'Ploc': projeto do Sergipe usa sons da natureza para ensinar adolescentes a produzir trilhas sonoras
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'Ploc': projeto do Sergipe usa sons da natureza para ensinar adolescentes a produzir trilhas sonoras

Santa Luzia do Itanhy fica localizada a pouco mais de 80km de Aracaju, capital do Sergipe. Com cerca de 15 mil habitantes, o município está entranhado em meio a rios e mangues que compõem o ecossistema local. No silêncio da pacata cidade, ouvidos mais atentos aos sons da natureza podem perceber o estourar das bolhas de ar dentro do manguezal. "Ploc". A onomatopeia, não por acaso, dá nome a um dos projetos mais inovadores da região, que chegou à cidade para incentivar adolescentes a explorar o som da natureza para criar músicas e trilhas sonoras.

"O Ploc é um projeto sobre o som. O objetivo dele é preparar adolescentes para que eles entendam o som como possibilidade de transformação social, de criação de linguagens, até como um mercado", explica Marcel Magalhães, pesquisador do Instituto de Pesquisa em Tecnologia e Informação (IPTI) — instituição privada de ciência, tecnologia e inovação cuja sede fica no município sergipano — e um dos coordenadores do projeto. Além dele, também está à frente do trabalho o DJ Dolores.

"Isso significa que você pode a partir do som criar música, mas não só isso. Você pode também criar materiais para o audiovisual, como textura, efeitos para filmes, para curtas metragens, para televisão ou até para experimentos mesmo", diz.

O PLOC aportou em Santa Luzia do Itanhy em 2017. O município interiorano não ofereceria naturalmente muitas oportunidades aos jovens que nele vivem. Indicativo disso é que uma das principais fontes de renda das famílias que ali estão vem da pesca e de catar caranguejos nos manguezais. O projeto procura levar a esses meninos e meninas ferramentas para reconhecer no meio-ambiente insumos para produção audiovisual. No ano passado, por exemplo, com menos de um ano de projeto, os alunos realizaram a gravação e produção sonora do clipe da faixa “Afogados (Ponte para o Passado)”, da banda DM3trio.

Para participar do PLOC, a seleção é rigorosa. Adolescentes entre 11 e 17 anos de várias escolas da região são convocados por meio de uma chamada pública. A partir daí, uma equipe analisa quem, entre os inscritos, apresenta maior aptidão técnica para seguir no PLOC.

Em 2017, segundo Saulo Barreto, pesquisador e co-fundador do IPTI, os alunos participaram de oito oficinas técnicas com profissionais do Brasil inteiro. Cada um deles passou uma semana ensinando aos jovens, que trabalharam com equipamentos de captação e edição de sons para produzir música, especialmente para trilhas sonoras e games.

"A gente acha que essa é um viés que, mesmo morando em Santa Luzia, eles possam atender ao mundo inteiro e, consequentemente, podem ter suas startups, suas empresas, que possam vender", explica Saulo.

As aulas do PLOC não são chamadas de aulas, mas de "encontros". A escolha no termo reflete a intenção de mostrar que o PLOC não é um curso, mas um momento de troca em que os jovens podem aprofundar conhecimentos e compartilhar suas vivências.

Crianças do 'Ploc' se divertem enquanto gravam material no mangue / Divulgação
Crianças do 'Ploc' se divertem enquanto gravam material no mangue / Divulgação

Além de aprenderem sobre captação de som e produção sonora, os jovens participantes do projeto também tiveram a oportunidade de criar pequenos amplificadores ou de desenvolverem suas próprias guitarras, mesmo que básicas.

O projeto tem entre suas metas mostrar aos jovens que o conhecimento adquirido ao longo dos encontros do PLOC pode transformá-los em disseminadores de expertise dentro do próprio município.

"Eles começam a dar aula da técnica nas escolas dos povoados deles. Com isso a gente também aumenta a capacidade de escala e ao mesmo tempo também dá oportunidades para novos talentos serem descobertos e trazidos para o grupo principal", diz Saulo.

Para Marcel, o principal objetivo do PLOC é abrir os horizontes dos jovens que participam dele. “A perspectiva deles (dos alunos) é seguir o que o pai faz. Se o pai é pescador, ele vai ser pescador. O que o PLOC quer dizer para eles é: ‘você pode seguir um outro caminho’. Não necessariamente ser músico ou trabalhar com som, mas esse projeto permite que eles consigam abrir a visão de mundo”.

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Para nós, rock não é um gênero musical, é atitude! Um comportamento, um jeito diferente de ver as coisas. Com um olhar rock da vida, o Reverb se uniu à Heineken para entregar o tipo de conteúdo que, só de ler, já conseguimos ouvir, cantar e dançar. Afinal, o rock não vem do palco, vem de você.

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