Pink supera Covid-19 e lembra desespero ao ver o filho de três anos com a doença: ‘Situação mais assustadora da vida’
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Pink supera Covid-19 e lembra desespero ao ver o filho de três anos com a doença: ‘Situação mais assustadora da vida’

Pink, 40 anos, e seu filho mais novo, Jameson, de três, foram infectados pelo coronavírus. Os dois começaram a apresentar sintomas quando já estavam há alguns dias em quarentena voluntária, em casa. Em entrevista ao “The Ellen DeGeneres Show”, a cantora narrou seu desespero ao acordar de madrugada sem conseguir respirar e, pior, depois ver seu filho também doente, vomitando. "Foi a situação mais assustadora que já vivi", definiu, emocionada. Ela é casada com o ex-piloto de motocross Carey Hart desde 2006 e também é mãe de Willow, de oito anos. Os dois não apresentaram quaisquer sintomas da Covid-19.

“Tudo começou com o Jameson, ele tem três anos. Crianças de três anos ficam doentes o tempo inteiro. Primeiro ele teve febre, no dia 14 de março e nós já estávamos de quarentena desde o dia 11 de março. A febre vinha e ia embora e ele teve dor de estômago, diarréia, dor no peito, dor de cabeça, dor de garganta... Todo dia era um sintoma novo e a febre só subia, chegando a 39 graus sem baixar”, contou a artista, uma das atrações principais no Palco Mundo do Rock in Rio 2019. “Eu liguei para o meu médico perguntando o que eu poderia fazer e ele me disse que não havia nada a ser feito. ‘Só fique em casa’, ele disse. Foi aterrorizante. Por volta de 16 de março, eu fiquei doente. Olhando hoje, tudo faz sentido, mas, na hora, é muito estranho. Você não entende o que está acontecendo até depois que tudo já aconteceu ou na medida que os dias vão passando”, explica.

No dia 16 de março, Pink acordou sem se sentir disposta. Estava cansada, sentindo calafrios, enjoada, com dores de garganta, mas sem febre. “Eu não tive aquilo que todos dizem para você ficar atento”, diz. A cantora relatou que sofreu com asma ao longo da vida, mas contou que a última vez em que foi levada a um hospital para fazer uma nebulização havia sido há cerca de 30 anos, ainda na infância. “Mais ou menos no dia 18, 19 ou 20 de março, quando a febre do Jameson estava subindo, eu acordei no meio da noite e não conseguia respirar. Eu precisei do meu nebulizador pela primeira vez em 30 anos. Eu tinha esse inalador em casa e eu não conseguia respirar sem ele. Foi aí que eu comecei a ficar muito assustada. Porque, com tudo isso acontecendo, é difícil não assistir às notícias todos os dias e eu fiquei apavorada. Eu pensei: ‘Sério? Depois de tudo de mais doido que eu já fiz na vida, é assim que tudo vai acabar?’”

Por meio de seu médico, a artista acabou conseguindo um teste. Quando contou isso em uma postagem no Instagram, na semana passada, Pink recebeu duras críticas com relação ao privilégio. A falta de testes tem sido uma das principais questões em torno da doença em todo o mundo. “Nós conseguimos um teste e eu me testei. Uma semana depois veio o resultado: positivo. Eu já sabia que o exame me diria isso”, contou. Mesmo com a confirmação, o mais assustador só veio quando Jameson começou a vomitar e dizer que sentia dores para respirar. “Foi a hora em que a gente disse: ‘vamos para o hospital?’”, a voz de hits como “Raise Your Glass” e “Who Knew” se emociona ao lembrar. “Foi a situação mais assustadora que eu já vivi na minha vida.”

Aos poucos, Pink e Jameson começaram a apresentar alguma melhora. A febre do menino ainda perdurou por dias, enquanto a cantora não apresentou o sintoma em momento algum. Ela parou de se sentir enjoada, mas ainda sentia a garganta. “Não existe uma lógica nisso. Em um determinado momento, eu estava orando e chorando e eu percebi o quão ridícula aquela situação era. Eles (especialistas) tinham dito que as crianças ficariam bem. Nos disseram que os nossos filhos ficariam bem. Eu acho que quando as pessoas começaram a explicar como essa doença agia, ainda era muito cedo para sermos capaz de definir por completo e alertar todas as pessoas sobre o que elas deveriam esperar”, reflete. Ela conta que, após ser diagnosticada, ouviu muitos relatos de pessoas que acreditam, mesmo sem terem sido testadas, que foram contaminadas pelo coronavírus antes da pandemia virar notícia nos jornais americanos. “Eu falei com muitas pessoas que não conseguem ser testados. Amigos que acham que ficaram doentes em fevereiro e que acham que pegaram isso”, diz.

‘Family Portrait’: Jameson, Carey, Pink e Willow, no tapete vermelho do People’s Choice Awards, em novembro de 2019 / Foto: Getty Images
‘Family Portrait’: Jameson, Carey, Pink e Willow, no tapete vermelho do People’s Choice Awards, em novembro de 2019 / Foto: Getty Images

Sobre a polêmica de ter conseguido um teste, a cantora levanta dois pontos para reflexão. “Testar é muito importante. É muito controverso para as pessoas que eu tenha conseguido me testar. Eu posso dizer duas coisas a elas: você tem toda razão de se irritar porque eu consegui um teste e você não. Mas ficar inconformada comigo não vai ajudar em nada nessa situação toda. Não vai resolver a origem do problema de você não conseguir ter acesso a um teste. Mas você tem toda razão de se irritar por isso. Todos deveriam trabalhar juntos para mudar esse cenário”, observa. “Mas, número dois: me diga o nome de uma pessoa que tenha um filho de três anos e que, se pudesse ter um teste em suas mãos, não aceitaria. Se alguém te responder que não aceitaria, eu te digo que esta pessoa está mentindo.”

“Todas as pessoas agora podem ser super-heróis apenas ficando em casa, lavando as mãos ou indo ao mercado para um de seus vizinhos idosos. Você pode ligar para um amigo e o fazer rir, você pode doar máscaras ou orar pelos profissionais de saúde. A gente não deveria pensar em uma forma de ficar juntos e tornar tudo melhor para todo mundo em vez de brigar?”

Pink ainda lembrou que qualquer pessoa é vulnerável ao vírus e pode ser impactada por ele. “O Jameson foi o que ficou pior e ele tem três anos. Eu tenho 40 anos e tenho asma, mas sou extremamente saudável e ativa. Carey e Willow ficaram como se tudo estivesse normal, sem sintomas. O Covid-19 é super real e não afeta só pessoas com mais de 65 anos. O isolamento social está está funcionando. Nós só temos que continuar a fazê-lo”, concluiu.

Para ajudar nos esforços de contenção, Pink doou um milhão de dólares a instituições de apoio ao combate ao coronavírus e mais meio milhão para um hospital na Filadélfia em que sua mãe trabalhou por oito anos. “É uma cidade no interior, ao norte da Filadélfia. Eles não têm muitos recursos ou formas de receber doações desse tipo, então foi algo muito significativo para a minha mãe e para os amigos dela que ainda trabalham lá”, explica. “Disseram que eles colocaram minha música para tocar e ficaram dançando.”

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