Pink Floyd 'Live at Pompeii': 7 curiosidades incríveis sobre o clássico show
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Pink Floyd 'Live at Pompeii': 7 curiosidades incríveis sobre o clássico show

Uma live do Pink Floyd seria pedir muito, mas a banda britânica está disponibilizando grandes concertos históricos durante a pandemia do novo coronavírus. Nesta sexta-feira (24/4) é a vez de "Live At Pompeii", que ficará no canal oficial do Pink Floyd do Youtube por 24 horas."É o único filme que mostra o grupo trabalhando junto no estúdio", valoriza o diretor, o francês Adrian Maben, referindo-se aos trechos de "overdubs" de "Echoes" em Paris e o trecho com "making of" de "Dark Side of the Moon" registrado em Londres. Adrian diz que o clima entre os músicos do Pink Floyd era de ótimo senso de humor, muita risada. "Às vezes, parecia que a gente estava no meio de um esquete do Monty Python", lembra.

O Pink Floyd anunciou no Twitter há alguns dias que iria disponibilizar shows marcantes de sua carreira na plataforma de vídeos. "Iniciamos com esta performance histórica e esperamos que todas possam desfrutar enquanto #stayhome", escreveu na rede social. A primeira foi "Pulse", no dia 17/4; "An Hour With Pink Floyd" será exibido dia 1º/5 e "David Gilmour Live At Pompeii", dia 8/5. Agora, é o incrível concerto feito no sítio arqueológico de Pompéia em 1971, com a banda em sua formação clássica: David Gilmour na guitarra e vocal, Roger Waters no baixo e vocal, Richard Wright (1943-2008) nos teclados e Nick Mason na bateria.

Confira abaixo sete curiosidades contadas pelo diretor do filme Adrian Maben em entrevistas dadas aos sites "Louder Sound" e "Brain Damage". Ele valoriza em seu trabalho, acima de tudo, "a luz de Pompéia em outubro, os lentos zooms no começo e no fim de 'Echoes', a edição criativa de José Pinheiro (cineasta franco-português), os diálogos triviais na cantina do estúdio da EMI". Uma outra história e outros filmes seriam feitos se não tivessem se perdido, por estupidez humana, 248 latas de negativos. E Adrian lembra também que recebeu propostas para realizar projetos semelhantes, como Moody Blues no Grand Canyon e Deep Purple na frente do Taj Mahal. Ele declinou todas, também infelizmente.

Escolha totalmente acidental

Depois de encontros frustrantes com Steve O'Rourke, empresário do Pink Floyd, e David Gilmour, para apresentar suas ideias, que envolviam o uso de pinturas e esculturas de artistas como o surrealista belga René Magritte (1898-1967), o pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978) e o escultor suíço Jean Tinguely (1925-1991), Adrian conseguiu apenas um vago acordo provisório para filmar no final de 1971, sem nada definido. "No início do verão fui passar férias na Itália com minha namorada. Fomos a Nápoles e depois a Pompéia, onde visitamos o Fórum, a Villa dei Misteri, o Templo de Júpiter... No início da noite, descobri que havia perdido meu passaporte em algum lugar nas ruínas, possivelmente no anfiteatro. Voltei lá e expliquei aos guardas o que havia acontecido. Surpreendentemente, eles me deixaram entrar e refiz sozinho meus passos pelas ruas vazias de Pompéia. Foi estranho. Um imenso anfiteatro deserto, cheio de sons de insetos, morcegos e às escuras. Eu sabia por instinto que aquele era o lugar para o filme. De alguma forma, tudo se reuniu naquela noite na cidade antiga", relembra, dizendo que o passaporte nunca apareceu. Mais tarde, ele leu o famoso romance"Gradiva", do alemão Wilhelm Jensen (1837-1911) (inspiração para "Delírios e Sonhos na 'Gradiva' de Jensen", obra importante de Sigmund Freud), e achou que a atmosfera do livro, assustadora e comovente, era exatamente o tipo de sentimento que eu queria passar no filme.

Vista do anfiteatro de Pompéia com a equipe do Pink Floyd. Foto: Reprodução
Vista do anfiteatro de Pompéia com a equipe do Pink Floyd. Foto: Reprodução

Por pouco não foi filmado em vídeo

O diretor estava decidido a enfrentar a burocracia para poder fazer o filme — o que seria complicado, afinal, uma banda de rock acompanhada de uma grande equipe em um lugar com mais de 2 mil anos de idade não era muito recomendável. Através de um dos produtores, Adrian conheceu um professor da Universidade de Nápoles que o colocou em contato com Haroun Tazieff, superintendente do local. “Eles estavam com medo de uma enorme multidão escalando monumentos, tirando pedras. Eu disse a ele que seria um show em que a única coisa que veríamos seria o próprio Floyd, um pouco da equipe e zero espectadores”, contou. Além de ser a forma mais rápida para a liberação do espaço, o diretor queria ir contra a onda de filmes de rock da época, onde o público aparecia quase em igual medida às bandas. "Era para ser um anti-Woodstock. Acima de tudo, deveria haver a noção de silêncio, e as imagens de Pompéia falariam por si mesmas com a música. O verdadeiro milagre é que o 'Live At Pompeii' escapou de um formato de TV e se tornou um filme com distribuição internacional”, ressalta. O lado terrível é que, passado um certo tempo, um empregado da MHF Productions mandou incinerar 548 latas de negativos originais, com sobras de filmagem — o que explica, por exemplo, o motivo de "Set The Controls For The Heart Of The Sun" mostrar apenas o baterista Nick Mason (imagens dos outros músicos foram perdidas).

