Os poderosos do pop: como fãs se tornaram ‘chefes’ na música
Entretenimento

Os poderosos do pop: como fãs se tornaram ‘chefes’ na música

A história da música e dos relacionamentos entre ídolos e seus fãs mostra que os admiradores sempre tiveram papel de destaque na indústria. Como consumidores do conteúdo produzido por artistas, fica óbvia e necessidade de manter laços fortalecidos com uma base de seguidores. Porém, com o advento das redes sociais e o aparente estreitamento na relação entre os dois lados, o papel dos fãs se intensificou. Em tempos em que a sua quantidade de seguidores abre novos caminhos em termos de negócios, artistas seguem uma tendência desafiadora: a de redirecionar aos fãs a figura de um "chefe".

Pegue como exemplo o novo álbum do girl group Little Mix. O quarteto britânico optou por chamar o trabalho de "LM5" porque era sob essa alcunha que os fãs estavam se referindo ao projeto nas redes sociais. Não houve uma enquete para traçar preferências, mas se deu ouvidos a uma tendência lançada pela fan base.

Drake também é um bom exemplo ao falarmos do assunto. Se ao lançar o clipe de "God's Plan", o rapper caminhou pelas ruas de Miami distribuindo dinheiro para seus seguidores, em "In My Feelings" o astro incorporou vídeos de fãs e celebridades que participaram de um desafio que viralizou na internet. Não havia como ignorar a tendência lançada nas redes, ainda mais quando seus fãs esperavam uma reação do canadense ao movimento viral.

Em agosto deste ano, Matt Healy e os companheiros da 1975 levaram uma dezena de fãs para gravar o clipe de “TooTimeTooTimeTooTime”. Todos cantam alegremente ao lado dos ídolos enquanto painéis coloridos são expostos em segundo plano.

Dar espaço para os fãs não é algo novo, você vai dizer. De fato. Nos primórdios dos anos 2000, os Backstreet Boys já haviam reunido admiradores para gravar o vídeo do hit "I Want It The Way". Em 2002, Björk pediu aos fãs que escolhessem o que ela colocaria no álbum de seus maiores sucessos. Porém, em tempos como o que vivemos, o contador de seguidores em redes sociais expandiu barreiras criadas na relação fã-ídolo.

Há alguns anos, uma demanda dos fãs que necessitasse grandes quantias de dinheiro de gravadoras e executivos da indústria seria tranquilamente ignorada. Em 2006, fãs de Beyoncé fizeram um abaixo-assinado em que pediram que ela regravasse o clipe de "Déjà Vu". Foram ignorados, é óbvio. Mas a atitude não seria tão óbvia em pleno 2018. Atualmente, a força de uma boa base de fãs é tão grande — dado ao seu potencial de expandir negócios online — que até uma regravação de "Déjà Vu" poderia ser cogitada.

O streaming permite que fãs ouçam a maioria de seus artistas favoritos em menos de três cliques na tela do celular. Por conta disso, estrelas da música e suas entourages precisam fazer o contador do engajamento rodar. E abanar as vontades de seus seguidores é um ótimo primeiro passo.

Com informações do "The Guardian".

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest