Polêmica na Jamaica: o astro Bounty Killer reclama da influência do hip-hop e diz que 'estão acabando com o dancehall'
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Polêmica na Jamaica: o astro Bounty Killer reclama da influência do hip-hop e diz que 'estão acabando com o dancehall'

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"Kingston, we have a problem"... O artista jamaicano Bounty Killer, de 47 anos, não está nada feliz com os beatmakers que têm trazido mudanças ao dancehall. Segundo ele, um dos principais astros da cena jamaicana desde o começo dos anos 1990,  os jovens produtores estão "acabando" com a essência do dancehall, inundando o ritmo com beats de pop e hip-hop. "Eles estão prestando um desserviço e corroendo a autenticidade da música", apontou ele. Bounty faz sucesso também fora da Jamaica, nos EUA e na Europa; em 2002 chegou a ganhar um Grammy de Melhor Performance Vocal Pop em Duo ou Grupo por um faixa híbrida, "Hey Baby", gravada com o grupo americano de ska pop No Doubt (da cantora Gwen Stefani). Apesar de autointitulado DJ, ele é na verdade vocalista e compositor — na Jamaica, é assim que são chamados os responsáveis pelos vocais rappeados/falados sobre as bases e ritmos locais.

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"Esses produtores de agora não vão alcançar sucesso internacional desse jeito. Se você notar, por exemplo, Charly Black (cantor de reggae e dancehall), vai perceber que ele está indo melhor do que muita gente, porque essas pessoas não estão fazendo a coisa certa", disse ele em entrevista, reproduzida no site "Urbanislandz". "Nossa música está crescendo, mas acredito que é necessário olhar de volta para nossas origens e ouvir novamente as canções de onde viemos." Bounty também acredita que os beatmakers são responsáveis por guiar os artistas em direções erradas para trabalhar.  "Hoje as letras estão melhores, mas os beats são ruins", declarou o DJ. "Não temos mais músicas como 'Fed Up'. Quantos jovens vão criar uma canção que dure 15 anos? Eu posso cantar meu primeiro hit, 'Copper Shot', até hoje, porque todos se lembram. É uma canção que fica."

O dancehall é um gênero musical e de dança jamaicano criado no fim dos anos 1970. Era considerado um subgênero do reggae "menos politizado e religioso", com influências eletrônicas inovadoras. Com o passar dos anos, músicos como Bounty Killer, o DJ dos "pobres e dos oprimidos", líder de uma vertente que pode ser comparada ao gangsta rap americano, provaram que essa afirmação estava errada. Outros artistas famosos do estilo são Sister Nancy, Tenor Saw, Lady Saw e Yellowman.

Vale lembrar também que o dancehall foi uma espécie de incubadora para o surgimento de outros ritmos, com o ragga — com o qual se confunde. A partir daí, surgiram astros internacionais com Shabba Ranks, Shaggy, que seguiu caminhos mais pop e recentemente gravou um vídeo com Sting, e Sean Paul.  O dancehall teve ecos inclusive no Brasil: o Skank, uma das maiores bandas pop do país, começou lançando um álbum inteiramente influenciado pelo gênero jamaicano. 

 Um dos maiores astros atuais do dancehall é Popcaan, que já gravou com megastar canadense Drake — atração do Rock in Rio 2019 — com hit o "My Chargie", de 2017. Nada, porém, que chegasse perto do sucesso feito por Bounty Killer, que chegou a se apresentar com o No Doubt em uma final de Super Bowl, em 2002.

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