Por que o show do BTS na Arábia Saudita foi um marco
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Por que o show do BTS na Arábia Saudita foi um marco

Chamar a Arábia Saudita de país controverso é um eufemismo. O reino governado por Salman bin Abdulaziz é um dos mais problemáticos, por assim dizer, em questões de direitos humanos que envolvem todo tipo de liberdade individual e igualdade de direitos. Isso, porém, não afastou o BTS, maior grupo de k-pop da atualidade, de levar sua turnê "Speak Yourself" para o país (diferente do que fez Nicki Minaj). O grupo sul-coreano realizou, na última sexta-feira (11), o primeiro show solo de um artista estrangeiro em um estádio, neste caso, o King Fahd International Stadium.

Enquanto fãs se dividiram no debate sobre se o grupo deveria ou não estar no país para uma performance, há que se destacar os cuidados que os garotos tiveram para colocar a apresentação de pé. Segundo informações, partes do show foram alteradas para que tudo acontecesse dentro dos padrões permitidos pelo governo e cultura local. Movimentos da coreografia que pudessem parecer ofensivos foram alterados e os meninos, especialmente Jeon Jungkook, foram orientados a não mostrar partes do corpo como o abdômen.

Os garotos do BTS nos bastidores do show em Riade, na Arábia Saudita / Foto: Divulgação
Os garotos do BTS nos bastidores do show em Riade, na Arábia Saudita / Foto: Divulgação

O show do BTS foi a primeira vez em que mulheres foram autorizadas a assistir a uma performance do tipo em um estádio. Apenas em 2017 que elas foram autorizadas a estar em locais como o King Fahd Stadium. A Big Hit, empresa do grupo, orientou que as mulheres da produção se adequassem às vestimentas locais. Na Árabia Saudita, elas são obrigadas a usarem a abaya, uma roupa que cobre todo o corpo, com exceção das mãos e dos olhos.

Outro ponto alterado na turnê aconteceu nos momentos finais do show. Ao deixarem o palco, o grupo inteiro não se curvou para agradecer ao público, apenas acenou em despedida enquanto desciam em um elevador de palco. Isso aconteceu para não desrespeitar a tradição islâmica de apenas se curvar para Alá.

Grupo foi criticado

Desde que anunciou o show, em julho, o BTS recebeu críticas por se apresentar no país. O governo saudita, como dito anteriormente, é considerado um dos mais autoritários no mundo. No país, mulheres têm seus direitos restringidos e relações homossexuais são consideradas ilegais. Além disso, a Arábia Saudita está envolvida em uma série de escândalos violentos, incluindo o assassinato do escritor e colunista do "Washington Post" Jamal Khashoggi, na Turquia, em 2018.

A performance dos sete sul-coreanos também levantou questionamentos já que o grupo participou de uma campanha da Unicef pelo fim da violência. Usuários do Twitter chegaram a levantar a hasHtag "BTS don't go" (Não vá, BTS).

Por outro lado, apoiadores do grupo viram a performance como uma oportunidade para os fãs que vivem no país se esquecerem, mesmo que por poucas horas, da opressão vivida no dia a dia.

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