Paramore não vai mais tocar 'Misery Business' ao vivo e a explicação é muito coerente
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Paramore não vai mais tocar 'Misery Business' ao vivo e a explicação é muito coerente

Dizer que "Misery Business" é o maior sucesso do Paramore não é exagero. Mesmo assim, a partir de agora, a música não será mais tocada em shows da banda liderada por Hayley Williams. A justificativa é bastante coerente: a cantora não reconhece mais nos versos da faixa um discurso condizente com o que ela, em 2018, pensa. E, se a gente parar para analisar a letra, ela realmente apresenta versos que destoam da personalidade de Hayley, atualmente com 29 anos e que se reconhece como feminista.

Na última sexta-feira, durante um show no Art + Friends Festival, em Nashville, nos EUA, Hayley anunciou para a plateia que aquela seria a última vez que o grupo tocaria "Misery Business".

"É uma escolha que fizemos porque achamos que deveríamos. Nós sentimos que é hora de nos afastarmos disso por enquanto", disse Hayley, antes de cantar pela última vez o sucesso de 2007. A música apresenta uma história que coloca mulheres como inimigas e cujo background é a disputa por um homem.

Na letra composta por Hayley, há versos que não carregam em seus significados aspectos da sororidade. Pelo contrário, reforçam posicionamentos que diminuem a figura feminina, como o body shaming (termo em inglês para o ato de fazer a pessoa se sentir envergonhada pelo corpo que tem) e o slut shaming ("uma vez vagabunda, sempre vagabunda. Me desculpe, isso nunca vai mudar" e "ela tem o corpo como uma ampulheta"). Durante a performance derradeira da faixa, a líder do Paramore não cantou esses versos.

Em 2015, Hayley já havia demonstrado sua incompatibilidade com a letra escrita quando tinha 17 anos. "'Misery Business' não é uma letra com a qual eu me identifique sendo hoje uma mulher de 26 anos. Eu não me identifico mais com ela há algum tempo. Essas palavras foram escritas por mim quando eu tinha 17 anos, a partir de uma perspectiva muito limitada", disse em uma publicação no Tumblr.

“A música veio de uma página no meu diário. O que eu não sabia na época era que estava me alimentando de uma mentira que eu havia comprado, assim como tantos outros adolescentes - e muitos adultos - antes de mim. A coisa toda de 'eu não sou como as outras garotas', de 'a religião das garotas legais'. O que é isso? Quem são os guardiões do que é ser uma 'garota legal? Eles são todos homens? São mulheres que colocamos em cima de um pedestal inacessível? O problema com a letra não é que eu tive um problema com alguém do meu ensino médio. É a forma como eu tentei atingi-la usando palavras que não pertenciam àquela conversa. É o fato de que a história foi criada dentro do contexto de uma competição que não existia em algum romance de fantasia”, afirmou, posteriormente, ao "Track7".

O Paramore estourou no final dos anos 2000, surfando na onda de pop rock com pitadas de emo que fazia sucesso na época. “Misery Business” foi o principal single do segundo álbum de estúdio da banda, “Riot!”, que trazia ainda "That's What You Get", outro hit do trabalho.

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