Paul Nicklen: autor da capa do novo álbum do Pearl Jam é ativista premiado e com 6,4 milhões de seguidores no Instagram
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Paul Nicklen: autor da capa do novo álbum do Pearl Jam é ativista premiado e com 6,4 milhões de seguidores no Instagram

Quando for lançado no dia 27 de março, "Gigaton", o 11° álbum de estúdio do Pearl Jam, vai trazer faixas inéditas aguardadas há sete anos pelos fãs — o anterior foi "Lightning Bolt", em 2013. Além disso, virá carregado por uma forte mensagem ecológica. A começar pelo título, que se refere à escala usada pelos cientistas para medir a perda das maiores camadas de gelo da Terra, e à capa, que traz a imagem de uma geleira derretida na Noruega feita pelo premiado fotógrafo e biólogo canadense Paul Nicklen.

Uma gigatonelada é equivalente a mais de 100 milhões de elefantes ou 6 milhões de baleias azuis. Para se ter ideia, a Groenlândia perdeu, entre 2000 e 2008, nada menos que 1.500 gigatoneladas de gelo. Um assunto tão grave ligado ao meio ambiente que ganha destaque nesse novo trabalho do Pearl Jam, banda bem conhecida pelo ativismo em causas humanitárias e ecológicas. A foto de Paul Nicklen reforça a urgência dessa grave consequência do aquecimento global.

Capa do novo álbum do Pearl Jam. Foto: Divulgação
Capa do novo álbum do Pearl Jam. Foto: Divulgação

A fotografia, intitulada "Ice Waterfall" foi feita em 2014 em Svalbard, na Noruega. "O Ártico pode ficar completamente desprovido de gelo marinho durante os meses de verão nos próximos 10 a 20 anos. Essa cena impressionante é um lembrete da fragilidade desse ecossistema gelado", descreve o fotógrafo no no site da National Geographic.

A admiração entre fotógrafo e banda é mútua. Em seu Instagram, Paul publicou, há dois meses, uma foto com uma prancha de surf, presente do vocalista: "Que semana divertida. Minha imagem não só apareceu na capa do novo álbum do Pearl Jam, mas Eddie Vedder me enviou uma prancha de surf autografada com a minha imagem de narvais em fibra de vidro. Este está indo na minha parede", escreveu na legenda.

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Paul recebeu em janeiro a Ordem do Canadá, entrando para o Hall da Fama da Fotografia Internacional. “Fiquei impressionado por estar entre os outros indicados. São pessoas incríveis que eu sempre admirei, eu tive que me beliscar algumas vezes. A Ordem do Canadá me permitirá levar políticos e líderes corporativos para tentar resolver os problemas com os quais os canadenses se preocupam”, diz ele em entrevista ao "Vic News".

Fundador ao lado da fotógrafa Cristina Mittermeier do SeaLegacy, organização dedicada a aumentar a conscientização sobre a conservação marinha, Paul passou sua infância literalmente no gelo. Aos 4 anos mudou-se com a família para Kimmirut, na ilha de Baffin, norte do Canadá; eles eram uma das duas únicas famílias não-inuítes (esquimós) da pequena comunidade. "Eu aprendi a congelar", diz ele ao "The Guardian". Uma habilidade que, sem dúvida, o preparou para se tornar um dos principais fotógrafos de vida selvagem polar do mundo. "Se você deseja tirar a melhor fotografia de um ecossistema em particular, precisa estar confortável onde quer que esteja", ensina ele, que costuma dizer que fica muito mais à vontade com os ursos do que nas ruas de Nova York.

Formado em biologia marinha, Paul tem quatro livros publicados. O último, "Born to Ice", de 2018, reúne centenas de fotos, a maioria feita para a "National Geographic" e ótimas histórias. Como a que ele relatou, recentemente, em suas redes sociais: "Em raras ocasiões uso câmeras remotas para me aproximar dos animais, prefiro chegar perto, desde que o animal esteja seguro e relaxado. Nesse caso, o urso estava curioso e um pouco focado demais na minha pequena câmera. Eu amo como ele apenas ficou lá e me encarou enquanto fazia isso. Eu tirei uma foto dele com esta câmera, mas ela nunca foi incluída no material final".

Urso fotografado por Paul Nicklen. Foto: Reprodução Instagram
Urso fotografado por Paul Nicklen. Foto: Reprodução Instagram

Paul tem muitos prêmios de fotografia, como cinco World Press Photo e o de Fotógrafo da Vida Selvagem do Ano do Natural History Museum e BBC Wildlife. Um reconhecimento que vai além do meio profissional, bastando olhar o estupendo números de seguidores no Instagram: 6,4 milhões. A fama não o distrai de seu do que ele sempre diz ser objetivo final de seu trabalho: a oportunidade de educar e inspirar as pessoas sobre a conservação. “A fotografia tem o poder de derrubar os muros da apatia, pegando as pessoas pelo coração e depois ensinando alguma coisa a elas. Você pode mudar de ideia, mas primeiro precisa fazer essa conexão emocional”, opina.

Desde 2014, com a criação do instituto SeaLegacy, Paul vem se dedicando a educar as pessoas sobre o estado dos oceanos em busca de mudanças duradouras. “As coisas estão indo muito bem com o SeaLegacy. Fizemos uma campanha de final de ano que resultou em mil novas pessoas entrando no The Tide, nosso programa de assinatura mensal onde os membros têm acesso exclusivo dos bastidores de nosso trabalho", disse ele.

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