Ousada, Illy subverte clássicos do repertório de Elis Regina com enfoque transgênero musical
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Ousada, Illy subverte clássicos do repertório de Elis Regina com enfoque transgênero musical

"Desde o início, eu sabia que estava mexendo num vespeiro", conta Illy, sobre a escolha do repertório de Elis Regina (1945-1982) para o álbum-tributo "Te Adorando Pelo Avesso", lançado em abril como homenagem à eterna Pimentinha. Em entrevista ao Reverb, por e-mail, a cantora baiana de 32 anos dividiu a grande admiração que nutre pela artista gaúcha — que teria completado 75 primaveras em abril de 2020 — e o poder de se afirmar intérprete na indústria da música de hoje. Com live especial no último dia 26 de maio, Illy apresentou, pela primeira vez ao público, as próprias versões de "Como Nossos Pais", "Alô, Alô, Marciano" e mais algumas das dez canções do novo trabalho.

"Elis é a maior cantora do planeta. Claro que nunca quis nenhum tipo de comparação. Até por isso, fiz essa homenagem às avessas e isso fica claro no título e na capa", diz Illy. A cantora subverteu os gêneros musicais de diversas canções do álbum — a releitura de "Como Nossos Pais", por exemplo, foi em ritmo de ska. "Minhas versões são totalmente opostas (às originais). Isso tem gerado uma reação muito boa nas pessoas. Mas claro que tem gente que não aceita algo tão moderno com esse repertório, por mais que tenha tudo sido feito com o capricho e o respeito que Elis merece."

Capa oficial do álbum "Te Adorando Pelo Avesso", trabalho com novas versões de clássicos interpretados por Elis Regina, agora, na voz de Illy / Foto: Divulgação
Capa oficial do álbum "Te Adorando Pelo Avesso", trabalho com novas versões de clássicos interpretados por Elis Regina, agora, na voz de Illy / Foto: Divulgação
Faço questão de bater no peito e me assumir como intérprete

Nas performances solo e nas faixas com participações de convidados como o rapper Baco Exu do Blues ("Me Deixas Louca"), 24, e o cantor Silva ("Atrás Da Porta"), 31, Illy mostra a potência e a doçura de sua voz e de seu temperamento — ponto principal de divergência com Elis. "Ela era a Pimentinha, eu sou a baiana zen", brinca, mas sem deixar de lado as similaridades como admiradora. "No palco, acho que, em algum momento, há semelhanças no jeito de dançar e de me portar. Muito mais por Elis ser uma referência para mim."

Sobre a relação com interpretar músicas de outros compositores, Illy é firme. "Desde meu primeiro trabalho, faço questão de bater no peito e me assumir como intérprete", diz. "Elis já chamava atenção na sua época exaltando o trabalho árduo das intérpretes. Nossa função também é pesquisar canções que, somadas à força da nossa interpretação, tragam emoção e bem-estar ao público."

Quando perguntada sobre o que gostaria de dizer a Elis e sobre o que diria em resposta caso a Pimentinha ouvisse as 12 faixas do álbum "Te Adorando Pelo Avesso", Illy elabora: "Eu diria que foi feito com coragem, carinho e atitude que herdei artisticamente dela. Gostaria de ouvir: "Ousada você, hein?! Tá bom pra caralho!"

A cantora baiana, que, além das conquistas profissionais, se tornou mãe em dezembro de 2019, já coleciona planos para próximos trabalhos. "Tenho um segundo disco de inéditas que estava ganhando forma quando me joguei no 'Te Adorando Pelo Avesso'. Quando esta onda triste passar (a pandemia de coronavírus), pretendo fazer shows com esse disco, levar ainda "Voo Longe" (primeiro álbum de estúdio, lançado em 2018) para os estados que ainda não fui. Tenho também um single gravado cantando "Desafio", que ainda não sei quando vou conseguir botar na rua."

Illy pretende lançar segundo álbum de inéditas assim que "essa onda triste passar" / Foto: Divulgação
Illy pretende lançar segundo álbum de inéditas assim que "essa onda triste passar" / Foto: Divulgação

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