Preservada e 'tombada', casa de John Coltrane em Long Island vai virar centro cultural
Inspiração

Preservada e 'tombada', casa de John Coltrane em Long Island vai virar centro cultural

Em algum momento de 1964, em um dos quartos do segundo andar de uma casa simples em Dix Hills, em Long Island, John Coltrane pegou seu saxofone e soltou os primeiros compassos de sua obra-prima, “A Love Supreme”. Ainda hoje, é seu trabalho mais conhecido – e 55 anos depois, a casa de tijolos aparentes na Rua Candlewood Path entra para a história. Rebatizada como The John and Alice Coltrane Home, o espaço foi inaugurado este ano de modo limitado, recebendo excursões somente para convidados. Uma ampla reforma na casa foi iniciada pela organização sem fins lucrativos Friends of the Coltrane Home e o imóvel foi considerado, no ano passado, como “tesouro nacional dos EUA” pelo Fundo Nacional de Preservação Histórica.

“O bom é que a casa foi preservada. Seu estado ainda é bem parecido com o da época em que Coltrane e sua família viviam lá, nos anos 1960”, diz Ron Stein, presidente da Friends of the Coltrane Home. “Isso é incrível, considerando que tantas outras casas da região foram derrubadas ou passaram por mudanças radicais”. A organização pretende arrecadar US$ 2 milhões para completar a restauração e transformar a casa num centro cultural; cerca de US$ 400 mil já foram obtidos.

The John and Alice Coltrane Home
The John and Alice Coltrane Home

John Coltrane e sua mulher, Alice, já eram considerados figuras centrais do jazz americano quando se mudaram para a casa em 1964. A mensagem espiritual de “A Love Supreme” era ligada ao contexto das lutas pelos direitos civis dos negros naquele momento. “Coltrane bem pode ser o mais influente músico que já surgiu neste país”, acredita Stein, lembrando que sua influência ultrapassa o jazz, chegando a artistas como as bandas Grateful Dead e Allman Brothers e nomes contemporâneos como Kendrick Lamar e Flying Lotus.

John Coltrane em um show em Amsterdã, em 1963
John Coltrane em um show em Amsterdã, em 1963

O casal deixou sua marca na casa em Long Island. Alice Coltrane construiu um estúdio no subsolo e gravou lá cinco álbuns. Na garagem, John estacionava seu Jaguar XK-E – uma aquisição inesperada, lembra Stein, inspirada pela extravagante coleção de carros esporte mantida pelo amigo Miles Davis. Coltrane morreu em 1967, de câncer no fígado. Alice vendeu a casa em 1973 e se mudou com a família para a Califórnia, onde morou até o fim da vida, em 2007.

Alice Coltrane
Alice Coltrane

A pedido de fãs e de historiadores do jazz, a prefeitura local comprou a casa – em estado deteriorado – em 2005. A construção estava prestes a ser demolida. Quatorze anos depois, o município vai celebrar no dia 20 de julho a quinta edição anual do Coltrane Day, um festival de música que se estende pelo dia todo no Parque Hecksher, contando com o músico David Liebman como atração principal.

Flyer com a programação do Coltrane Day
Flyer com a programação do Coltrane Day

Preservar os antigos lares de grandes artistas americanos é uma verdadeira batalha, que exige recursos financeiros e atenção. Para cada ponto turístico como a mansão de Elvis Presley, há vários outros lugares menos conhecidos, como a modesta cabana onde Nina Simone cresceu, na Carolina do Norte – e que agora é o foco de uma campanha de preservação com verbas arrecadadas via crowdfunding. “É a maneira de afirmar que a nossa cultura e a nossa história são realmente importantes. Em especial a história e a cultura de grandes afro-americanos que, historicamente, foram negligenciados em tributos a suas obras, que tiveram impactos enormes”, diz Ron Stein.


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