Øya, o festival na Noruega que quer ser o 'mais verde' do mundo
Inspiração

Øya, o festival na Noruega que quer ser o 'mais verde' do mundo

Na semana em que se confirmou o cancelamento do Woodstock 50, festival que celebraria o mítico evento de 1969, nos Estados Unidos, uma outra produção ganhou o noticiário internacional, divulgando uma maneira diferente de reunir multidões em torno de shows de rock e música pop. A cada nova edição, o Øya, que deve reunir 60 mil pessoas entre os dias 6 e 10 de agosto no Tøyen Park, em Oslo, capital da Noruega, se empenha em criar alguma alternativa sustentável e que provavelmente servirá como inspiração para outros eventos espalhados pelo mundo. Ele está no front de uma "onda verde", mais presente do que nunca nos festivais de música internacionais, principalmente na Europa.

Com o aprendizado acumulado desde a primeira edição, em 1999, o festival, que nesta edição terá grande nomes como The Cure, Tame Impala, Christine & The Queens e Erikah Badu, já é considerado o mais verde e ecologicamente correto do mundo.O empenho para reduzir o lixo e as emissões de carbono vem desde 2004, lembra o produtor Claes Olsen, um dos criadores do evento. Há quatro anos, eles adotaram políticas como parar de distribuir pratinhos ou talheres descartáveis de plástico na praça de alimentação do festival. No lugar disso, utilizam itens de materiais biodegradáveis, feitos a partir de farelo de trigo. Os pratinhos são comestíveis. Legal, né?

Outra mudança radical foi banir os geradores de diesel para a eletricidade dos palcos, iluminação, caixas de som, etc. A alternativa dos organizadores foi investir em painéis solares instalados ao redor do evento. Na questão de resíduos de difícil descarte, como óleo de cozinha usado para fritar alimentos, a saída do festival foi recolher esse material para ser reutilizado como combustível dos caminhões de equipamento.

Todo o óleo usado para fritar alimentos no festival Øya é recolhido e reutilizado como combustível para os caminhões do evento/Reprodução/Instagram
Todo o óleo usado para fritar alimentos no festival Øya é recolhido e reutilizado como combustível para os caminhões do evento/Reprodução/Instagram
Geradores a diesel foram banidos do festival. Toda energia é gerada a partir de painéis solares/Reprodução/Instagram
Geradores a diesel foram banidos do festival. Toda energia é gerada a partir de painéis solares/Reprodução/Instagram

Para ajudar na redução de gases efeito estufa, a equipe do festival monta anualmente um bicicletário enorme, preparado para receber o público que vem de bike — e realmente fica lotado de magrelas, como você pode ver na imagem abaixo. Na questão do lixo, o Øya trouxe uma novidade na edição desse ano: não irá mais usar copos plásticos. Agora, cabe a cada um levar o seu, como os jovens fazem nas chopadas das universidades do Brasil.

A questão da comida também é um compromisso no Øya. Todos os restaurantes no festival têm que oferecer ao menos uma opção vegetariana, e 95% dos alimentos utilizados na preparação das receitas precisam ser orgânicos.

Além dessas mudanças que afetam diretamente o comportamento do público, os organizadores do evento também estão engajando os artistas nessa conversa sobre meio ambiente. Por isso, uma agência especializada em sustentabilidade foi contratada para prestar consultoria aos cantores e bandas que se apresentarão neste ano no festival. Baseada em Londres, a Paradigm Agency cria "soluções verdes" para as demandas durante turnês e viagens a shows.

Apesar dos esforços, nem todos se submetem a essas transformações, que vão desde utilizar o transporte público em vez do particular, evitar ao máximo fazer viagens de avião e realizar, ao menos, dois dias de refeições 100% vegetarianas na semana. Mas artistas noruegueses como Sigrid e Unge Ferrari — que é garoto propaganda do carro elétrico da Jaguar — entraram na dança, como reportou a "Billboard".

Ao fim do evento, voluntários se organizam para separar o lixo reciclável do que é material orgânico ou não reciclável/Reprodução/Instagram
Ao fim do evento, voluntários se organizam para separar o lixo reciclável do que é material orgânico ou não reciclável/Reprodução/Instagram
Na Brasil, essa ideia pode parecer absurda, mas em Oslo a galera realmente vai de bike pro festival. Veja por exemplo o estacionamento de bikes do Øya/Reprodução/Instagram
Na Brasil, essa ideia pode parecer absurda, mas em Oslo a galera realmente vai de bike pro festival. Veja por exemplo o estacionamento de bikes do Øya/Reprodução/Instagram

Achou todo esse papo de sustentabilidade exagerado? Pois, então, vamos aos números: segundo um relatório feito pela Ticketmaster, festivais americanos de grande porte como Coachella e Stagecoach geram 100 toneladas de lixo por dia. É muita coisa, certo?

Pensando nisso, organizadores do Glastonbury, na Inglaterra, proibiram a venda de garrafas plásticas de uso único em todo o festival nesse ano. Em relação à edição anterior do evento, foram economizadas mais de 1 milhão de garrafas de água. O próprio Coachella está fazendo pequenos ajustes, e em 2019 baniu o uso de canudos plásticos. Mas as medidas ainda são um tanto tímidas perto dos esforços feitos pelo Øya. Os noruegueses já se preparam para passar da "sutentabilidade total" para a "reusabilidade". Como compara Ingrid Kleiva Moller, produtora: "Um festival é como uma cidade pequena — com cidadãos, prédios de escritórios, ruas, banheiros, bares, estacionamento de bicicletas, obras, consumo de alimentos. É uma arena ideal para experimentar em soluções de inovação e sustentabilidade".

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