Pablo Martins injeta soul no rap nacional e evita repercutir polêmica com Xamã: ‘Nunca me neguei a resolver’
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Pablo Martins injeta soul no rap nacional e evita repercutir polêmica com Xamã: ‘Nunca me neguei a resolver’

Menino Damáfia” foi o nome escolhido por Pablo Martins para seu primeiro EP por se tratar "quase" de seu alter ego. A incerteza vem do fato de que o rapper acha que o personagem não é exatamente outra pessoa, mas também não é uma reprodução fiel de sua essência. O fundador da 1 Kilo, selo independente de rap, acredita que o tal menino uma representação de um jovem “preparado por pessoas bem sucedidas em várias áreas da sociedade para assumir grandes responsabilidades e tomar grandes decisões”.

“Ele tem uns traços meus e eu tenho uns traços dele. O jeito que eu me expresso no EP é bastante dele. Ele consegue trazer o que eu sinto e ao mesmo tempo ele consegue ultrapassar a barreira do imaginário e fazer a pessoa ir mais além do que propriamente o que eu estou dizendo”, explica Pablo, em entrevista ao Reverb.

Pablo Martins cresceu ao redor de músicos / Foto: João Paulo Casalino / Divulgação
Pablo Martins cresceu ao redor de músicos / Foto: João Paulo Casalino / Divulgação

Pablo cresceu em uma família musical. Sua mãe teve uma extensa carreira como backing vocal e, por quase uma década, ela chegou a acompanhar Roberto Carlos. À época, Pablo era, de fato, apenas um menino, que ficava observando o movimento dos bastidores. “Eu acabei sendo criado pelos músicos que compunham o background do artista, os músicos contratados, a galera. Pessoas que faziam parte das bandas, mas não eram os artistas principais”, relembra o cantor.

“Esses músicos na maioria das vezes tinham trabalhos paralelos associados à MPB e jazz, que eu acompanhei desde bem pequeno. Além disso, minha mãe sempre me levava para os shows desses músicos. Eu lembro de sempre estar dentro de estúdio”, diz.

A presença no meio artístico fez Pablo beber das influências não só de nomes reconhecidos pelo grande público, mas também dos amigos de sua mãe. Ele quer ampliar a musicalidade do hip-hop nacional, gênero pelo qual se tornou conhecido, e dar a ele mais influências do jazz e do soul. “Cada vez mais eu vou tentando — e consigo ser — a junção do soul, do jazz, da bossa nova, da MPB com o hip-hop que a gente faz. A ideia do EP é bem essa: trazer um hip-hop nacional que tenha essas pegadas de soul e do jazz.”

‘A ideia do EP é bem essa: trazer um hip-hop nacional que tenha essas pegadas de soul e do jazz’, diz Pablo / Foto: Guilherme Gabo / Divulgação
‘A ideia do EP é bem essa: trazer um hip-hop nacional que tenha essas pegadas de soul e do jazz’, diz Pablo / Foto: Guilherme Gabo / Divulgação

Nos gêneros musicais americanos, Pablo cita o bluesman B.B. King (1925-2015) e o gênio do jazz John Coltrane (1926-1967) como referências. No campo da MPB, ele destaca Djavan como um inusitado representante do soul. “Tem uns artistas assim que foram muito minhas referências e que eu vejo que ‘ali’ é muito soul. Djavan é uma peça importante para mim, assim como o Caetano, que não é um cantor de soul mas que você vê que tem essa pegada. Djavan, Caetano, Milton, Gil… Eles são o tipo de mensagem que eu quero passar”, ressalta.

As letras de Pablo contam histórias que não são fáceis de ouvir, mas refletem a realidade, principalmente de cidades como o Rio de Janeiro. Ele compartilha em suas letras histórias de amigos que conheceu, em sua maioria, através da música. “Quando eu comecei a trabalhar com música, passei a ter muita vivência com quem morava nas comunidades e, na própria 1Kilo, passava quase 24 horas com gente até deu até oportunidade de dar um lugar para dormir ali”, ele conta. Entre essas músicas, esta “Talvez”, uma parceria com Hélio Bentes, do Ponto de Equilíbrio, cuja letra fala sobre a violência armada.

Os problemas sociais são pauta recorrente no trabalho solo de Pablo, mas sem perder a esperança. Na faixa que dá título ao EP, ele se refere à vida como um jogo que, apesar dos esforços dele e de seus companheiros, segue “sujo”, mas isso não tira deles a esperança por dias melhores. “Eu sinto vários jogos sujos na verdade, mas eu me referia à política e à música, que são aqueles que têm um impacto maior na minha vida. Não acho que são jogos 100% sujos, mas acho que há uma sujeira dentro desses ‘jogos’”, explica.

Heitor Gomes, do Charlie Brown Jr., aparece em “Segredos”. “Eu sempre fui o maior fã da banda e tive o prazer de ser convidado para fazer os tributos que eles estão fazendo. Dali já tive uma vivência muito boa com eles todos e a gente acabou criando uma relação. Sempre converso, tiro dúvidas, pergunto opinião. E o Heitor foi com quem a gente criou mais laços”, conta. Das faixas do álbum “Cuidar de Mim” é a favorita. “Eu sempre fiz música para entregar um sentimento para as pessoas, e essa talvez seja a música mais Pablo Martins do disco por conta dessa relação que eu tenho que é muito forte com a minha esposa.”

Recentemente Pablo se envolveu em uma polêmica com outro rapper, Xamã, que fazia parte da 1Kilo. Após sair repentinamente do selo, o músico da zona oeste do Rio lançou “Renascimento”, música com o coletivo Poetas no Topo, em que se refere aos colegas da produtora de Pablo como “vagabundos”. Em outro verso, ele diz que “o Pa gastou toda minha grana com maconha e biatch. Até hoje me pergunto: Por que não te bati?”. “Pa” seria uma referência a Pablo.

“Isso é uma questão que os advogados da 1Kilo têm para resolver e é uma questão que eu acho que nunca me neguei a resolver. Sendo que isso parte de uma resolução que a parte jurídica da 1Kilo tem que ter, e que é a melhor forma (de lidar). Eu prefiro nem me pronunciar porque eu acho que eu tenho que propagar coisas que vão fazer bem às outras pessoas, sinceramente.”

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