Ecos ricocheteados, porém perfeitos

O filme seria produzido e financiado para a TV pela Télévision Belge Francophone, pela empresa alemã Bayerischer Rundfunk e pela Radiodiffusion-Télévision Française. No entanto, o produtor Reiner Moritz sugeriu que fosse filmado com três câmeras usando filme de 35mm de alta qualidade, o que contribuiu para a longevidade e sucesso do filme. A principal exigência do Floyd foi que eles não fariam playback e queriam uma qualidade de estúdio. As performances ao vivo ficaram notáveis pela maneira como o som ricocheteia nas paredes de pedra. “Peter Watts (engenheiro de som) disse que o som tinha um tipo de eco, não um som seco como em um estúdio. Ele sugeriu que os romanos que construíram o anfiteatro pensaram não apenas na estrutura, mas também nas qualidades acústicas”, conta. Uma das coisas mais chatas do trabalho, porém, conforme o testemunho do diretor, era um dos técnicos de som, que ficou o tempo todo reclamando que a banda tocava "alto demais".

De uma igreja veio a salvação

Adrian conta que, dos seis dias que tinha disponíveis para gravar no anfiteatro, três foram gastos tentando fazer com que a eletricidade funcionasse. "Eu estava enlouquecendo tentando resolver o problema enquanto o grupo andava por aí sem fazer nada porque não havia nada para fazer. No terceiro dia de desespero, Peter sugeriu que trouxéssemos um técnico de Londres. 'Ele é um mago da eletricidade, pode resolver o problema em um piscar de olhos', garantiu. Estávamos prestes a entrar em contato com ele quando, milagrosamente, a corrente foi ligada. Graças a um cabo gigantesco que se estendia do anfiteatro até uma igreja moderna na cidade", contou.

Só três músicas no anfiteatro

Adrian estava filmando com cineastas experientes — o veterano húngaro-italiano Gábor Pogány e o belga Willy Kurant, que havia colaborado com Serge Gainsbourg (1928-1991) e Orson Welles (1915-1980) — e várias pessoas com quem ele já havia trabalhado, como o cinegrafista Jacques Boumendil e a roteirista Marie-Noël Zurstrassen. O equipamento veio do estúdio italiano Cinecittà, uma forma de não ter que trazer de Paris e economizar. No final, apenas três músicas — "Echoes", "One Of These Days" e "A Saucerful Of Secrets" — foram gravadas no anfiteatro. "'Echoes' partes 1 e 2 (a faixa tem 23 minutos) porque o álbum 'Meddle' estava prestes a ser lançado. Solicitei educadamente e cautelosamente 'Saucerful Of Secrets', porque achei que ficaria ótima no anfiteatro com a espetacular batida de Roger no gongo e a improvisação de David em sua Stratocaster", diz.

Roger Waters e o grande momento no gongo em 'Saucerful of Secrets". Foto: Reprodução Youtube
Roger Waters e o grande momento no gongo em 'Saucerful of Secrets". Foto: Reprodução Youtube

Overdubs e gravações posteriores

Após o último dia de filmagens, em 7 de outubro de 1971, a banda partiu para iniciar uma turnê americana. Mas ainda havia filmagens necessárias, que aconteceram em dezembro nos Studios de Boulogne, perto de Paris, onde foram feitas novas versões de "Careful With That Axe, Eugene" e "Set The Controls For The Heart of the Sun". "Acho que se não tivesse contado a ninguém que foi feito em Paris todo mundo pensaria que tudo foi feito em Pompéia", arrisca o diretor. Roger e David também sugeriram que algum overdubbing do som de Pompeia fosse feito no estúdio Europa-Sonor, nas proximidades. “Passamos o dia inteiro trabalhando com o editor de som Charles Rauchet, comendo ostras, bebendo algumas cervejas e brincando. Foi uma experiência maravilhosa que nunca esquecerei. Foi filmado com uma pequena câmera Éclair Coutant em preto e branco de 16mm”, fala sobre registros que entraram, em 2003, no DVD Director's Cut.

Um clássico sempre em progresso

Até agora, houve três versões do filme, lançadas em 1972, 1974 e 2002, com outra provavelmente a caminho. Adrian diz que um filme nunca termina, já que as opiniões mudam com o tempo: "Você não o coloca em seis latas ou discos rígidos e diz: 'É isso, vamos para outra coisa'. Pelo contrário, você tenta encontrar um método e algum dinheiro para alterar a versão antiga e transformá-lo em algo novo para ser mais contemporâneo". O "Live at Pompeii" tenta se adaptar às mudanças técnicas do cinema. Do filme original de 35mm filmado em 1971 com um lançamento em VHS e discos a laser até a versão em DVD de 2002 (Director's cut). Agora, existe a possibilidade de se lançar uma versão 4K. Como Roger Waters observou certa vez: "A tecnologia está avançando a uma velocidade incrível e precisamos tirar proveito das vantagens eletrônicas que se tornam disponíveis no mercado".

Adrian Maben, David Gilmour e Gavin Elder, diretor de "Live At Pompeii 2016. Foto: Getty Images
Adrian Maben, David Gilmour e Gavin Elder, diretor de "Live At Pompeii 2016. Foto: Getty Images

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