‘Preservar pequenos e médios palcos é atitude de resistência’, diz Léo Feijó, empreendedor da cena carioca
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‘Preservar pequenos e médios palcos é atitude de resistência’, diz Léo Feijó, empreendedor da cena carioca

Em época de turnês de grandes astros que lotam estádios em shows mundo a fora, a indústria musical tem cada vez menos direcionado seus olhos — e investimentos — para outros tipos de ambientes. Eles são aqueles que acolhem jovens músicos em início de carreira com uma trajetória bem menos opulenta do que as de estrelas da música pop e do rock. Especificamente no Brasil, os palcos regionais de pequeno e médio porte têm perdido a relevância muito por conta do pouco retorno financeiro — e do muito trabalho — que seu funcionamento exige.

Léo Feijó tem uma trajetória ligada à criação de espaços como esse no Rio de Janeiro. Grande defensor da cena musical, ele é um dos nomes por trás de lugares-símbolo dessa estrutura, como a Casa da Matriz, o Cinematheque e o Teatro Odisseia. "Esses palcos funcionam como verdadeiros laboratórios. É lá que os artistas vão formar seu público e se conectar com outros artistas", diz.

Para ele, um trabalho em conjunto de gestores e empreendedores é necessário para preservar uma cultura de palcos que trouxe à grande cena nomes como Los Hermanos, Marcelo D2, Autoramas e outros artistas reconhecidos pelo grande público hoje em dia.

"Nenhum artista começa tocando para duas mil pessoas. Tom Jobim mesmo, por exemplo, começou em lugares menores. Outro exemplo é o Beco das Garrafas, que teve papel importantíssimo na construção desses artistas. Isso acontece assim no mundo todo, mas, atualmente, há uma crise", pontua.

Com a intenção de unir essa cadeia produtiva na capital carioca, em 2018 foi criada a Rede de Palcos do Rio, que hoje conta com 24 espaços associados. "Nos primeiros 22 palcos, circulam 800 mil pessoas por ano. O problema é que se tem um ticket médio muito baixo. Se você não tem o apoio de uma marca e uma política tributária que favoreça esse tipo de investimento, é muito caro".

Preservar a cena fora do mainstream é essencial para se perpetuar uma cultura. No histórico brasileiro, espaços do tipo nos trouxeram momentos emblemáticos para a música nacional, como os anos 1980 e todo o movimento BRock, com Barão Vermelho, Blitz, Paralamas do Sucesso e Plebe Rude.

"Quem se envolve com isso se envolve porque é apaixonado por música e quer fazer essa cena acontecer. É uma atitude de resistência", conclui Léo.

Léo Feijó (da esq. para a dir., de camisa preta, o segundo da fila de trás) e outros empreendedores da Rede Palcos
Léo Feijó (da esq. para a dir., de camisa preta, o segundo da fila de trás) e outros empreendedores da Rede Palcos

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