Primus: Les Claypool lembra do álbum de estreia, ‘Frizzle Fry’, lançado há 30 anos
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Primus: Les Claypool lembra do álbum de estreia, ‘Frizzle Fry’, lançado há 30 anos

O vocalista e baixista Les Claypool esqueceu do 30º aniversário do lançamento do álbum "Frizzle Fry", estreia de sua banda Primus em 1990. Talvez porque esteja com as atenções voltadas atualmente para a turnê com o trio Oysterhead, ao lado do vocalista do Phish, Trey Anastasio, e do baterista do Police, Stewart Copeland. Mas isso não significa, claro, que ele não reconheça a importância do trabalho da banda que fez parte da onda transformadora do rock alternativo na Califórnia.

"Frizzle Fry" foi gravado em tempo recorde, duas semanas no estúdio — Claypool, o guitarrista Larry Lalonde e o baterista Tim "Herb" Alexander entraram em estúdio em dezembro de 1989 e o álbum estava nas lojas em fevereiro de 1990. Ele foi feito com o dinheiro que ganharam com o EP "Suck On This", gravado ao vivo e lançado de forma independente em 1989.

Les Claypool em um show em Nova York, no ano passado. Foto: Getty Images
Les Claypool em um show em Nova York, no ano passado. Foto: Getty Images

"Eram as músicas que tocávamos há muito tempo, foi bem fácil. Não tínhamos dinheiro e gravamos o 'Frizzle Fry' antes de ter um contrato, com o dinheiro que ganhamos com o 'Suck On This'. Nós fazíamos mil cópias dele, vendíamos e assim foi até termos um contrato. Mas antes de assinar, já tínhamos gravado o 'Frizzle Fry' com nosso próprio dinheiro", contou Claypool à "Billboard".

As 13 faixas revelaram a originalidade e o virtuosismo de de um trio distante dos parâmetros do rock alternativo dos anos 90, aproximando-se mais da natureza dadaísta da Mr. Bungle do que do escapismo maluquete Red Hot Chili Peppers. Músicas como "John The Fisherman", "Pudding Time" — ambas regravadas de "Suck On This" — e "Too Many Puppies" tornaram-se hinos para skatistas e headbangers.

"'John The Fisherman' foi baseada em uma história. Assisti a uma reportagem sobre um barco de pesca de salmão na costa de São Francisco que havia sido atingido por um navio de carga durante um nevoeiro. Foi tão assustador, tocaram a última transmissão de rádio do cara gritando por socorro enquanto o navio os atingia. Era tão sinistro e sombrio que me inspirou a escrever e desenvolver o personagem", lembrou.

"Too Many Puppies" foi a primeira música que Claypool compôs para o Primus. "Escrevi sozinho no quarto e depois atravessei a rua para cantar numa igreja (meu colega de quarto estava saindo com a filha do pastor e ele tinhas as chaves da igreja...) Tenho certeza de que cometi alguma espécie de blasfêmia", brincou. O músico contou que, na época, tocava numa banda de R&B e depois perdeu contato com os companheiros. "Descobri anos depois que o líder, que era como um irmão mais velho para mim, morreu. Então, procurei a viúva para comprar algumas guitarras. E acabei encontrando o violão que ele me emprestou e com que gravei a fita demo de 'Too Many Puppies'. Fiquei muito feliz", contou.

Outro destaque no álbum é "To Defy The Laws of Tradition", faixa que abre e fecha o disco, falando de rebeldia. "Nós sempre agitamos bem alto a bandeira do inconformismo, mesmo de forma inconsciente", contou, lembrando, aos risos, que às vezes essa rebeldia não era bem compreendida e virava um tiro no pé da banda.

A maioria das partes da guitarra foi escrita pelo guitarrista original, Todd Huth (da formação de 1984 que tinha o baterista Jay Lane), mas tocada por Larry LaLonde. "A Primus já era uma banda local bastante popular e nós estávamos procurando por outro baterista porque o nosso baterista estava em outra banda que tinha um contrato de gravação. Então eu coloquei Jay na parede e ele acabou saindo. Ainda nos testes para o substituto, Todd veio até mim e disse que não poderia mais tocar porque tinha acabado de ser pai. Então eu conheci o Larry e o convidei, mesmo sem saber o quão bem ele podia tocar, porque ele era o segundo guitarrista de uma banda de metal. Ele aprendeu todas as partes do Todd — e olha que as partes de Todd são estranhas", contou Claypool.

Se em "Frizzle Fry " sua influência direta era de John Lydon (do Public Image e dos Sex Pistols), Claypool reconhece que sua forma de cantar foi mudando aos poucos, principalmente a partir dos anos 2000, quando começou a trabalhar com Trey Anastasio e Sean Lennon e a aprender a controlar mais seus tons. "John Lydon teve uma enorme influência sobre mim e Peter Gabriel também. Se você me ouvir cantando no 'Frizzle Fry', há muito John Lydon lá, principalmente no meu timbre. Não necessariamente na era Sex Pistols, mas todas as coisas da PiL que ele fez, como 'Flowers of Romance, Happy?'. Na verdade, eu não pensava em mim como cantor, apenas tentava narrar aquelas músicas malditas e, para mim, John Lydon tinha essa abordagem com a qual eu consegui me identificar", explicou.

Muitos fãs já começaram a cobrar uma turnê com o repertório do "Primus", mas Claypool não dá pistas firmes. "Sempre se fala em fazer isso, às vezes se discute. Mas no momento estamos trabalhando em um livro com todos os meus desenhos de setlist, algo que tem sido bastante difícil, porque há uma quantidade enorme, mesmo tendo perdido muitos deles ao longo dos anos. Estamos tentando encontrá-los porque cada um deles tem uma história", revelou.

Claypool está em turnê com o Oysterhead, que surgiu depois do Jazz Fest em Nova Orleans em 2000. "Eu ia fazer um super jam no festival, então liguei para o meu velho amigo Trey e perguntei se ele queria tocar comigo. Ele acabou me dizendo: 'Ei cara, eu sempre quis fazer um projeto com você e Stewart Copeland; se você puder chamar o Stewart, eu faria'. Acho que ele disse isso porque não acreditava que eu pudesse conseguir o Stewart... Então lá está, 'boom'! O Oysterhead nasceu", contou. O trio, que tem um disco lançado ("The Grand Pecking Order", de 2001) faz apresentações em fevereiro, abril e junho em várias cidades americanas.

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