhado com a melhor tradição tropicalista e pós-tropicalista, de manter um olho no folclore e nas ruas brasileiras e um olho na contemporaneidade pop. Aqui, a receita mistura choro e música baiana com pop e progressivo. O fato de ser totalmente instrumental (o que diminuiria pelos anos seguintes) ainda dava um certo tom radical à coisa toda. Um belo retrato do rock nacional pré-anos 1980 que funciona muito bem ainda hoje.

‘Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas’, Titãs (1987)

Ensanduichado entre duas obras-primas, “Cabeça Dinossauro” (1986) e “Õ Blesq Blom” (1989), “Jesus” é um disco dividido. Literalmente, quero dizer: um lado (J) elétrico e cheio de guitarras como o antecessor, e, outro lado (T), eletrônico como seu sucessor. Com oito compositores no auge de seu vigor e inventividade, o disco aponta para o futuro sem esquecer dos fundamentos. Muitos hits e clássicos (“Desordem”, “Nome Aos Bois”, “Comida”, “Lugar Nenhum”, “Diversão”) numa fase tão boa que acabou registrada num álbum ao vivo, “Go Back”. Conseguiu a proeza de ser eleito melhor álbum do ano na votação da crítica e do público da revista “Bizz”.

‘Na Calada da Noite’, Barão Vermelho (1990)

Efeito colateral de toda banda visceral, o Barão Vermelho tem uma discografia irregular, com vários discos importantes que redimem passos inseguros anteriores (“Carnaval”, “Maior Abandonado”, “Álbum”). Não é o caso de “Na Calada Da Noite”. Vindo de um desses discos redentores, “Carnaval”, e de um álbum ao vivo de reafirmação (“Barão Ao Vivo”), “Na Calada da Noite” é o trampolim para a construção de uma identidade inconfundível, misturando o rock stoneano com a percussão latina e o uso esperto de instrumentos acústicos. Foi o melhor disco de 1990 segundo os críticos reunidos pela revista “Bizz e o segundo melhor de acordo com os leitores.

‘Arise’, Sepultura (1991)

Obscurecido pelos dois trabalhos seguintes, mais bem aceitos pela comunidade do rock alternativo (“Chaos AD”, de 1993, e “Roots”, de 1996), “Arise” é um dos melhores álbuns de heavy metal extremo de todos os tempos. Na época, o Sepultura já estava estabelecido como uma banda transnacional e contou pela primeira vez com um tratamento condizente com isso. Assim, produziu um álbum que é ao mesmo tempo um resumo de suas origens thrash/death metal, mas salpica pistas do que viria no futuro — metal industrial, punk, hardcore e experimentações. Segundo melhor álbum de 1991 na opinião da crítica e dos leitores da “Bizz”. Um dos “1001 Discos Que Você Precisa Ouvir Antes De Morrer”, de Robert Dimery.

‘Os Cães Ladram e a Caravana Não Para’, Planet Hemp (1998)

Mesmo mantendo o discurso e a imagem de maloqueiragem, em seu segundo álbum o Planet Hemp trabalhou e entregou feito banda grande. Produzido por Mario Caldato Jr. (produtor dos Beastie Boys) e espertíssimo nas referências que iam de Led Zeppelin a Luiz Bonfá, Fernanda Abreu a Elizeth Cardoso, o disco deu tão certo que a banda acabou presa durante sua turnê (o que, no caso do grupo, é atestado de eficiência). Segundo melhor álbum do ano de acordo com o público e crítica da revista “Bizz”.

‘Samba Pra Burro’, de Otto (1998)

Em 1998, o movimento manguebeat estava duplamente encurralado: sem sua principal imagem pública (Chico Science, morto no ano anterior) e sem cruzar a linha do sucesso popular que alguns executivos da indústria esperavam. Otto, percussionista do Mundo Livre S/A (com a Nação Zumbi também no currículo) tomou a radial mais inesperada: lançou-se como cantor, partindo do imaginário do movimento (tecnologia e lama, caranguejos, futurismo cyberpunk e rusticidade pernambucana) em direção a uma música mais melodiosa, elegante e eletrônica. Álbum do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte, melhor disco de 1998 segundo a “Bizz” e 15º melhor da década de 1990 pela revista.

‘Cachorro Grande’, Cachorro Grande (2001)

Na época, entendia-se que a beleza do grupo gaúcho Cachorro Grande estava em sua fixação pelos anos 1960 e seu domínio orgânico da enciclopédia do rock de guitarras à moda antiga. A distância do tempo ajuda a olhar para o Cachorro Grande a partir de suas virtudes verdadeiras: a vontade de fazer rock com autoridade no assunto em um país entregue ao jabá dos sertanejos e ainda assim ser um, bem, “cachorro grande” no cenário. Inocência, claro. Mas que deixou uma grande coleção de músicas e alguns discos ótimos, como a estreia de 2001, lançado pelo pequeno selo Stop Records. Ficou em 9º lugar na lista da “Folha de S.Paulo” dos 50 grandes álbuns dos anos 2000.

‘Nadadenovo’, Mombojó (2004)

O que Otto fez pelo mangue em termos de melodia, o Mombojó fez em termos de harmonia. E climas: essencialmente urbano, o grupo rompeu com o folclore bebendo em águas claras em um leito que une música cafona, pós-rock, jazz e psicodelia. Seu primeiro álbum, “Nadadenovo”, continua sendo o melhor cartão-postal de sua discografia (vale procurar a recente edição em vinil, do Três Selos). Disco do ano na votação organizada pelo portal “Scream & Yell” e um dos 50 álbuns do ano 2000 segundo a “Folha de S.Paulo”.

‘Cansei de Ser Sexy’, CSS (2005)

O fato de serem fruto do início era do streaming no Brasil (o portal “Trama Virtual”), de terem de fato acontecido internacionalmente e de nunca terem sido entendidos direito garante ao CSS tanto seu lugar na história do pop nacional quanto sua carteirinha de pertencimento à linhagem tropicalista. Mistura de new wave, indie rock, synthpop e música da turma do fundão. O disco de estreia da banda foi o melhor do ano segundo o “Scream & Yell” e o terceiro segundo os jornalistas da “Bizz”.

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