Pat Corcoran, o empresário que ajudou Chance The Rapper a se manter independente
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Pat Corcoran, o empresário que ajudou Chance The Rapper a se manter independente

Chancelor Jonathan Bennett e Pat Corcoran conseguiram, sozinhos, mostrar que é possível ser independente e abrir novas diretrizes na indústria da música. Se você não reconhece os nomes de cara, saiba que eles são Chance The Rapper, vencedor de três Grammys em 2017, e seu empresário. Nativos da cena musical de Chicago, a dupla conseguiu mostrar que o mercado está sim pronto a reconhecer artistas que mantêm o controle de seu próprio projeto. Mas a ideia de ter nas próprias mãos as decisões da carreira não foi algo pensado desde o princípio.

A vida dos dois se juntou ao acaso. Pat era um jovem estudante de Chicago que tinha um blog sobre música com os amigos. O grupo produzia shows e tentava realizar eventos mas, com o tempo, Pat percebeu que não queria fazer aquilo. Ao conhecer a banda Kids These Days, também da cena de Chicago, começou a trilhar a subir os primeiros degraus em sua carreira como empresário.

“Eu virei a sombra do empresário deles. Fazia de tudo. Vendia merchandising, comprava lanche, eu estava sempre ao redor”, contou Pat em entrevista à “Complex”. A história promissora de quem hoje integra listas de nomes importantes da música da “Billboard” e da “Forbes” mostra que é possível viver do sonho estando no lugar certo, com as pessoas certas.

Pat e Chance estão juntos desde o começo da fama do rapper de Chicago / Foto: Getty Images
Pat e Chance estão juntos desde o começo da fama do rapper de Chicago / Foto: Getty Images

O primeiro encontro com Chance aconteceu em uma festa na casa de amigos. “Não foi dos mais amigáveis. Chance estava ‘causando’ e eu fiquei me perguntando quem era aquele cara”, diz. Depois, Pat teve a oportunidade de ver Chance se apresentar em uma festa. Ali, ele ficou impressionado com o talento do rapper. Os dois se reencontraram durante uma gravação de videoclipe outros artistas na casa dos pais de Pat. Chance apareceu para acompanhar e os dois, entediados, começaram a conversar.

“Eu falei que se um dia ele precisasse de qualquer coisa, se houvesse algo que eu pudesse fazer para trabalhar com ele, que eu faria. Duas semanas depois eu estava levando um pessoal para uma rádio e o pai do Chance estava lá. Começamos a conversar e ele estava interessado em entender qual era a melhor forma de fazer o primeiro show do Chance em Chicago”, relembra Pat. O empresário disse o que achava melhor a ser feito e acha que, ali, Ken Bennett, pai de Chance, percebeu que ele estava realmente disposto a cuidar de Chance.

“Algum tempo depois, eu estava no jantar de aniversário do meu pai e recebi uma ligação do Sr. Bennett falando que tinha conversado com o Chance e que eles achavam que eu seria um bom empresário. Marcamos de jantar no dia seguinte”, diz. Ao se encontrarem, Pat ouviu do pai de Chance palavras sinceras e acalentadoras: “Ele disse: ‘eu sei que você não tem muita experiência, mas tudo bem. Seu trabalho é ajudar o Chance a ter o reconhecimento que ele merece. Michael Jordan não foi o melhor jogador de basquete da história, ele foi apenas o mais reconhecido. O seu trabalho é pegar o Chance e o tornar conhecido. O que quer que vocês não saibam, vocês vão aprender juntos’”.

Dali para a frente, os dois se juntaram. Pat lembra que foi difícil contar aos pais que deixaria de estudar para acompanhar um jovem que “eles nem conheciam”. Eles, é claro, não receberam a notícia da melhor das maneiras e obrigaram o empresário a fazer aconselhamento familiar. Pat combinou que iria às sessões se os pais lhe dessem ouvidos. “Falei que esgotaríamos o show no Lincoln Hall (casa de shows em Chicago) e que seria insano”, afirma. A previsão se cumpriu.

Com a ajuda do pai de Chance, foram semanas de divulgação indo de escola em escola para anunciar o show. Na última sessão antes da apresentação, até o próprio terapeuta já tinha percebido que a apresentação seria um sucesso. “No último dia, o terapeuta entrou na sala e disse que havia ouvido sobre o show no rádio. Eu olhei para os meus pais e disse: ‘viu’”. Com o sucesso do show, os pais de Pat deram a ele um ano para tentar a carreira ao lado de Chance. Se não desse certo, ele teria que voltar a estudar.

Três Grammys e dezenas de festivais depois (em 2017, Pat subiu ao palco ao lado de Chance para receber o prêmio de “Artista revelação”), parece que a escolha foi certeira. A decisão para se manter independente nunca foi consciente. Foi algo construído de reunião em reunião, encontro em encontro. “A gente não sabia o que os contratos diziam, nem como eles eram montados. Eu não tinha uma função de dizer sim ou não, eu queria ajudar o Chance. Não tinha a intenção de ser um rei (e decidir), eu queria ser um conselheiro, algo como um Tyrion (personagem da série “Game of Thrones”). Eu costumo dizer que não há nada muito grande ou muito pequeno a ser feito. Se o Chance me liga e pede para eu ajudá-lo com a árvore de Natal, eu vou. Se ele diz que quer ter Kanye West no seu álbum, eu digo ‘vamos’”.

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